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Dossier Diabetes: Controle-a, sff!

Diabetes mellitus é o seu nome científico, um nome com sabor a mel, a evocar a ligação íntima ao açúcar que caracteriza esta doença. Mas apenas o nome é doce, porque a doença, se não controlada, pode ter consequências muito amargas.

Foi a 14 de Novembro que se evocou, a diabetes, uma doença crónica que afecta mais de meio milhão de portugueses mas que tem tendência a aumentar em consequência de um estilo de vida pouco saudável. Apesar de ser para sempre, a diabetes controla-se e, se controlada, permite uma esperança e qualidade de vida normais.

No mês em que, mais uma vez, se chama a atenção para a importância de prevenir e tratar a diabetes, Farmácia Saúde deixa as respostas às perguntas essenciais sobre a doença. Porque o conhecimento alimenta comportamentos mais correctos:

 

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença do sistema endócrino: envolve uma glândula – o pâncreas – e uma hormona – a insulina. O que está em causa é a forma como o organismo utiliza a glucose, açúcar produzido e armazenado pelo fígado mas também fornecido pelos alimentos e que constitui a principal fonte de energia do corpo humano.

Numa pessoa saudável, após cada refeição, o organismo decompõe os diversos nutrientes, que são absorvidos pelos intestinos e daí libertados para a corrente sanguínea.

O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave.

À medida que a insulina circula vai diminuindo a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), o que, por sua vez, faz diminuir a actividade do pâncreas.

Mas sem insulina, ou com insulina em quantidade insuficiente, a glucose permanece no sangue – e níveis de açúcar mais elevados do que o normal podem abrir caminho a um vasto conjunto de problemas de saúde. É o que acontece com a diabetes.

 

Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário – concebido para proteger o organismo de bactérias e vírus – ataca as células produtoras de insulina, no pâncreas, destruindo-as. O resultado é pouca ou nenhuma insulina para actuar sobre a glucose, o que faz com que ela se acumule no sangue. Também designada como diabetes insulinodependente, pode ocorrer em qualquer idade, mas surge tipicamente na infância e adolescência.

Bastante mais comum – correspondente à grande maioria dos casos – a diabetes do tipo 2 prende-se com a forma como o organismo metaboliza a glucose. Assim, em vez de penetrar nas células, a glucose mantém-se na corrente sanguínea, por uma de duas razões: ou o pâncreas produz pouca insulina ou as células se tornam resistentes a esta hormona.

[Continua na página seguinte]

Quais são os principais factores de risco?

Em relação à diabetes tipo 1, não se pode falar propriamente em factores de risco. Não se conhecem ainda os mecanismos que estão por detrás da disfunção do sistema imunitário, tudo apontando para a influência de factores genéticos e a exposição a determinados vírus.

Já na diabetes tipo 2, estão identificados alguns factores de risco, com destaque para o excesso de peso e obesidade e para a inactividade. Está provado que quanto mais tecido adiposo se tem – sobretudo abdominal – mais as células se tornam resistentes à insulina.

O que se agrava num quadro de sedentarismo: é que o exercício físico ajuda a controlar o peso, na medida em que há um maior gasto de energia (logo uma maior utilização da glucose, o que torna as células mais sensíveis à insulina).

As mulheres apresentam um risco muito particular: as que tiveram diabetes gestacional ou deram à luz filhos com quatro ou mais quilos têm uma maior probabilidade de desenvolver diabetes.

Ter antecedentes familiares também aumenta o risco, o mesmo acontecendo com a idade: a incidência da diabetes tipo 2 aumenta à medida que os anos passam, embora esteja a aumentar significativamente entre as crianças e os adultos jovens. Uma influência nefasta de um estilo de vida em que predominam escolhas pouco saudáveis.

 

Quais os principais sintomas?

Os sintomas são comuns aos dois tipos: quando a glucose sobe para valores acima dos normais, o resultado pode ser aumento da quantidade de urina e da sede, sensação de fome, perda de peso rápida, fadiga e problemas de visão (como se estivesse nublada). A diabetes do tipo 2 também pode ser denunciada pela dificuldade em cicatrizar feridas e por infecções frequentes. Nem todas as pessoas apresentam estas manifestações, mas na sua presença deve consultar-se um médico.

