A diabetes é uma perturbação/doença em que os valores sanguíneos de glicose (açúcar simples) são anormalmente elevados, dado que o organismo não liberta insulina ou utiliza-a inadequadamente.
As concentrações de açúcar no sangue variam durante o dia. Aumentam depois de cada refeição, recuperando-se depois os valores normais.
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, sendo a principal substância responsável pela manutenção dos valores adequados de açúcar no sangue. A elevação das concentrações de açúcar no sangue depois de comer estimula o pâncreas para produzir a insulina, a qual evita um maior aumento dos valores de açúcar e provoca a sua descida gradual. Na diabetes este mecanismo de compensação não funciona.
A diabetes é uma situação muito frequente na nossa sociedade e a sua frequência aumenta muito com a idade, atingindo os dois sexos. Em Portugal, calcula-se que existam entre 400 a 500 mil diabéticos.
Causas
A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização do nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glucose no nosso aparelho digestivo. Resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem.
Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina.
A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) que existe na diabetes, deve-se em alguns casos à insuficiente produção; noutros à insuficiente acção da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois factores.
Se a glucose não for utilizada, acumula-se no sangue (hiperglicemia) sendo depois, expelida pela urina.
A insulina é produzida nas células ß dos ilhéus de Langerhans do pâncreas. O pâncreas é um órgão que está junto ao estômago e fabrica muitas substâncias, entre elas a insulina. A insulina é fundamental para a vida. A sua falta ou a insuficiência da sua acção leva a alterações muito importantes no aproveitamento dos açúcares, das gorduras e das proteínas que são a base de toda a nossa alimentação e constituem as fontes de energia do nosso organismo.
Existem vários tipos de diabetes mas, de longe, a mais frequente (90% dos casos) é a chamada Diabetes Tipo 2.
O que é a Diabetes de Tipo 1
A diabetes tipo 1, também conhecida como diabetes insulino-dependente é mais rara (a sua forma juvenil não chega a 10% do total) e atinge na maioria das vezes crianças ou jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos. Na diabetes do tipo 1, as células ß do pâncreas deixam de produzir insulina pois existe uma destruição maciça destas células produtoras de insulina. As causas da diabetes tipo 1 não são, ainda, plenamente conhecidas. Contudo, sabe-se que é o próprio sistema de defesa do organismo (sistema imunitário) do diabético que ataca e destrói as suas células b.
Estes diabéticos necessitam de terapêutica com insulina para toda a vida porque o pâncreas deixa de a poder fabricar. A causa desta diabetes do tipo 1 é, pois, a falta de insulina e não está directamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na diabetes tipo 2.
O que é a Diabetes de Tipo 2?
A diabetes tipo 2 também conhecida como diabetes não-insulino dependente, ocorre em indivíduos que herdaram uma tendência para a diabetes (têm, frequentemente, um familiar próximo com a doença: pais, tios, ou avós) e que, devido a hábitos de vida e de alimentação errados e por vezes ao “stress”, vêm a sofrer de diabetes quando adultos. Quase sempre têm peso excessivo e em alguns casos são mesmo obesos, sobretudo “têm barriga”. Fazem pouco exercício físico e consomem calorias em doces e/ou gorduras em excesso, para aquilo que o organismo gasta na actividade física. Têm, com frequência, a tensão arterial elevada (hipertensão arterial) e por vezes “gorduras” (colesterol ou triglicéridos) a mais no sangue (hiperlipidemia).
Na diabetes tipo 2 o pâncreas é capaz de produzir insulina. Contudo, a alimentação incorrecta e a vida sedentária, com pouco ou nenhum exercício físico, tornam o organismo resistente à acção da insulina (insulino-resistência), obrigando o pâncreas a trabalhar mais (e mais), até que a insulina que produz deixa de ser suficiente. Nessa altura surge a diabetes.
O excesso de peso e a obesidade estão intimamente relacionados com a diabetes. A redução do peso contribui, nestas situações, de uma forma muito sensível para o controlo da glicémia. Mesmo uma pequena diminuição do peso tem reflexos benéficos na glicémia.
