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Entidades unem-se para informar sobre a doença: É possível «Estar Vivo com Leucemia»

Em Portugal existem todos os anos mais de mil novos casos de leucemia. As boas notícias são que nos últimos anos a taxa de cura desta doença aumentou 50%.

Esta e outras mensagens são divulgadas à população no âmbito da Semana Europeia da Leucemia –nos próximos dias 2 e 3 de Julho – numa acção que une a CP, Novartis Oncology, Sociedade Portuguesa de Hematologia, Sociedade Portuguesa de Oncologia e Associações de Doentes.

O projecto, inovador, tem por objectivo informar a população, desmistificando medos e ideias erradas sobre a leucemia. Num total, serão 50 mil exemplares do jornal «Estar Vivo com Leucemia» a distribuir aos passageiros da CP nas estações do Porto (Campanha e São Bento), Aveiro, Coimbra, Cais do Sodré e Lisboa (Oriente).

«É muito importante divulgar informação correcta e actualizada sobre esta doença, por forma a combatê-la melhor. Sabemos que o conhecimento do público em geral sobre doenças como a leucemia é em geral muito escasso e frequentemente associado à ideia de cancro, como uma doença fatal e geradora de grande sofrimento físico».

Quem o diz é o médico António Parreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia no jornal «Estar Vivo com Leucemia», uma iniciativa que visa informar e esclarecer a população, desmistificando medos e ideias erradas sobre esta doença que anualmente afecta mais 1.000 portugueses.

Diversas entidades, como sociedades médicas e científicas, associações de doentes, CP e Novartis Oncology, juntaram-se com o objectivo de lançar uma campanha informativa junto da população, alertando para o facto de leucemia já não ser uma «sentença de morte» ou «doença fatal» pois em muitos casos tem cura ou pode ser controlada.

Sociedade Portuguesa de Hematologia, Sociedade Portuguesa de Oncologia, IPO Porto, Associação de Apoio a Doentes com Leucemias e Linfomas (ADL), Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL) são os principais parceiros do «Estar Vivo com Leucemia», um mini-jornal informativo e esclarecedor da população a distribuir, a 2 de Julho, nas estações de comboios de São Bento, Campanhã, Aveiro e Coimbra B.

Dia 3 de Julho, chega a vez de informar os passageiros que circulam nos comboios dos serviços Alfa Pendular; Inter Cidades e Urbanos – com origem ou destino nas estações do Oriente e do Cais do Sodré. No total, são 50 mil exemplares, de distribuição gratuita, com o intuito de promover junto da população «Mais Informação sobre Leucemia», tal como se lê na primeira página da publicação.

Habituados a lidar com diagnósticos de leucemia – nos seus vários tipos – médicos hematologistas e oncologistas dão o seu contributo para explicar claramente que nos dias de hoje esta doença não pode ser encarada como o era noutros tempos. «É importante salientar que existem vários tipos de leucemia com tratamentos e probabilidade de cura variáveis. O transplante não constitui a única opção terapêutica.

É possível curar doentes com leucemia sem recorrer ao transplante», afirma José Mário Mariz, médico hematologista no IPO do Porto acrescentando que «em Oncologia, as evoluções terapêuticas são, regra geral, feitas de forma lenta e progressiva.

A introdução de novos fármacos ou protocolos permitem um pequeno progresso que pode fazer-se sentir, quer na melhoria da qualidade de vida dos doentes, quer no aumento da sua sobrevivência».

Esta opinião é partilhada pela presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, Helena Gervásio, quando salienta que embora a população tenha em mente que um diagnóstico de leucemia é uma sentença de morte o facto é que esse mito «está a ser ultrapassado pelos tratamentos cada vez mais eficazes.

Leucemia não é sinónimo de morte». Segundo um estudo realizado pela SPO com o apoio da Novartis Oncology a «leucemia é a doença oncológica menos conhecida dos portugueses».

Helena Gervásio explica que este facto «poderá passar pela menor frequência na população e pelo facto de o diagnóstico ser mais frequente em idades mais jovens, sendo estas idades menos frequentemente associadas ao cancro pela população em geral».

A CP juntou-se a esta iniciativa e possibilitou o acesso a diversas estações, permitindo a distribuição deste suporte informativo em diversos locais do país numa atitude que o presidente do Conselho de Gerência da empresa, Francisco Cardoso dos Reis, classifica como sendo «de utilidade pública no sentido de promover uma cidadania activa e fomentar uma consciência colectiva dos problemas de saúde, proporcionando um conhecimento mais profundo sobre a doença».

INFORMAR E ESCLARECER – A FORMA EFICAZ DE AJUDAR OS DOENTES

Informar e esclarecer o doente. Esta é provavelmente a melhor “arma” de combater a doença. E «não são só os doentes que necessitam de ser esclarecidos, também os médicos e os enfermeiros precisam de saber muito mais sobre os seus pacientes: reacções, comportamento, factores de sofrimento…», defende a vice-presidente da Associação de Apoio aos Doentes com Leucemias e Linfomas (ADL), a médica hematologista Maria José Parreira.

Esta opinião é partilhada pelo presidente da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas. João Salazar destaca que as informações sobre as terapêuticas são «cada vez mais eficazes. Basta ver que a taxa de cura da leucemia aumentou 50% nos últimos 10 anos». Neste campo, reforça, a APLL tem um papel activo e diferenciador: «aconselhar e acompanhar os doentes na participação em ensaios clínicos desenvolvidos a nível nacional».

E Manuel Abecasis, presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) complementa esta ideia referindo que «na criança cerca de 80% das leucemias são curáveis e hoje em dia é já raro chegar à opção do transplante de medula dado que os tratamentos são muito eficazes. No adulto até aos 60 anos, as leucemias são curáveis em cerca de 30% dos casos», acrescentando que «actualmente uma pessoa que se depara com um diagnóstico de leucemia pode ter uma esperança de vida e de cura muito melhor do que há 10 anos».

Que o diga Luís Miguel que há uns anos se deparou com um diagnóstico de leucemia mielóide crónica. Hoje, aos 39 anos, a doença está controlada mas, Luís Miguel, tem consciência de que cumprir rigorosamente a toma da medicação é factor de sucesso para o controlo da doença. Hoje, os doentes têm acesso às melhores terapêuticas e estórias como a do Luís Miguel, de controlo da doença, já não são raras.

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