 

Como se diagnostica a doença?

O diagnóstico passa essencialmente pela realização de testes sanguíneos, de modo a medir os níveis de açúcar no sangue – glicemia. Outros testes mais específicos permitem identificar qual o tipo de diabetes, a partir daí se definindo o tratamento.

 

Como se trata?

O objectivo do tratamento é manter a glicemia o mais próximo do normal possível e reduzir o risco das complicações associadas. O que passa por uma aliança entre a vigilância dos níveis de açúcar no sangue, uma alimentação saudável, actividade física regular, manutenção ou redução do peso, bem como por medidas farmacológicas.

No que respeita aos medicamentos, existem dois tipos: os antidiabéticos orais e a insulina. Os primeiros são utilizados apenas no tratamento da diabetes tipo 2, existindo várias alternativas que podem ser administradas isoladamente ou combinadas.

[Continua na página seguinte]

Já a insulina constitui o único tratamento para a diabetes tipo 1 – dela depende mesmo a sobrevivência dos doentes -, mas é também utilizada no tipo 2, quando os medicamentos orais não conseguem controlar a glicemia.

 

Quais os valores de glicemia considerados normais?

Os valores podem oscilar em função de cada caso, mas, de uma forma geral, considera-se normal uma glicemia inferior a 110 mg de açúcar por decilitro de sangue se a medição for efectuada em jejum. Se for efectuada uma a duas horas após as refeições o limite é 145 mg/dl.

 

A diabetes tem cura?

A diabetes não tem cura. É uma doença crónica, o que significa que é para a vida. Contudo, pode – e deve – ser controlada, o que significa respeitar a terapêutica e realizar, com regularidade, o teste de glicemia de modo a verificar se os medicamentos estão ou não a fazer efeito.

 

Quais são as suas complicações?

Se não for tratada e controlada devidamente, a diabetes pode constituir uma séria ameaça para a vida. Algumas complicações são de curto prazo, mas requerem cuidados imediatos. É o que se verifica com a hipoglicemia: os níveis de açúcar no sangue baixam causando suores, tremores, fraqueza, tonturas e náuseas.

O contrário – níveis de açúcar elevados (hiperglicemia) dá origem a sintomas como vontade acrescida de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada e fadiga.

Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a “atacar” a gordura armazenada para obter energia. Manifesta-se através sede execessiva, perda de apetite, náuseas, vómitos, dores abdominais e um hálito com odor doce e frutado.

A prazo são outros os riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito), acidente vascular cerebral e aterosclerose.

Quanto aos nervos, as principais vítimas são os capilares que os irrigam, cujas paredes vão sendo destruídas pele circulação de sangue com açúcar a mais, acabando por causar lesão no nervo. Os efeitos começam por se notar nos dedos dos pés e das mãos, com formigueiro e dormência, sensação de queimadura e dor. Sem tratamento, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição – pode ser a perda de sensibilidade.

[Continua na página seguinte]

Já nos rins o impacto da diabetes verifica-se na rede de capilares que funcionam como filtro dos resíduos tóxicos, com risco de insuficiência renal. E nos olhos são também afectados os capilares da retina – retinopatia diabética -, sendo na idade adulta uma causa comum de cegueira.

Particularmente vulneráveis são os pés, devido aos danos causados nos vasos sanguíneos: cortes e feridas podem abrir caminho a infecções sérias, causa frequente de amputação.

As infecções espreitam igualmente a pele, que se torna mais susceptível à acção de fungos e bactérias. Do mesmo modo os ossos vão sendo fragilizados, perdendo densidade e conduzindo, na idade adulta, a um risco acrescido de osteoporose.

 

A intervenção farmacêutica na diabetes

A intervenção farmacêutica na diabetes pode gerar uma poupança de 274 milhões de euros, correspondente a 2,3 por cento do orçamento da saúde. A avaliação é da Espírito Santo Research Sectorial (ESRS), que, em colaboração com o Centro de Estudos de Avaliação em Saúde (CEFAR), avaliou o impacto económico da intervenção continuada das farmácias na diabetes a partir da campanha “Controlar a Diabetes está na Sua Mão”, realizada em 2007 nas farmácias.

