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Dr. Hugo Madeira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia: “As empresas que construam ginásios devem beneficiar de incentivos fiscais”

“As empresas que construam ginásios que permitam aos seus colaboradores a prática de exercício físico a qualquer hora do dia devem beneficiar de incentivos fiscais”, defendeu o Dr. Hugo Madeira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), na sessão de apresentação da Carta Europeia do Coração, em Lisboa.

“Na realidade, a doença cardiovascular é a primeira causa de morte na Europa e custa à economia europeia cerca de 169 mil milhões de euros por ano”, assegura o dirigente.

O Presidente da SPC sustentou ainda que “todas as escolas primárias devem estar equipadas com ginásios ou recreios com capacidade para a realização de exercício físico”.

A Carta Europeia, elaborada pela Sociedade Europeia de Cardiologia (SPC) e pela European Heart Network, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Comissão Europeia, tem como objectivo reduzir substancialmente o peso da doença cardiovascular na União Europeia e na Região Europeia da OMS, bem como reduzir as desigualdades entre os países, nesta área.

A doença cardiovascular é a primeira causa de morte entre os homens e as mulheres europeus. É responsável por cerca de metade de todas as mortes ocorridas na Europa, causando todos os anos 4,35 milhões de mortes nos 52 Estados de membros da Região Europeia da OMS e mais de 1,9 milhões de mortes na União Europeia.

As organizações europeias e internacionais foram convidadas a assinar a Carta Europeia do Coração e a empenharem-se em combater o sofrimento e a morte precoce associadas à doença cardiovascular.

As crianças de hoje e a saúde de amanhã

“Toda a criança nascida no novo milénio tem o direito de viver, pelo menos até aos 65 anos de idade, sem sofrer de uma doença cardiovascular evitável”. Esta é a principal mensagem desta Carta Europeia do Coração. É também esta a mensagem que já aparece em quatro milhões de pacotes de açúcar “e que vai ser muito divulgada.

Vão ser lançadas acções dirigidas à população até ao fim do ano e em Janeiro de 2008”, garante o Dr. Hugo Madeira, Presidente da SPC. Para este responsável, é essencial começar a prevenção da doença cardiovascular em idades muito precoces.

“O aspecto afectivo de pais e avós influi. É mais fácil para um pai dizer que não vai deixar de fumar porque não é capaz mas que vai fazer tudo para que o seu filho não fume. Há exemplos de pais que deixaram de fumar, só por causa dos filhos, o que é louvável.

Tenho exemplos, nas minhas consultas médicas, de pais que deixaram de fumar porque começaram a reparar que os seus filhos passaram da infância para a adolescência e quiseram dar um exemplo de não fumadores aos filhos”, diz-nos.

A mesma opinião é partilhada pelo Dr. Ricardo Seabra Gomes, Coordenador Nacional para as Doenças Cardiovasculares, do Alto Comissariado da Saúde. “Se for possível dirigir as campanhas para grupos de maior risco, a mudança que se pode esperar na idade média da vida, vai ser possível fazer através das crianças. Estas levam a mensagem para casa.

Podem perguntar aos pais porque é que a barriga está grande, porque é que não o levam a sair, porque é que fumam… O grande motor que pode fazer a mudança em termos de população será a partir das crianças”.

A iniciativa é igualmente promovida pelo Alto Comissariado da Saúde. A Professora Dra. Maria do Céu Machado, Alta Comissária da Saúde não quis deixar de marcar presença na apresentação oficial da Carta Europeia do Coração.

“É importante que mensagem presente nos pacotes de açúcar seja retida pela população. É também necessário haver cidades saudáveis. Considero que esta Carta Europeia do Coração é muito importante como ponto de partida para se fazer qualquer coisa em concreto e para termos ganhos em saúde daqui a relativamente pouco tempo”.

A doença cardiovascular em números

“A doença cardiovascular é a primeira causa de morte entre os europeus, responsável por cerca de metade dos óbitos na Europa, isto é, mais de quatro milhões de mortes nos 52 Estados que compõem a região europeia da OMS.

Custa à economia europeia cerca de 169 mil milhões de euros por ano e mata mais pessoas do que todas as formas de cancro combinadas”, diz-nos o Dr. Hugo Almeida, Presidente da SPC, acrescentando que “a população tem horror ao cancro, mas deveria pensar nesta realidade”.

Na apresentação da Carta Europeia do Coração, o responsável pela SPC defendeu que “as mudanças de estilos de vida vão-se conseguindo, sobretudo, nas novas gerações”. Andar a pé, fazer caminhadas, não fumar, manter a tensão arterial em níveis adequados, controlar o colesterol, ter uma alimentação saudável e evitar o stress excessivo fazem parte dessa mudança de estilos de vida.

“Um estudo recente concluiu que 63% das pessoas andam a pé menos de 60 minutos por semana, quando é recomendado que se ande, pelo menos, 30 minutos cinco dias por semana. Os indivíduos devem andar na rua, fazer caminhadas, ir a pé para o trabalho”, diz o Dr. Hugo Madeira.

O dirigente da SPC defende ainda o incentivo “através de benefícios fiscais às empresas que construam ginásios que permitam a prática de exercício físico aos seus colaboradores”. Considera também importante que todas as escolas primárias tenham ginásio ou recreio com capacidade para a realização de exercício físico.

Para o Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares, actualmente a “mensagem para praticar exercício físico chega muito mais aos reformados do que à população activa. Hoje, vêem-se mais pessoas com 65 anos a praticar actividade física do que indivíduos em idade produtiva”.

É necessário modificar esta tendência e “dar informação à população”. É também “necessário assegurar uma mobilização comunitária, envolvendo as organizações de saúde, as próprias pessoas, autoridades oficiais e outras instituições”, conclui o Dr. Hugo Madeira.

Dimensões de Saúde na Estratégia UE-África discutidas em Lisboa

O Pavilhão Atlântico, em Lisboa, recebeu o encontro sobre as Dimensões de Saúde na Estratégia UE-África. Oportunidade para promover o diálogo, acção conjunta e cooperação entre os dois continentes, para que África atinja os propósitos de Desenvolvimento do Milénio (OMD) em 2015.

Em Dezembro de 2005, os Chefes de Estado e de Governo da UE adoptaram uma estratégia para África, com o título: “A UE e África: Em direcção a uma parceria estratégica”, que representa o compromisso da UE em apoiar o continente africano nos seus esforços para atingir a OMD.

A União Africana adoptou a Estratégia de Saúde em África: 2007-2015, documento que reúne as estratégias de saúde dos Estados membros, oferecendo uma direcção estratégica aos esforços africanos na obtenção de melhor saúde para a população.

Os Estados-membros assumiram já o compromisso em alcançar os objectivos da saúde determinados pela OMD, nomeadamente, a redução da mortalidade infantil, a melhoria da saúde materna e o combate ao VIH/sida, malária e outras doenças.

Jornal do Centro de Saúde

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