O que é a infertilidade? A infertilidade é uma incapacidade temporária ou permanente em conceber um filho e em levar a termo uma gravidez até ao parto. É um problema comum que ataca homens e mulheres, proveniente de motivos internos ou de contributos inconscientes do ser humano.
Considera-se que existe um problema de infertilidade quando o casal tem relações sexuais, regularmente sem utilizar contracepção durante o período de 1-2 anos, sem que ocorra uma gravidez. No entanto, isso não significa que ela não possa ocorrer naturalmente após esse período ou recorrendo a técnicas específicas, uma vez que a infertilidade total, ou esterilidade, é uma situação rara.
2. Tipos de infertilidade?
Pode-se classificar dois tipos de infertilidade:
• Infertilidade primária – incapacidade fisiológica de uma primeira gravidez
• Infertilidade secundária – incapacidade fisiológica de uma segunda ou mais gravidezes.
Para a OMS (Organização Mundial de Saúde) um casal tem problemas de fertilidade, quando após 2 anos de actividade sexual sem utilização de métodos contraceptivos, não ocorre uma gravidez
Em Portugal recomenda-se que o casal procure ajuda especializada, se não tiver havido gravidez
• Ao fim de 2 anos
• Ao fim de 1 ano, se a mulher tiver mais de 30 anos
3. A infertilidade é uma situação frequente?
Calcula-se que cerca de 20% da população total tenha algum tipo de infertilidade. Esta taxa é maior em países menos desenvolvidos, em que a existência de doenças com consequências negativas ao nível do aparelho reprodutivo e à falta de recursos em termos de saúde para controlar estes problemas fazem com que uma proporção considerável da população possa ser infértil.
4. Quais as causas da infertilidade?
No homem os problemas de infertilidade podem estar relacionados com uma produção de espermatozóides de fraca qualidade ou a problemas antigos nos testículos, afectando os espermatozóides.
Na mulher, alguns dos factores que podem levar à infertilidade são a ausência da ovulação (anovulação) ou uma ovulação pouco frequente, o stress acumulado ou disfunções hormonais podem estar na origem do problema.
O útero e as trompas podem ser igualmente um dos motivos de infertilidade. Eventuais tumores nos ovários, bem como a obstrução das trompas são outras das causas de infertilidade. O muco cervical, responsável pela sobrevivência dos espermatozóides, pode não estar nas melhores condições e provocar a morte destes. Após o tratamento e tratando-se de um problema infecção, as probabilidades de engravidar são amplas. Os períodos menstruais longos, dolorosos e irregulares podem revelar uma possível existência de tecido uterino na cavidade cervical.
Deve-se também tomar em consideração que a fertilidade pode ser afectada / diminuida, em termos individuais, por diversos factores, como sejam a alimentação, o estado de saúde geral ou, no caso da mulher, o facto de se estar a amamentar. Existem também diversas doenças que podem provocar a infertilidade. É o caso de diversas infecções sexualmente transmissíveis, como sejam a sífilis, a gonorreia ou a clamídia, caso não sejam tratadas a tempo. Operações cirúrgicas nas quais sejam extraídos ambos os ovários (ovariotomia) ou o útero (histerectomia) à mulher, ou ambos os testículos aos homens provocarão a infertilidade.
A infertilidade pode ter origem na mulher, no homem, ou em ambos. Acredita-se que cerca de um terço dos casos esteja relacionado com factores masculinos, outro terço com factores femininos e que o restante terço esteja relacionado com algum tipo de incompatibilidade biológica que exista entre ambos os elementos do casal.
5. O que fazer?
Caso um casal esteja a tentar ter filhos e não consiga, é aconselhável que procure ajuda médica ao fim de dois anos, se a mulher tiver menos de 30 anos, e ao fim de um ano se ela já tiver ultrapassado essa idade. Existem actualmente diversas técnicas disponíveis para o tratamento da infertilidade que possibilitam que casais com situações de infertilidade possam ter filhos. No entanto, o primeiro passo a dar é proceder a exames, de modo a determinar as causas desse problema.
É importante que ambos os elementos do casal sejam examinados, de forma a que se possa escolher o tratamento mais adequado à situação. Em cerca de 10% dos casos não é possível determinar as causas da infertilidade. Mesmo nesses casos é ainda possível uma intervenção.
6. Há muitos casais infertéis?
Calcula-se que 15 a 20% dos casais são inférteis:
– Em 40 % das situações a causa é Feminina
– Em 40% das situações a causa é Mascullina
– Em 20% das situações a causa é Mista ou Desconhecida
7. Infertilidade em Portugal
Em Portugal, estima-se que haja cerca de 500 mil casais inférteis, o que significa que existe um milhão de pessoas que não conseguem ter filhos. Este número representa 10% da população total portuguesa. E a tendência é ainda para aumentar mais.
«É uma verdadeira doença que se encontra em ascensão de frequência», alerta o Prof. João Silva Carvalho, da Faculdade de Medicina do Porto, referindo que os cálculos são de dez mil novos casos por ano. Isso significa que a incidência da infertilidade andará por volta dos 10 a 15%, o mesmo que a média europeia.
Hoje em dia, as razões tanto se devem a problemas masculinos como femininos. São problemas do casal. Para o homem as coisas parecem ser mais simples. Devido a alterações ambientais, regras alimentares, profissões, consumo de tabaco, de álcool, cada vez existem mais homens com espermatozóides de «má qualidade». Um factor em que a idade não tem influência significativa. Nas mulheres, a principal razão para a sua esterilidade é o avanço da idade em que têm o primeiro filho. «Se até aos 35 anos a probabilidade da mulher engravidar em cada mês é de 20 a 25%, a partir dos 35 isso começa a baixar brutalmente em cada período, de tal maneira que aos 38/39 anos a probabilidade é de 10%», diz João Silva Carvalho.
Para João Silva Carvalho, o apoio aos casos inférteis tem de passar por dois vectores: por um lado, deveriam existir maiores incentivos para os casais terem filhos mais cedo, como benefícios fiscais, mais facilidades na compra de habitação, etc.; por outro lado, as técnicas e medicamentos para tratar a esterilidade deverão ser mais comparticipados pelo Estado, de modo a ser menos oneroso para o casal.
8. Quais os tratamentos disponíveis?
Alguns dos tratamentos disponíveis são efectuados através da medicação, da cirurgia, ou, então, através de técnicas laboratoriais, como sejam a fertilização in vitro ou a inseminação intra-uterina, entre outras. As taxas de sucesso para estes tratamentos variam de acordo com a técnica utilizada e de acordo com algumas outras condições, tais como a duração da infertilidade anterior ao início do tratamento.
9. Que alternativas existem?
Caso não seja possível a gravidez, resta sempre ao casal a possibilidade da adopção, que pode constituir a alternativa mais viável à parentalidade biológica
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