Para tal, os investigadores estimaram a poupança directa e indirecta gerada com a intervenção continuada das farmácias na campanha e projectaram esse valor para um cenário de intervenção alargada a toda a população de diabéticos do país, estimada em 795 mil pessoas.

A investigação baseou-se nos resultados da campanha “Controlar a diabetes está na sua mão” para fazer a estimativa do que poderia ser poupado em 2010, com uma intervenção correspondente.

A ser repetida em 2010, esta intervenção continuada, despoletada por uma campanha, pode gerar uma poupança de quatro milhões de euros para a sociedade, repartidos entre 2,7 milhões em custos directos, para o Estado e doentes e 1,3 milhões indirectos.

 

Vigiar-se a si próprio

A autovigilância é fundamental para manter a diabetes sobre controlo e passa por conhecer e, se necessário, intervir sobre os valores de:

Glicemia – trata-se da quantidade de açúcar no sangue: o doente deve medi-la regularmente, registando os resultados, interpretando-os de acordo com os valores definidos pelo médico e, se necessário, adaptando o tratamento; o teste faz-se com recurso a tiras e aparelhos específicos;

Glicosúria – consiste na presença de açúcar na urina, que acontece quando a glicemia sobe para valores acima dos 160-180 mg/dl; o respectivo teste faz-se com recurso a tiras próprias e seguindo as instruções da embalagem;

Cetonúria – trata-se da presença no sangue e na urina de acetona, substância que pode ser perigosa; para detectá-la existem tiras próprias, a utilizar conforme instruções da embalagem;

Peso – manter o peso correcto é indispensável para controlar a diabetes e para a saúde em geral; deve pesar-se à mesma hora, com a mesma balança e com o mesmo tipo de roupa, de preferência ao deitar e depois de urinar;

Pressão arterial – valores abaixo de 130/80 mmHg ajudam a prevenir as complicações da diabetes.

O cumprimento da terapêutica e a prática de uma alimentação equilibrada e de exercício físico são os outros ingredientes desta “receita” saudável.

Foi a 14 de Novembro que se evocou, a diabetes, uma doença crónica que afecta mais de meio milhão de portugueses mas que tem tendência a aumentar em consequência de um estilo de vida pouco saudável. Apesar de ser para sempre, a diabetes controla-se e, se controlada, permite uma esperança e qualidade de vida normais.

No mês em que, mais uma vez, se chama a atenção para a importância de prevenir e tratar a diabetes, Farmácia Saúde deixa as respostas às perguntas essenciais sobre a doença. Porque o conhecimento alimenta comportamentos mais correctos:

 

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença do sistema endócrino: envolve uma glândula – o pâncreas – e uma hormona – a insulina. O que está em causa é a forma como o organismo utiliza a glucose, açúcar produzido e armazenado pelo fígado mas também fornecido pelos alimentos e que constitui a principal fonte de energia do corpo humano.

Numa pessoa saudável, após cada refeição, o organismo decompõe os diversos nutrientes, que são absorvidos pelos intestinos e daí libertados para a corrente sanguínea.

O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave.

À medida que a insulina circula vai diminuindo a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), o que, por sua vez, faz diminuir a actividade do pâncreas.

Mas sem insulina, ou com insulina em quantidade insuficiente, a glucose permanece no sangue – e níveis de açúcar mais elevados do que o normal podem abrir caminho a um vasto conjunto de problemas de saúde. É o que acontece com a diabetes.

 

Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário – concebido para proteger o organismo de bactérias e vírus – ataca as células produtoras de insulina, no pâncreas, destruindo-as. O resultado é pouca ou nenhuma insulina para actuar sobre a glucose, o que faz com que ela se acumule no sangue. Também designada como diabetes insulinodependente, pode ocorrer em qualquer idade, mas surge tipicamente na infância e adolescência.