As pessoas com diabetes tipo 2 têm frequentemente insulino-resistência. O excesso de gordura, sobretudo abdominal, contribui para esta insulino-resistência e, consequentemente, para o aumento da glicémia.
A diabetes que aparece na gravidez:
Diabetes Gestacional
Existe, ainda, a diabetes que ocorre durante a gravidez: a diabetes gestacional. Esta forma surge em grávidas que não eram diabéticas antes da gravidez e, habitualmente, desaparece quando esta termina.
Contudo, quase metade destas grávidas diabéticas virão a ser, mais tarde, diabéticas do tipo 2 se não forem tomadas medidas de prevenção.
A diabetes gestacional ocorre em cerca de 1 em cada 20 grávidas e, se não for detectada através de análises e a hiperglicemia corrigida com dieta e, por vezes com insulina, a gravidez pode complicar-se para a mãe e para a criança. São vulgares os bebés com mais de 4Kg à nascença e a necessidade de cesariana na altura do parto. Podem, por exemplo ocorrer abortos espontâneos.
Outros tipos de diabetes
Existem outros tipos de diabetes que não tipo 1 ou 2. Por exemplo a diabetes tipo MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young) que afecta adultos jovens mas também adolescentes e crianças. Apresentam-se com características de diabetes tipo 2 e são causadas por uma mutação genética que leva a uma alteração da tolerância à glucose. São situações muito raras.
Outras causas de diabetes
Há outras causas bastante mais raras de diabetes como por exemplo, doenças do pâncreas como alguns tumores e a pancreatite provocada pelo álcool.
Quais os sintomas?
Quando a glicemia é muito elevada, podem existir sintomas típicos, tais como:
» Urinar em grande quantidade e mais vezes – Poliúria;
» Sede constante e intensa – Polidípsia;
» Fome constante e difícil de saciar – Polifagia;
» Sensação de boca seca – Xerostomia;
» Fadiga;
» Comichão (prurido) no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais);
» Visão turva.
Sintomas na criança e no jovem
Quase sempre na criança e nos jovens a diabetes é do tipo 1 e aparece de maneira súbita e os sintomas são muito nítidos, nomeadamente:
» Urinar muito (por vezes, pode voltar a urinar na cama);
» Ter muita sede;
» Emagrecer rapidamente;
» Grande fadiga com dores musculares;
» “Comer muito sem nada aproveitar”;
» Dores de cabeça, náuseas e vómitos.
Quaisquer dos outros sintomas já atrás referidos podem também estar presentes.
Perante estes sintomas, o diagnóstico de diabetes deve ser rápido, seguido do início do tratamento com insulina pois, se o não fizer, o diabético entra em Coma Diabético e corre perigo de vida.
Sintomas no adulto
A grande maioria dos diabéticos adultos após os 35 anos são do tipo 2. No adulto é habitual a Diabetes não dar sintomas no seu início e, por isso, pode passar despercebida durante anos. O sintomas só aparecem quando a glicémia está muito elevada e, habitualmente, de modo mais lento que na criança ou jovem.
Contudo, o açúcar elevado vai provocando os seus estragos mesmo sem se dar por isso. E é essa a razão pela qual, às vezes, já podem existir complicações (nos olhos, por exemplo) quando se descobre a diabetes.
Uma pessoa pode ter uma Diabetes, impropriamente chamada, “ligeira”, a qual só é descoberta ao realizar uma análise de sangue ou ao apresentar alguns dos sintomas pouco marcados já referidos e que levam à suspeita do diagnóstico.
Quem está em risco de se tornar diabético
A Diabetes tem vindo a aumentar assustadoramente. É uma doença em expansão nos países em desenvolvimento que atinge cada vez mais pessoas e cada vez mais em idades mais jovens. Sabe-se, contudo, que têm mais probabilidade de virem a ser diabéticos.
