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Dignificar a imagem do diabético

A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal foi criada em 1996 com o objectivo de desmistificar a diabetes como doença incapacitante, promovendo acções e actividades que, junto dos jovens e da população em geral, esclareçam quanto às reais potencialidades do diabético e ajudem a fazer a sua integração na sociedade como indivíduo normal e válido.

As actividades que deram origem a esta associação iniciaram-se em 1992, com o 1.º Campo de Férias Desportivo para Jovens Diabéticos da Unidade de Endocrinologia do Hospital de Curry Cabral, e realizou-se na Praia das Maçãs. Contou com a presença de 19 jovens. A equipa técnica era composta por duas médicas endocrinologistas, a Dr.ª Sílvia Saraiva, que sempre dirigiu estas actividades, e a Dr.ª Paula Bogalho, a Enf.ª Guilhermina Batista, que eu muito honrosamente viria a substituir, o Dr. Rui Durval, psiquiatra, e a dietista Eunice Simões.

Ao longo de 12 anos e 14 campos de férias, participaram nestes campos cerca de 500 jovens. É de realçar que todo o trabalho desenvolvido é voluntário e que contamos com o apoio, nas actividades realizadas, de profissionais da área da Saúde, Desporto, Comunicação Social, Indústria Farmacêutica e, entre outros, pessoas que se encontram ligadas à área da Diabetes, colaborando pessoal ou financeiramente.

O embrião da associação demorou quatro anos a formar-se. Em 1996 realizou-se o nascimento legal e em 2004 inaugurou-se a sede oficial. Poderemos, de futuro, programar e executar as actividades desportivas, lúdicas, culturais, de formação e divulgação de uma forma mais organizada.

Fomos o primeiro grupo a organizar actividades deste tipo com diabéticos, em Portugal, realizámos acções mediáticas, como a ascensão do Monte Branco, em Junho de 2000, que pelo seu impacto na comunicação social, muito têm contribuído para o melhor esclarecimento da opinião pública, além de melhorar a própria auto-estima dos jovens.

Continuando o trabalho de dignificação da imagem do diabético, a AJDP programa, agora, subir a montanha mais alta de África, o Kilimanjaro, com a altitude de 5962 metros.

Apesar do voluntariado dos profissionais de saúde e outros, a AJDP necessita de recursos económicos para continuar a concretizar as suas actividades e, sendo os donativos a sua única fonte de rendimento, é necessária a sensibilização das empresas e outras instituições, ao esforço meritório que esta IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) vem desenvolvendo.

Como enfermeiro e profissional de saúde, encontro-me envolvido nestas actividades com jovens diabéticos desde 1993, acompanhei o desenvolvimento saudável de muitos deles, contribuindo para alcançarem as suas expectativas de vida sem as limitações que, normalmente, se associam à doença crónica. A nova filosofia de «cuidar» através das actividades desportivas e lúdicas complementa a forma habitual exercida nos hospitais, centros de saúde e consultórios. Levar a pessoa com doença crónica a participar em actividades que, normalmente, não fazem parte das suas vivências (desportos radicais como escalada, rappel e montanhismo), fazendo-a compreender que os limites pessoais são mais longínquos, contribui para o seu bem-
-estar e auto-estima, desenvolve o seu sentido de controlo da doença crónica e, sobretudo, da sua autonomia.

A minha sensibilidade pessoal leva-me a concluir que os prestadores de cuidados e educadores poderão ser os exemplos a seguir. A tarefa torna-se simples quando participamos nas actividades que, regra geral, se prescrevem rotineiramente (30 minutos de caminhada diária). Pode ser levado ao extremo de subir o monte Branco ou correr uma maratona. Os resultados são extremamente positivos e a forma como as pessoas vão encarar os nossos conselhos mudará, porque sabem que estamos ao seu lado e não na parte de trás de uma secretária.

A experiência desta equipa foi transmitida a outros profissionais de saúde, em congressos e jornadas a nível nacional e internacional. A AJDP organizou as 1.as jornadas para diabéticos, no ano de 2003, que contaram com 300 participantes. A finalidade destas jornadas é informar, ao nível científico, a pessoa com doença crónica sobre o seu problema, para melhor poder gerir a sua doença. Participaram médicos de varias especialidades, enfermeiros, psicólogos, dietistas e sociólogos, adaptando a linguagem científica e transmitindo os seus conhecimentos a doentes e familiares.

É possível adaptar este género de actividades a outras doenças crónicas, sendo apenas necessário força de vontade por parte dos profissionais de saúde na motivação das pessoas que tratam diariamente. A educação da pessoa com doença crónica exige tempo e disponibilidade para transmitir conhecimento, mas, sobretudo, para ouvir as pessoas e seus familiares.

