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Dossier: Anestesia

Como é do saber comum, os doentes que terão de ser submetidos a intervenções cirúrgicas, continuam a exprimir preocupações sobre a sua segurança, prognóstico de vida e possibilidades de sofrimento.

Todas as intervenções médicas são acompanhadas de um certo grau de risco, mas o doente considera frequentemente que a anestesia é a parte da intervenção com maior perigosidade.

Das suas preocupações em geral destacam-se, o medo de morrer, a possibilidade de lesão nervosa central com descerebração, despertar a meio e sofrer física e psiquicamente durante e após a operação.

As preocupações a propósito deste tipo de acontecimentos provocam um aumento da ansiedade, sendo causa de aparecimento noticioso como situações de negligência médica na imprensa, nas raras situações em que acontece.

Por trás deste mundo de receios e fantasmas que a anestesia simboliza para o público em geral, encontra-se a figura do Anestesista, o intérprete desta arte médica. Pretende este artigo descrever em síntese o que é a anestesia, o papel do anestesista nas suas diversas áreas de intervenção e aconselhar o leitor quando confrontado com a necessidade de recorrer a um especialista desta área.

 

Alguma História

Antes da descoberta da anestesia mais de um século atrás, só cirurgias muito limitadas podiam ser executadas. Mesmo uma apendicectomia, que na actualidade é uma intervenção das mais seguras, era fatal nessa altura. O aparecimento de um gás denominado hilariante, prótoxido de azoto, inicialmente utilizado em feiras para provocar a diversão pelo riso, suscitou o interesse da comunidade científica.

Em 1844 o Dr.Horace Wells faz uma demonstração da utilização deste gás, numa extracção dentária, que como os leitores sabem ou calculam, é um acto bastante doloroso. Já em 1842 o Dr. Crawford Long utilizava outro gás, éter, para realizar a primeira cirurgia sem dor. Porém o momento mais marcante dá-se em 1846, quando William Morton perante o espanto geral de uma comunidade médica reputada, no Massachusetts General Hospital, faz uma anestesia com éter.

A nova ciência começa a difundir-se pelo mundo, mas é após a 2ª Grande Guerra que começa a era moderna da anestesia e se dá o seu grande avanço, sendo especialmente marcantes as duas últimas décadas.

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Afinal o que é a Anestesiologia?

Do ponto de vista técnico e segundo a definição da União Europeia dos Médicos Especialistas, Anestesiologia consiste numa especialidade em que os seus elementos são peritos nas áreas de Anestesia, Medicina Intensiva, Dor Aguda, Dor Crónica e Reanimação. Esta a razão pela qual os anestesistas desenvolvem a sua actividade a nível do Bloco Operatório, Cuidados Intensivos, Unidades de Dor Crónica, Equipas de Trauma e Emergência Médica intra e extra hospitalar (INEM).

 

Como se forma um Anestesista?

O Anestesista tal como qualquer médico frequenta um curso de licenciatura com a duração de seis anos, tem um período de Internato Geral de cerca de dezoito meses e se aceder à Especialidade ficará especialista ao fim de quatro anos. As reformas em curso na área de pré e pós graduação médica pretendem no entanto uma fase de licenciatura em cinco anos, um ano de Internato Geral e um Internato de Especialidade de cinco anos. O reconhecimento pela UEMS da vasta área de intervenção do Anestesista na medicina actual, implicou o aumento do tempo de formação, como factor mínimo de aquisição do perfil qualificado para a especialização.

 

Quais os diferentes tipos de anestesia?

A anestesia suprime a dor e outras sensações podendo ser efectuada de três formas diferentes: geral, regional e local.

Na anestesia geral o doente está inconsciente e não tem qualquer sensação. Na anestesia regional o doente encontra-se acordado ou ligeiramente adormecido, mas facilmente despertável ao nosso chamamento, sendo efectuada em determinadas regiões do corpo através de uma injecção de um fármaco numa determinada área nervosa, insensibilizando essa região. Exemplos deste tipo de anestesia são as popularmente chamadas raquianestesia e epidural. A anestesia local efectua-se com o doente acordado num determinado local do corpo, com pequena área. Exemplo desta anestesia, uma injecção de anestésico para coser uma pequena ferida da mão.

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Quais são os riscos da anestesia?

Todas as operações têm riscos, estando este risco dependente de muitos factores: a cirurgia, doenças que o individuo já possua (hipertensão, diabetes, arritmias, angina, etc.), factores como o tabagismo e a obesidade, a cirurgia urgente (apendicite, perfuração de ulcera do intestino, etc.) ou emergente (doente politraumatizado, vítima de atropelamento grave).

Situações de relatos de lembranças, dor durante a cirurgia, alterações do comportamento após a anestesia, náuseas e vómitos fazem hoje parte das primeiras linhas de investigação em anestesia, se bem que as duas primeiras são muito raras.

O risco não pode ser abolido completamente, mas os avanços da medicina com a introdução de novos fármacos, novos equipamentos, novas técnicas anestésicas e melhor formação médica, tem vindo a tornar a anestesia mais segura.

O Anestesista previne, trata e compensa qualquer problema médico que surja durante ou após a cirurgia. Antes da cirurgia o doente é avaliado pelo Anestesista, seja numa consulta seja numa visita na véspera da operação. Esta dupla avaliação faculta informação e conhecimento do doente, no sentido de se acautelarem e evitarem problemas.

 

E o alívio da Dor?

A dor é uma área natural da actuação do Anestesista, seja na dor após a cirurgia, seja na dor de trabalho de parto ou na dor crónica. A recente tomada de consciência da sociedade civil em relação ao problema da dor, proclamando-a como o 5º sinal vital, tem ajudado os Anestesistas na sua luta pelo combate à dor e suas consequências.

 

O Anestesista e os Cuidados Pós operatórios

O Anestesista trabalha em Unidades de Cuidados Pós-operatórios e Intensivos acompanhando e tratando doentes em situação crítica, sejam doentes operados, vítimas de trauma ou do foro médico.

 

Como recorrer a um Anestesista?

A necessidade de ser convenientemente informado pelo Anestesista antes de ser submetido a alguma intervenção cirúrgica, justifica uma consulta de avaliação de anestesia. Junto do cirurgião que o receber, pode solicitar o encaminhamento para uma consulta da especialidade, e na falta de uma consulta organizada recorrer ao Serviço de Anestesia.

SPA – Sociedade Portuguesa de Anestesiologia

www.spanestesiologia.pt

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