Factores de Risco:
» As pessoas que têm familiares com diabetes;
» Os obesos ou todos os que se deixam engordar, sobretudo na “barriga”;
» Quem tem a tensão arterial alta ou níveis elevados no sangue de colesterol;
» As mulheres que tiverem diabetes na gravidez ou filhos com um peso à nascença igual ou superior a 4 kgs.;
» Os doentes com doenças do pâncreas ou doenças endócrinas.
Como diagnosticar a diabetes
O diagnóstico é feito através dos sintomas que a pessoa manifesta e é confirmado com análises de sangue. Outras vezes, podem não existir sintomas e o diagnóstico ser feito em exames realizados por outra causa.
Os sintomas relacionados com o excesso de açúcar no sangue aparecem, na diabetes tipo 2, de forma gradual e quase sempre lentamente. Por isso, o início da diabetes tipo 2 é muitas vezes difícil de precisar.
Os sintomas mais frequentes são a fadiga, poliuria (urinar muito e com mais frequência) e sede excessiva. Muitas vezes o doente não apresenta estes sintomas (ou dá-lhes pouca importância) e o diagnóstico é feito por análises de rotina.
Nas análises encontramos uma quantidade de açúcar no sangue aumentada (hiperglicemia) e aparece açúcar na urina (glicosúria).
Pode ser diabético:
» Se tiver uma glicémia ocasional de 200 mg/dl ou superior com sintomas;
» Se tiver uma glicémia em jejum (8 horas) de 126 mg/dl ou superior em duas ocasiões separadas num curto espaço de tempo.
Para medir a concentração de açúcar no sangue obtém-se uma amostra de sangue do doente, que deverá estar em jejum pelo menos 8 horas antes do exame, podendo-se também obter depois de comer. É normal um certo grau de elevação dos valores do açúcar no sangue depois de comer, mas mesmo então os valores não deverão ser muito elevados.
Há outro tipo de análise ao sangue, chamado Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO), que se realiza em certos casos, como quando se suspeita que uma mulher grávida tem diabetes gestacional. Nesta prova obtém-se uma amostra de sangue em jejum para medir o valor de açúcar e fornece-se ao doente uma solução especial para beber, a qual contém uma quantidade normalizada de glicose. Durante as duas ou três horas seguintes colhem-se várias amostras de sangue e medem-se os valores de glicose no sangue.
Formas de prevenção
A melhor maneira de prevenir a diabetes, é ter um estilo de vida saudável. Fazer uma dieta equilibrada, não aumentar de peso e praticar exercício regularmente. No caso do doente diabético, a educação é a melhor forma de prevenção.
A diabetes é uma situação perpétua, dinâmica e variável. Assim, o diabético tem de conhecer a sua doença: causas, efeitos e riscos – imediatos e a longo prazo.
A educação tem por objectivo treinar alguém na prática de um novo comportamento até que este se torne habitual, isto é, até à criação do hábito. Tem de ser adaptada à situação clínica e ao diabético a quem se dirige (grávida, idoso, etc.).
Os grandes eixos da educação do diabético reportam-se à alimentação (correcto regime alimentar), à autovigilância (peso, glicemias diárias, auto-observação dos pés, etc.), à higiene corporal (cuidados com as unhas, com o calçado, etc.), à tomada de consciência para os sinais de alarme das complicações agudas (hipoglicemia, acidose diabética) e forma de actuar, e à gestão da medicação.
Mitos e Realidades
1. O objectivo principal da dieta do diabético é não comer açúcar!
Não é verdade! A restrição de ingerir açúcar ou açucarados é apenas uma parte da chamada «dieta do diabético».
2. A diabetes tipo 2 é uma doença menos grave que a diabetes tipo 1!
Não é verdade! A diabetes do tipo 2, se não for tratada como deve ser, constitui uma doença tão ou mais grave que a do tipo 1. O que leva à ideia errada de que a diabetes tipo 1 é mais grave, é o facto desta atingir com frequência crianças e jovens e da sua terapêutica estar associada à administração de insulina através de injecções!
3. A Diabetes é provocada pelo açúcar que se ingere!
É falso! Como se sabe, as causas da diabetes são outras, já anteriormente explicadas.