ENF. MANUEL ESTEVES CARDOSO
Serviço de Endocrinologia do Hospital de Curry Cabral
Associação de Jovens Diabéticos de Portugal
Mestrando da Escola Nacional de Saúde Pública

As actividades que deram origem a esta associação iniciaram-se em 1992, com o 1.º Campo de Férias Desportivo para Jovens Diabéticos da Unidade de Endocrinologia do Hospital de Curry Cabral, e realizou-se na Praia das Maçãs. Contou com a presença de 19 jovens. A equipa técnica era composta por duas médicas endocrinologistas, a Dr.ª Sílvia Saraiva, que sempre dirigiu estas actividades, e a Dr.ª Paula Bogalho, a Enf.ª Guilhermina Batista, que eu muito honrosamente viria a substituir, o Dr. Rui Durval, psiquiatra, e a dietista Eunice Simões.

Ao longo de 12 anos e 14 campos de férias, participaram nestes campos cerca de 500 jovens. É de realçar que todo o trabalho desenvolvido é voluntário e que contamos com o apoio, nas actividades realizadas, de profissionais da área da Saúde, Desporto, Comunicação Social, Indústria Farmacêutica e, entre outros, pessoas que se encontram ligadas à área da Diabetes, colaborando pessoal ou financeiramente.

O embrião da associação demorou quatro anos a formar-se. Em 1996 realizou-se o nascimento legal e em 2004 inaugurou-se a sede oficial. Poderemos, de futuro, programar e executar as actividades desportivas, lúdicas, culturais, de formação e divulgação de uma forma mais organizada.

Fomos o primeiro grupo a organizar actividades deste tipo com diabéticos, em Portugal, realizámos acções mediáticas, como a ascensão do Monte Branco, em Junho de 2000, que pelo seu impacto na comunicação social, muito têm contribuído para o melhor esclarecimento da opinião pública, além de melhorar a própria auto-estima dos jovens.

Continuando o trabalho de dignificação da imagem do diabético, a AJDP programa, agora, subir a montanha mais alta de África, o Kilimanjaro, com a altitude de 5962 metros.

Apesar do voluntariado dos profissionais de saúde e outros, a AJDP necessita de recursos económicos para continuar a concretizar as suas actividades e, sendo os donativos a sua única fonte de rendimento, é necessária a sensibilização das empresas e outras instituições, ao esforço meritório que esta IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) vem desenvolvendo.

Como enfermeiro e profissional de saúde, encontro-me envolvido nestas actividades com jovens diabéticos desde 1993, acompanhei o desenvolvimento saudável de muitos deles, contribuindo para alcançarem as suas expectativas de vida sem as limitações que, normalmente, se associam à doença crónica. A nova filosofia de «cuidar» através das actividades desportivas e lúdicas complementa a forma habitual exercida nos hospitais, centros de saúde e consultórios. Levar a pessoa com doença crónica a participar em actividades que, normalmente, não fazem parte das suas vivências (desportos radicais como escalada, rappel e montanhismo), fazendo-a compreender que os limites pessoais são mais longínquos, contribui para o seu bem-

-estar e auto-estima, desenvolve o seu sentido de controlo da doença crónica e, sobretudo, da sua autonomia.

A minha sensibilidade pessoal leva-me a concluir que os prestadores de cuidados e educadores poderão ser os exemplos a seguir. A tarefa torna-se simples quando participamos nas actividades que, regra geral, se prescrevem rotineiramente (30 minutos de caminhada diária). Pode ser levado ao extremo de subir o monte Branco ou correr uma maratona. Os resultados são extremamente positivos e a forma como as pessoas vão encarar os nossos conselhos mudará, porque sabem que estamos ao seu lado e não na parte de trás de uma secretária.

A experiência desta equipa foi transmitida a outros profissionais de saúde, em congressos e jornadas a nível nacional e internacional. A AJDP organizou as 1.as jornadas para diabéticos, no ano de 2003, que contaram com 300 participantes. A finalidade destas jornadas é informar, ao nível científico, a pessoa com doença crónica sobre o seu problema, para melhor poder gerir a sua doença. Participaram médicos de varias especialidades, enfermeiros, psicólogos, dietistas e sociólogos, adaptando a linguagem científica e transmitindo os seus conhecimentos a doentes e familiares.

É possível adaptar este género de actividades a outras doenças crónicas, sendo apenas necessário força de vontade por parte dos profissionais de saúde na motivação das pessoas que tratam diariamente. A educação da pessoa com doença crónica exige tempo e disponibilidade para transmitir conhecimento, mas, sobretudo, para ouvir as pessoas e seus familiares.

ENF. MANUEL ESTEVES CARDOSO

Serviço de Endocrinologia do Hospital de Curry Cabral

Associação de Jovens Diabéticos de Portugal

Mestrando da Escola Nacional de Saúde Pública

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