Bastante mais comum – correspondente à grande maioria dos casos – a diabetes do tipo 2 prende-se com a forma como o organismo metaboliza a glucose. Assim, em vez de penetrar nas células, a glucose mantém-se na corrente sanguínea, por uma de duas razões: ou o pâncreas produz pouca insulina ou as células se tornam resistentes a esta hormona.

[Continua na página seguinte]

Quais são os principais factores de risco?

Em relação à diabetes tipo 1, não se pode falar propriamente em factores de risco. Não se conhecem ainda os mecanismos que estão por detrás da disfunção do sistema imunitário, tudo apontando para a influência de factores genéticos e a exposição a determinados vírus.

Já na diabetes tipo 2, estão identificados alguns factores de risco, com destaque para o excesso de peso e obesidade e para a inactividade. Está provado que quanto mais tecido adiposo se tem – sobretudo abdominal – mais as células se tornam resistentes à insulina.

O que se agrava num quadro de sedentarismo: é que o exercício físico ajuda a controlar o peso, na medida em que há um maior gasto de energia (logo uma maior utilização da glucose, o que torna as células mais sensíveis à insulina).

As mulheres apresentam um risco muito particular: as que tiveram diabetes gestacional ou deram à luz filhos com quatro ou mais quilos têm uma maior probabilidade de desenvolver diabetes.

Ter antecedentes familiares também aumenta o risco, o mesmo acontecendo com a idade: a incidência da diabetes tipo 2 aumenta à medida que os anos passam, embora esteja a aumentar significativamente entre as crianças e os adultos jovens. Uma influência nefasta de um estilo de vida em que predominam escolhas pouco saudáveis.

 

Quais os principais sintomas?

Os sintomas são comuns aos dois tipos: quando a glucose sobe para valores acima dos normais, o resultado pode ser aumento da quantidade de urina e da sede, sensação de fome, perda de peso rápida, fadiga e problemas de visão (como se estivesse nublada). A diabetes do tipo 2 também pode ser denunciada pela dificuldade em cicatrizar feridas e por infecções frequentes. Nem todas as pessoas apresentam estas manifestações, mas na sua presença deve consultar-se um médico.

 

Como se diagnostica a doença?

O diagnóstico passa essencialmente pela realização de testes sanguíneos, de modo a medir os níveis de açúcar no sangue – glicemia. Outros testes mais específicos permitem identificar qual o tipo de diabetes, a partir daí se definindo o tratamento.

 

Como se trata?

O objectivo do tratamento é manter a glicemia o mais próximo do normal possível e reduzir o risco das complicações associadas. O que passa por uma aliança entre a vigilância dos níveis de açúcar no sangue, uma alimentação saudável, actividade física regular, manutenção ou redução do peso, bem como por medidas farmacológicas.

No que respeita aos medicamentos, existem dois tipos: os antidiabéticos orais e a insulina. Os primeiros são utilizados apenas no tratamento da diabetes tipo 2, existindo várias alternativas que podem ser administradas isoladamente ou combinadas.

[Continua na página seguinte]

Já a insulina constitui o único tratamento para a diabetes tipo 1 – dela depende mesmo a sobrevivência dos doentes -, mas é também utilizada no tipo 2, quando os medicamentos orais não conseguem controlar a glicemia.

 

Quais os valores de glicemia considerados normais?

Os valores podem oscilar em função de cada caso, mas, de uma forma geral, considera-se normal uma glicemia inferior a 110 mg de açúcar por decilitro de sangue se a medição for efectuada em jejum. Se for efectuada uma a duas horas após as refeições o limite é 145 mg/dl.

 

A diabetes tem cura?

A diabetes não tem cura. É uma doença crónica, o que significa que é para a vida. Contudo, pode – e deve – ser controlada, o que significa respeitar a terapêutica e realizar, com regularidade, o teste de glicemia de modo a verificar se os medicamentos estão ou não a fazer efeito.

 

Quais são as suas complicações?

Se não for tratada e controlada devidamente, a diabetes pode constituir uma séria ameaça para a vida. Algumas complicações são de curto prazo, mas requerem cuidados imediatos. É o que se verifica com a hipoglicemia: os níveis de açúcar no sangue baixam causando suores, tremores, fraqueza, tonturas e náuseas.