No entanto, o açúcar consumido em excesso pode contribuir para uma alimentação errada e para a obesidade, que por sua vez pode levar ao aparecimento da Diabetes tipo 2.
4. A diabetes do tipo 1 ocorre sempre em crianças e jovens e a Diabetes tipo 2 é exclusiva dos adultos!
Embora seja o habitual nem sempre assim se verifica. Com efeito, metade dos diabéticos adultos não-gordos são, na realidade, do tipo 1 e este tipo de diabetes ocorre, também, em idosos.
Por seu lado, em situações bastante raras de diabetes familiar ou, em casos de obesidade, a diabetes da criança ou do jovem pode ser do tipo 2.
5. A insulina tem de ser injectada nas veias!
A insulina é injectada no tecido subcutâneo através da pele da barriga, das coxas ou dos braços, preferencialmente.
Só em situações de urgência e no hospital, é que pode ser administrada nos músculos ou nas veias (em perfusão contínua).
6. Uma vez iniciada a insulina o corpo habitua-se e não mais se pode deixá-la!
Não é verdade! Este é um dos grandes receios dos diabéticos que necessitam de iniciar a insulina!
O que acontece é que se associa, por vezes, erradamente o conceito de insulino-dependencia com habituação. O diabético insulino-dependente é dependente da insulina porque necessita dela para sobreviver pois o seu corpo (o pâncreas) não a produz. Por outro lado, alguns diabéticos do tipo 2 podem necessitar de tratamento com insulina durante alguns períodos e depois retomar a medicação anterior com comprimidos (por exemplo: diabéticos do tipo 2 que necessitam de ser internados ou que adoecem com outras doenças que os impedem de se alimentar convenientemente ou, ainda aqueles a quem os comprimidos não parecem estar a resultar). As grávidas diabéticas necessitam, por vezes de insulina durante a gravidez e, só muito raramente vêm a necessitar dela fora da gravidez.
7. Já há insulina em comprimidos!
Não é verdade! Não existem outras formas eficazes de administração de insulina sem ser através de «picadas»: seringas, dispositivos tipo canetas ou bombas de infusão contínua.
As concentrações de açúcar no sangue variam durante o dia. Aumentam depois de cada refeição, recuperando-se depois os valores normais.
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, sendo a principal substância responsável pela manutenção dos valores adequados de açúcar no sangue. A elevação das concentrações de açúcar no sangue depois de comer estimula o pâncreas para produzir a insulina, a qual evita um maior aumento dos valores de açúcar e provoca a sua descida gradual. Na diabetes este mecanismo de compensação não funciona.
A diabetes é uma situação muito frequente na nossa sociedade e a sua frequência aumenta muito com a idade, atingindo os dois sexos. Em Portugal, calcula-se que existam entre 400 a 500 mil diabéticos.
Causas
A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização do nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glucose no nosso aparelho digestivo. Resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem.
Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina.
A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) que existe na diabetes, deve-se em alguns casos à insuficiente produção; noutros à insuficiente acção da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois factores.
Se a glucose não for utilizada, acumula-se no sangue (hiperglicemia) sendo depois, expelida pela urina.
A insulina é produzida nas células ß dos ilhéus de Langerhans do pâncreas. O pâncreas é um órgão que está junto ao estômago e fabrica muitas substâncias, entre elas a insulina. A insulina é fundamental para a vida. A sua falta ou a insuficiência da sua acção leva a alterações muito importantes no aproveitamento dos açúcares, das gorduras e das proteínas que são a base de toda a nossa alimentação e constituem as fontes de energia do nosso organismo.
Existem vários tipos de diabetes mas, de longe, a mais frequente (90% dos casos) é a chamada Diabetes Tipo 2.
O que é a Diabetes de Tipo 1
A diabetes tipo 1, também conhecida como diabetes insulino-dependente é mais rara (a sua forma juvenil não chega a 10% do total) e atinge na maioria das vezes crianças ou jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos. Na diabetes do tipo 1, as células ß do pâncreas deixam de produzir insulina pois existe uma destruição maciça destas células produtoras de insulina. As causas da diabetes tipo 1 não são, ainda, plenamente conhecidas. Contudo, sabe-se que é o próprio sistema de defesa do organismo (sistema imunitário) do diabético que ataca e destrói as suas células b.
