É o preconceito que impede que muitos homens que sofrem de disfunção eréctil procurem ajuda médica. E a ansiedade acaba por gerar mais ansiedade e agravar o problema. Não devia ser assim: existem soluções que ajudam a recuperar a vida sexual e a auto-estima masculina.
São muitos milhares os homens em Portugal com uma queixa comum: a dificuldade em obter ou manter uma erecção. São homens que sofrem de disfunção sexual. E que sofrem, muitas vezes, em silêncio ou na intimidade dos seus relacionamentos, porque procurar ajuda para este problema ainda é fonte de muito embaraço.
E assim acontece porque a disfunção eréctil continua a alimentar o preconceito da sociedade. Um preconceito que nasce no próprio homem, que, sentindo-se afectado na sua virilidade, tende a negar que tem um problema e se recusa a discuti-lo com outros, nomeadamente com um profissional de saúde. Sente-se impotente e talvez por isso esta disfunção sexual seja mais conhecida como impotência.
O termo tem uma conotação tão negativa que a classe médica o abandonou, mas nem por isso os tabus desapareceram.
A dificuldade em ter ou manter uma erecção que permita a actividade sexual, pode acontecer a qualquer homem, em qualquer idade. Isso não significa, porém, que sofra de disfunção eréctil. A disfunção existe quando essa incapacidade ocorre de uma forma constante ou recorrente durante pelo menos 3 meses, considerando-se como indício de que há um problema quando 25 por cento das tentativas não resultam.
Um mecanismo complexo
Para um homem que não tem qualquer disfunção, uma erecção acontece facilmente. Basta haver estímulo sexual. E nem se pensa que este é um mecanismo complexo, que envolve o cérebro, músculos, vasos sanguíneos, nervos, hormonas e, é claro, emoções.
Basta, por isso, que algo perturbe o equilíbrio entre estes elementos para que seja difícil conseguir ou manter uma erecção.
Uma doença ou um estado extremo de ansiedade podem perturbar este processo, impedindo que haja erecção ou que ela se mantenha o suficiente para uma relação sexual completa.
Este pode ser um problema temporário, coincidente com um período específico da vida. Mas pode ser frequente, tornando necessária uma intervenção especializada para determinar as causas e actuar sobre elas. Falar com o médico sobre uma questão tão íntima pode ser difícil – aliás, é reconhecidamente difícil e uma das razões que explica que menos de metade dos homens com disfunção eréctil procure ajuda profissional.
Mas é indispensável, na medida em que este é um problema que vai muito para além da vida sexual.
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Recuperar a vida sexual
Se a disfunção eréctil for sintoma de uma condição física, geralmente uma doença crónica sistémica, o diagnóstico precoce vai permitir o tratamento também precoce dessa doença. As doenças mais frequentes associadas são a doença coronária, a aterosclerose, a diabetes, a obesidade, a hipertensão arterial e a síndrome metabólica.
Nalguns casos pode representar o primeiro sinal destas doenças. Sabe-se que a disfunção eréctil pode preceder em cerca de 3 anos um evento cardiovascular. Assim, a presença de disfunção eréctil ao constituir um sinal de alarme de doença arterial deverá não só obrigar a um estudo vascular minucioso, como também motivar a implementação de medidas que visem a alteração dos factores de risco cardiovascular e modificação dos factores de risco. Além de que, na maioria dos casos, a própria disfunção se trata, estando disponíveis várias alternativas terapêuticas. Uma delas passa pela medicação oral (comprimidos) com recurso aos chamados inibidores da enzima fosfodiesterase: são medicamentos que potenciam os efeitos do ácido nítrico, um químico que relaxa os músculos do corpo cavernoso do pénis, permitindo que, em resposta a um estímulo sexual, aconteça a sequência natural que dá origem à erecção.
Nem todos os homens beneficiam destes medicamentos e há situações em que não podem sequer ser ministrados: assim acontece quando se tomam anticoagulantes, quando se tomam nitratos para o tratamento da angina de peito ou alguns tipos de fármacos para a hipertensão ou as doenças da próstata. Não são também uma boa opção para quem sofre de doença cardíaca, para quem já teve um acidente vascular cerebral e para quem tem diabetes ou hipertensão descontroladas ou ainda para quem apresenta valores de pressão arterial muito baixos (hipotensão).
Entre as opções conta-se também o tratamento com hormonas, nomeadamente prostaglandina, que relaxa o músculo liso peniano, aumentando o fluxo sanguíneo. É ainda possível a chamada reposição hormonal, indicada para doentes de valores baixos de testosterona.
Para doentes a quem o tratamento com medicamentos não é recomendado, a bomba de vácuo pode constituir uma alternativa. E, para um número reduzido de doentes, geralmente novos, pode ser considerada a possibilidade de cirurgia vascular.
Mais invasiva e irreversível é a cirurgia para colocação de próteses, reservada quando as demais opções falham. E porque há muitos factores psicológicos em jogo, é normalmente aconselhada terapia, para o doente e/ou o casal.
É que este é um problema que gera níveis elevados de ansiedade e de tensão entre duas pessoas que se relacionam sexualmente.
Em torno da disfunção eréctil gravitam ainda muitos preconceitos e ideias erradas: a disfunção eréctil não afecta a fertilidade nem a capacidade de ter um orgasmo e ejacular nem significa que o homem é menos viril.
O homem não deve sentir-se culpado nem envergonhado: afinal, o tratamento existe. Pelo contrário, sem tratamento, a disfunção eréctil acaba por minar a autoestima e, com ela, a vida afectiva e social. Actualmente, já não há motivo para sofrer em silêncio.
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