O contrário – níveis de açúcar elevados (hiperglicemia) dá origem a sintomas como vontade acrescida de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada e fadiga.

Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a “atacar” a gordura armazenada para obter energia. Manifesta-se através sede execessiva, perda de apetite, náuseas, vómitos, dores abdominais e um hálito com odor doce e frutado.

A prazo são outros os riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito), acidente vascular cerebral e aterosclerose.

Quanto aos nervos, as principais vítimas são os capilares que os irrigam, cujas paredes vão sendo destruídas pele circulação de sangue com açúcar a mais, acabando por causar lesão no nervo. Os efeitos começam por se notar nos dedos dos pés e das mãos, com formigueiro e dormência, sensação de queimadura e dor. Sem tratamento, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição – pode ser a perda de sensibilidade.

[Continua na página seguinte]

Já nos rins o impacto da diabetes verifica-se na rede de capilares que funcionam como filtro dos resíduos tóxicos, com risco de insuficiência renal. E nos olhos são também afectados os capilares da retinaretinopatia diabética -, sendo na idade adulta uma causa comum de cegueira.

Particularmente vulneráveis são os pés, devido aos danos causados nos vasos sanguíneos: cortes e feridas podem abrir caminho a infecções sérias, causa frequente de amputação.

As infecções espreitam igualmente a pele, que se torna mais susceptível à acção de fungos e bactérias. Do mesmo modo os ossos vão sendo fragilizados, perdendo densidade e conduzindo, na idade adulta, a um risco acrescido de osteoporose.

 

A intervenção farmacêutica na diabetes

A intervenção farmacêutica na diabetes pode gerar uma poupança de 274 milhões de euros, correspondente a 2,3 por cento do orçamento da saúde. A avaliação é da Espírito Santo Research Sectorial (ESRS), que, em colaboração com o Centro de Estudos de Avaliação em Saúde (CEFAR), avaliou o impacto económico da intervenção continuada das farmácias na diabetes a partir da campanha “Controlar a Diabetes está na Sua Mão”, realizada em 2007 nas farmácias.

Para tal, os investigadores estimaram a poupança directa e indirecta gerada com a intervenção continuada das farmácias na campanha e projectaram esse valor para um cenário de intervenção alargada a toda a população de diabéticos do país, estimada em 795 mil pessoas.

A investigação baseou-se nos resultados da campanha “Controlar a diabetes está na sua mão” para fazer a estimativa do que poderia ser poupado em 2010, com uma intervenção correspondente.

A ser repetida em 2010, esta intervenção continuada, despoletada por uma campanha, pode gerar uma poupança de quatro milhões de euros para a sociedade, repartidos entre 2,7 milhões em custos directos, para o Estado e doentes e 1,3 milhões indirectos.

 

Vigiar-se a si próprio

A autovigilância é fundamental para manter a diabetes sobre controlo e passa por conhecer e, se necessário, intervir sobre os valores de:

Glicemia – trata-se da quantidade de açúcar no sangue: o doente deve medi-la regularmente, registando os resultados, interpretando-os de acordo com os valores definidos pelo médico e, se necessário, adaptando o tratamento; o teste faz-se com recurso a tiras e aparelhos específicos;

Glicosúria – consiste na presença de açúcar na urina, que acontece quando a glicemia sobe para valores acima dos 160-180 mg/dl; o respectivo teste faz-se com recurso a tiras próprias e seguindo as instruções da embalagem;

Cetonúria – trata-se da presença no sangue e na urina de acetona, substância que pode ser perigosa; para detectá-la existem tiras próprias, a utilizar conforme instruções da embalagem;

Peso – manter o peso correcto é indispensável para controlar a diabetes e para a saúde em geral; deve pesar-se à mesma hora, com a mesma balança e com o mesmo tipo de roupa, de preferência ao deitar e depois de urinar;

Pressão arterial – valores abaixo de 130/80 mmHg ajudam a prevenir as complicações da diabetes.

O cumprimento da terapêutica e a prática de uma alimentação equilibrada e de exercício físico são os outros ingredientes desta “receita” saudável.

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