Estes diabéticos necessitam de terapêutica com insulina para toda a vida porque o pâncreas deixa de a poder fabricar. A causa desta diabetes do tipo 1 é, pois, a falta de insulina e não está directamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na diabetes tipo 2.
O que é a Diabetes de Tipo 2?
A diabetes tipo 2 também conhecida como diabetes não-insulino dependente, ocorre em indivíduos que herdaram uma tendência para a diabetes (têm, frequentemente, um familiar próximo com a doença: pais, tios, ou avós) e que, devido a hábitos de vida e de alimentação errados e por vezes ao “stress”, vêm a sofrer de diabetes quando adultos. Quase sempre têm peso excessivo e em alguns casos são mesmo obesos, sobretudo “têm barriga”. Fazem pouco exercício físico e consomem calorias em doces e/ou gorduras em excesso, para aquilo que o organismo gasta na actividade física. Têm, com frequência, a tensão arterial elevada (hipertensão arterial) e por vezes “gorduras” (colesterol ou triglicéridos) a mais no sangue (hiperlipidemia).
Na diabetes tipo 2 o pâncreas é capaz de produzir insulina. Contudo, a alimentação incorrecta e a vida sedentária, com pouco ou nenhum exercício físico, tornam o organismo resistente à acção da insulina (insulino-resistência), obrigando o pâncreas a trabalhar mais (e mais), até que a insulina que produz deixa de ser suficiente. Nessa altura surge a diabetes.
O excesso de peso e a obesidade estão intimamente relacionados com a diabetes. A redução do peso contribui, nestas situações, de uma forma muito sensível para o controlo da glicémia. Mesmo uma pequena diminuição do peso tem reflexos benéficos na glicémia.
As pessoas com diabetes tipo 2 têm frequentemente insulino-resistência. O excesso de gordura, sobretudo abdominal, contribui para esta insulino-resistência e, consequentemente, para o aumento da glicémia.
A diabetes que aparece na gravidez:
Diabetes Gestacional
Existe, ainda, a diabetes que ocorre durante a gravidez: a diabetes gestacional. Esta forma surge em grávidas que não eram diabéticas antes da gravidez e, habitualmente, desaparece quando esta termina.
Contudo, quase metade destas grávidas diabéticas virão a ser, mais tarde, diabéticas do tipo 2 se não forem tomadas medidas de prevenção.
A diabetes gestacional ocorre em cerca de 1 em cada 20 grávidas e, se não for detectada através de análises e a hiperglicemia corrigida com dieta e, por vezes com insulina, a gravidez pode complicar-se para a mãe e para a criança. São vulgares os bebés com mais de 4Kg à nascença e a necessidade de cesariana na altura do parto. Podem, por exemplo ocorrer abortos espontâneos.
Outros tipos de diabetes
Existem outros tipos de diabetes que não tipo 1 ou 2. Por exemplo a diabetes tipo MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young) que afecta adultos jovens mas também adolescentes e crianças. Apresentam-se com características de diabetes tipo 2 e são causadas por uma mutação genética que leva a uma alteração da tolerância à glucose. São situações muito raras.
Outras causas de diabetes
Há outras causas bastante mais raras de diabetes como por exemplo, doenças do pâncreas como alguns tumores e a pancreatite provocada pelo álcool.
Quais os sintomas?
Quando a glicemia é muito elevada, podem existir sintomas típicos, tais como:
» Urinar em grande quantidade e mais vezes – Poliúria;
» Sede constante e intensa – Polidípsia;
» Fome constante e difícil de saciar – Polifagia;
» Sensação de boca seca – Xerostomia;
» Fadiga;
» Comichão (prurido) no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais);
» Visão turva.
