X
    Categories: InformaçõesSaúde PúblicaSaúde Pública

Dor: A vida não tem de ser dolorosa

Não há razão para sofrer em silêncio… Causa de sofrimento físico e emocional, a dor jamais deve ser ignorada ou negligenciada. Há tratamentos pensados para recuperar a sua qualidade de vida.

As síndromes dolorosas mais frequentes são as dores de costas, a osteoartrose (ou artrose), as dores de cabeça (ou cefaleias), a enxaqueca, a dor de dentes, a dor menstrual e as dores (de cabeça e articulares) associadas a gripes e constipações.

A dor é, para muitos especialistas, o quinto sinal vital, a seguir à frequência cardíaca, à frequência respiratória, pressão arterial e temperatura. Mas a dor é um fenómeno subjectivo, que pode desencadear sensações de intensidade distinta em pessoas diferentes ou até na mesma pessoa em momentos distintos. Além disso, pode existir dor sem lesão aparente, o que contribui ainda mais para o seu carácter subjectivo.

A complexidade da dor envolve sentidos e emoções. É, naturalmente, uma experiência desagradável, mesmo para as pessoas mais “resistentes”. Mas, não raras vezes, é subvalorizada precisamente pela sua subjectividade.

No entanto, ignorar a dor pode limitar irremediavelmente a capacidade de realizar as actividades do dia-a-dia. A dor é definida, segundo a International Association for the Study of Pain, como uma “experiência sensorial e emocional desagradável, relacionada com uma lesão real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos que evocam essa lesão”.

Assim, a dor, em particular a dor crónica, pode estar presente na ausência de uma lesão concreta ou persistir para além da cura da lesão que a originou. Nesta situação, a dor deixa de ser um sintoma para se tornar numa doença por si só.

Considera-se dor crónica aquela que, de forma contínua ou recorrente, existe há três meses ou mais, ou quando persiste para além do curso normal de uma doença aguda ou da cura da lesão que lhe deu origem.

Pelo exposto, foi criado em 2001, um Plano Nacional de Luta Contra a Dor, no âmbito do qual têm vindo a ser criadas unidades de dor nos hospitais públicos do país, visando a divulgação junto dos profissionais de saúde de orientações técnicas, com o objectivo da melhoria efectiva da qualidade de vida dos doentes com dor, e da implementação de programas eficientes de avaliação e tratamento.

[Continua na página seguinte]

Como medir para tratar

A subjectividade associada à dor torna mais difícil identificá-la e tratá-la. Mas, esta dificuldade, não é sinónimo de impossibilidade de tratamento. Actualmente, existem meios complementares de diagnóstico que permitem detectar algumas causas de dor, nomeadamente lesões. Mas mesmo quando não existe lesão, a dor não deve ser menosprezada.

No processo de identificação, existem escalas de medição da intensidade da dor, aceites internacionalmente e que são ferramentas para os médicos, em que é importante a colaboração dos doentes. A escala que for utilizada numa primeira medição deve manter-se, de modo a que seja possível comparar a evolução da dor num mesmo doente, em momentos sucessivos. Desta forma, mitiga-se parte da subjectividade que caracteriza a dor e permite-se um direccionamento mais rigoroso do tratamento.

Os efeitos físicos e psicológicos da dor tornam o tratamento imprescindível mas diferente, de acordo com o tipo e a intensidade da dor. A dor aguda não pode ser tratada da mesma maneira do que uma dor crónica.

Em ambas, há duas vias de tratamento: a terapêutica farmacológica, com recurso a medicamentos, e a não farmacológica, que envolve técnicas como a fisioterapia, entre outras.

No que respeita à terapêutica farmacológica, os medicamentos indicados são os analgésicos, que estão especificamente orientados para o tratamento da dor. São de dois tipos: os não opióides (como o paracetamol e os anti-inflamatórios não esteróides) e os opióides (como a codeína e a morfina). Consoante o diagnóstico – em particular a intensidade e a natureza da dor – são seleccionados os medicamentos mais apropriados.

No caso da dor crónica, podem ainda ser utilizados os chamados fármacos adjuvantes, que, não sendo verdadeiramente analgésicos e tendo indicações para outras situações, contribuem para o controlo da dor.

Incluem-se nesta categoria os antidepressivos, os ansiolíticos, os anticonvulsivantes, os corticoesteróides, os relaxantes musculares e os anti-histamínicos. Podem ser utilizados associados aos analgésicos opióides e aos não opióides e até isolados, em situação como a neutopatia diabética.

[Continua na página seguinte]

Em determinadas situações de dor pode ser necessário o recurso a métodos mais invasivos, que envolvem a injecção dos medicamentos próximo do local onde existe a dor ou ao longo do trajecto dos nervos que conduzem a sensação dolorosa.

Já o tratamento não farmacológico envolve, na generalidade das situações, a fisioterapia, visando o movimento controlado das partes do corpo mais afectadas pela dor, com o objectivo de restaurar a funcionalidade de articulações e músculos.

As implicações da dor crónica no quotidiano de alguns doentes são tais que o tratamento pode ser complementado com apoio psicológico.

A psicoterapia pode revelar-se útil para lidar com o efeito negativo da dor na mobilidade, na comunicação e nos relacionamentos.

 

Parâmetro para avaliar a dor

• Características da dor (localização, intensidade, qualidade, duração, frequência e sintomas associados)

• Factores de alívio e de agravamento

• Uso e efeito de medidas farmacológicas e não farmacológicas

• Formas de comunicar/expressar a dor

• Habilidades e estratégias para enfrentar a dor e outros problemas de saúde

• Efeitos da dor na vida diária

• Impacto emocional e socioeconómico

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

admin: