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Disléxico ou mau leitor?

Dislexia é uma palavra muito ouvida e utilizada, mas que muitas vezes é empregue de forma errada. Existe um excesso de diagnósticos de dislexia que não corresponde à mesma ou um uso para dificuldades que são normais no processo evolutivo que é a aquisição da leitura.

É necessário fazer a diferenciação entre dislexia adquirida, também denominada como alexia, que corresponde a um defeito na actividade lexical em sujeitos que já haviam adquirido esta competência, em consequência de lesão ou degeneração cerebral, e dislexia de desenvolvimento, que resulta de um défice de maturação e observam-se no sujeito dificuldades desde o início do processo de aquisição da leitura.

Pode ser ultrapassada!

A sua origem tem sido muito estudada, embora exista ainda pouco consenso.

Os estudos realizados vão no sentido de perceber os factores neurológicos, cognitivos ou emocionais envolvidos, contudo denota-se hoje uma maior relevância a ser apontada aos estudos neurológicos, que tentam perceber as áreas cerebrais menos estimuladas e o porquê.

Tão importante como a sua origem ou factores principiantes, há a necessidade de perceber que a dislexia de desenvolvimento, sendo correctamente diagnosticada e com a estimulação certa, é ultrapassada, exactamente porque advêm de imaturidade.

Como diagnosticar

A dislexia de desenvolvimento é a mais comummente falada e apelidada no dia-a-dia somente como dislexia. É a que nos chega muitas vezes identificada pelos professores.

Diversos autores já a definiram, mas podemos tomar como consideração a definição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, onde é designada como perturbação da leitura.

De um ponto de vista funcional, pode dizer-se que uma criança é disléxica se apresenta um atraso na leitura de pelo menos dois anos e um Q.I. na Banda Norma.

Diferentes atrasos

O défice na maturação neurológica e das funções psicológicas pode variar em grau e tipo. Acerca do tipo poderá ir desde atrasos evolutivo-funcionais de um dos hemisférios cerebrais, do desenvolvimento perceptivo-visual, da aquisição do esquema corporal, até dificuldades marcadas nos processos psicolinguísticos básicos.

Assim sendo, e tendo origem em diferentes dificuldades, existem vários subtipos, podendo falar-se de dislexias visuoespaciais (p. ex., uma criança que inverte a posição das letras) ou as audiofonológicas (p. ex., quando são realizados erros na leitura por problemas nas correspondências grafema-fonema).

Conjuntamente com a dislexia, existe, por vezes, défices na escrita (disgrafias ou disortografias) o que ainda torna mais difícil a escolaridade, já que a escrita e a leitura são a base da aprendizagem de todos os tipos de informação.

Muitas vezes, a criança com dislexia apresenta também alterações emocionais, como ansiedade ou sintomas depressivos, devido à exposição da sua dificuldade em aula e também da pressão de alguns familiares; o que se torna mais problemático pois vem agravar o seu quadro.

É importante dar tempo à criança para que inicie o seu processo de aprendizagem da leitura, já que o tempo não é igual para todas e só depois, caso as dificuldades continuem, recorrer a um técnico especializado para que se possa trabalhar no sentido de debelar as dificuldades.

Tudo sobre a doença no Portal da Dislexia:
http://www.dislexia.portalpsi.com/

DIAGNÓSTICO:

A. O rendimento na leitura: (por exemplo, precisão, velocidade ou compreensão da leitura), medido através de provas normalizadas de exactidão ou compreensão da leitura, aplicadas individualmente situam-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade cronológica do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade.

B. Perturbação do Critério A: interfere significativamente com o rendimento escolar ou actividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura.

C. Se estiver presente um défice sensorial, as dificuldades de leitura são excessivas em relação às que estariam habitualmente associadas.”

Saúde Semanário

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