Sintomas na criança e no jovem
Quase sempre na criança e nos jovens a diabetes é do tipo 1 e aparece de maneira súbita e os sintomas são muito nítidos, nomeadamente:
» Urinar muito (por vezes, pode voltar a urinar na cama);
» Ter muita sede;
» Emagrecer rapidamente;
» Grande fadiga com dores musculares;
» “Comer muito sem nada aproveitar”;
» Dores de cabeça, náuseas e vómitos.
Quaisquer dos outros sintomas já atrás referidos podem também estar presentes.
Perante estes sintomas, o diagnóstico de diabetes deve ser rápido, seguido do início do tratamento com insulina pois, se o não fizer, o diabético entra em Coma Diabético e corre perigo de vida.
Sintomas no adulto
A grande maioria dos diabéticos adultos após os 35 anos são do tipo 2. No adulto é habitual a Diabetes não dar sintomas no seu início e, por isso, pode passar despercebida durante anos. O sintomas só aparecem quando a glicémia está muito elevada e, habitualmente, de modo mais lento que na criança ou jovem.
Contudo, o açúcar elevado vai provocando os seus estragos mesmo sem se dar por isso. E é essa a razão pela qual, às vezes, já podem existir complicações (nos olhos, por exemplo) quando se descobre a diabetes.
Uma pessoa pode ter uma Diabetes, impropriamente chamada, “ligeira”, a qual só é descoberta ao realizar uma análise de sangue ou ao apresentar alguns dos sintomas pouco marcados já referidos e que levam à suspeita do diagnóstico.
Quem está em risco de se tornar diabético
A Diabetes tem vindo a aumentar assustadoramente. É uma doença em expansão nos países em desenvolvimento que atinge cada vez mais pessoas e cada vez mais em idades mais jovens. Sabe-se, contudo, que têm mais probabilidade de virem a ser diabéticos.
Factores de Risco:
» As pessoas que têm familiares com diabetes;
» Os obesos ou todos os que se deixam engordar, sobretudo na “barriga”;
» Quem tem a tensão arterial alta ou níveis elevados no sangue de colesterol;
» As mulheres que tiverem diabetes na gravidez ou filhos com um peso à nascença igual ou superior a 4 kgs.;
» Os doentes com doenças do pâncreas ou doenças endócrinas.
Como diagnosticar a diabetes
O diagnóstico é feito através dos sintomas que a pessoa manifesta e é confirmado com análises de sangue. Outras vezes, podem não existir sintomas e o diagnóstico ser feito em exames realizados por outra causa.
Os sintomas relacionados com o excesso de açúcar no sangue aparecem, na diabetes tipo 2, de forma gradual e quase sempre lentamente. Por isso, o início da diabetes tipo 2 é muitas vezes difícil de precisar.
Os sintomas mais frequentes são a fadiga, poliuria (urinar muito e com mais frequência) e sede excessiva. Muitas vezes o doente não apresenta estes sintomas (ou dá-lhes pouca importância) e o diagnóstico é feito por análises de rotina.
Nas análises encontramos uma quantidade de açúcar no sangue aumentada (hiperglicemia) e aparece açúcar na urina (glicosúria).
Pode ser diabético:
» Se tiver uma glicémia ocasional de 200 mg/dl ou superior com sintomas;
» Se tiver uma glicémia em jejum (8 horas) de 126 mg/dl ou superior em duas ocasiões separadas num curto espaço de tempo.
Para medir a concentração de açúcar no sangue obtém-se uma amostra de sangue do doente, que deverá estar em jejum pelo menos 8 horas antes do exame, podendo-se também obter depois de comer. É normal um certo grau de elevação dos valores do açúcar no sangue depois de comer, mas mesmo então os valores não deverão ser muito elevados.
Há outro tipo de análise ao sangue, chamado Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO), que se realiza em certos casos, como quando se suspeita que uma mulher grávida tem diabetes gestacional. Nesta prova obtém-se uma amostra de sangue em jejum para medir o valor de açúcar e fornece-se ao doente uma solução especial para beber, a qual contém uma quantidade normalizada de glicose. Durante as duas ou três horas seguintes colhem-se várias amostras de sangue e medem-se os valores de glicose no sangue.
Formas de prevenção
A melhor maneira de prevenir a diabetes, é ter um estilo de vida saudável. Fazer uma dieta equilibrada, não aumentar de peso e praticar exercício regularmente. No caso do doente diabético, a educação é a melhor forma de prevenção.
A diabetes é uma situação perpétua, dinâmica e variável. Assim, o diabético tem de conhecer a sua doença: causas, efeitos e riscos – imediatos e a longo prazo.
A educação tem por objectivo treinar alguém na prática de um novo comportamento até que este se torne habitual, isto é, até à criação do hábito. Tem de ser adaptada à situação clínica e ao diabético a quem se dirige (grávida, idoso, etc.).
Os grandes eixos da educação do diabético reportam-se à alimentação (correcto regime alimentar), à autovigilância (peso, glicemias diárias, auto-observação dos pés, etc.), à higiene corporal (cuidados com as unhas, com o calçado, etc.), à tomada de consciência para os sinais de alarme das complicações agudas (hipoglicemia, acidose diabética) e forma de actuar, e à gestão da medicação.
Mitos e Realidades
1. O objectivo principal da dieta do diabético é não comer açúcar!
Não é verdade! A restrição de ingerir açúcar ou açucarados é apenas uma parte da chamada «dieta do diabético».
2. A diabetes tipo 2 é uma doença menos grave que a diabetes tipo 1!
Não é verdade! A diabetes do tipo 2, se não for tratada como deve ser, constitui uma doença tão ou mais grave que a do tipo 1. O que leva à ideia errada de que a diabetes tipo 1 é mais grave, é o facto desta atingir com frequência crianças e jovens e da sua terapêutica estar associada à administração de insulina através de injecções!
3. A Diabetes é provocada pelo açúcar que se ingere!
É falso! Como se sabe, as causas da diabetes são outras, já anteriormente explicadas.
No entanto, o açúcar consumido em excesso pode contribuir para uma alimentação errada e para a obesidade, que por sua vez pode levar ao aparecimento da Diabetes tipo 2.
4. A diabetes do tipo 1 ocorre sempre em crianças e jovens e a Diabetes tipo 2 é exclusiva dos adultos!
Embora seja o habitual nem sempre assim se verifica. Com efeito, metade dos diabéticos adultos não-gordos são, na realidade, do tipo 1 e este tipo de diabetes ocorre, também, em idosos.
Por seu lado, em situações bastante raras de diabetes familiar ou, em casos de obesidade, a diabetes da criança ou do jovem pode ser do tipo 2.
5. A insulina tem de ser injectada nas veias!
A insulina é injectada no tecido subcutâneo através da pele da barriga, das coxas ou dos braços, preferencialmente.
Só em situações de urgência e no hospital, é que pode ser administrada nos músculos ou nas veias (em perfusão contínua).
6. Uma vez iniciada a insulina o corpo habitua-se e não mais se pode deixá-la!
Não é verdade! Este é um dos grandes receios dos diabéticos que necessitam de iniciar a insulina!
O que acontece é que se associa, por vezes, erradamente o conceito de insulino-dependencia com habituação. O diabético insulino-dependente é dependente da insulina porque necessita dela para sobreviver pois o seu corpo (o pâncreas) não a produz. Por outro lado, alguns diabéticos do tipo 2 podem necessitar de tratamento com insulina durante alguns períodos e depois retomar a medicação anterior com comprimidos (por exemplo: diabéticos do tipo 2 que necessitam de ser internados ou que adoecem com outras doenças que os impedem de se alimentar convenientemente ou, ainda aqueles a quem os comprimidos não parecem estar a resultar). As grávidas diabéticas necessitam, por vezes de insulina durante a gravidez e, só muito raramente vêm a necessitar dela fora da gravidez.
7. Já há insulina em comprimidos!
Não é verdade! Não existem outras formas eficazes de administração de insulina sem ser através de «picadas»: seringas, dispositivos tipo canetas ou bombas de infusão contínua.