Apresentaram-se hoje, dia 18 de Março, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, as conclusões do segundo Think Tank português intitulado Saúde-em-Rede, este ano dedicado ao tema “Reorganização dos Cuidados Hospitalares”.
A moderação das mesas esteve a cargo de Constantino Sakellarides, Director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e Vasco Reis, também da ENSP e a apresentação dos temas foi feita por Manuel Delgado, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), e Luis Campos, presidente da Sociedade de Medicina Interna (SMI).
O Think Tank Saúde-em-Rede pretende reflectir e analisar as políticas de Saúde e contribuir para o debate público nacional, assumindo um discurso aberto à reflexão plural e livre. O painel de peritos da área reuniu em sessão fechada, nos passados dias 27 e 28 de Fevereiro, para debater as seguintes questões: As novas ecologias organizacionais e as profissões de saúde (carreiras), Contratualização interna e valor em saúde e Pensar o doente/cliente. As conclusões deste debate, hoje apresentadas, serão enviadas para entidades e instituições com um papel decisor na área da saúde, como a Direcção-Geral da Saúde, A Administração Central do Sistema de Saúde e o Ministério da Saúde.
Para além da apresentação das conclusões, a sessão pública do Saúde-em-Rede conta com a participação internacional de Boi Ruiz, presidente da União Catalã de Hospitais e Eric de Roodenbeke, Director-Geral da Federação Internacional de Hospitais, que trazem a Portugal as experiências internacionais nesta área.
RESUMO DE ALGUMAS CONCLUSÕES
As novas ecologias organizacionais e as profissões de saúde: O painel de peritos concluiu que para além de dificuldades centradas nos recursos humanos, na área económico-financeira, no aprovisionamento e na administração e organização interna, existem lacunas ao nível das competências de gestão, seja na gestão de topo seja na gestão intermédia. Defendem ainda a implementação de mecanismos de certificação e re-certificação dos profissionais de saúde.
Aferiu-se que o processo de mudança deve basear-se num movimento de envolvimento das equipas profissionais, devidamente enquadradas por dispositivos de contratualização (interna e externa) e de apoio e que há necessidade de contextualizar o aparecimento de novas profissões de saúde, novas responsabilidades e novas competências como forma de adaptação às transições epidemiológicas (novas doenças e expansão de outras menos relevantes no passado) e demográficas e aos novos modelos de prestação de cuidados.
Contratualização interna e valor em saúde:
O painel de peritos é de opinião que, deverá haver um alinhamento cada vez maior entre os objectivos contratualizados e a missão das instituições de saúde, onde se deverão privilegiar os elementos que promovam o valor em saúde e não propriamente a produção de actos médicos e que, o modelo de contratualização externa deverá incorporar objectivos que promovam a integração entre os vários níveis de cuidados, primários e hospitalares, de modo a fomentar a partilha de informação e de conhecimento. O desenvolvimento do conceito de valor em saúde só será possível se o Ministério da Saúde fizer uma aposta clara na construção de conhecimento sustentado (i.e. Centros de Investigação) e permitir uma integração de cuidados via contratualização. Neste sentido, defende-se um reforço, em termos de sistema de saúde, do papel exercido pelos Cuidados de Saúde Primários.
Sustentam também que o pagamento dos actos/episódios deverá garantir cada vez mais que os resultados alcançados vão ao encontro dos resultados esperados, o que implica que as decisões clínicas sigam a melhor evidência científica. A evolução para este novo paradigma só será possível com um claro envolvimento, em todo este processo, dos prestadores de cuidados de saúde, em particular dos médicos.
Por outro lado, dizem que o propósito dos sistemas de saúde não consiste em reduzir custos ou produzir cuidados de saúde, mas sim em fornecer aos seus utentes mais valor em saúde, ou seja, melhor saúde por euro gasto e que a pressão exercida pelas “novas procuras” de cuidados de saúde poderá forçar as organizações hospitalares à mudança interna e ao confronto com a resistência dos grupos profissionais à alteração dos seus conteúdos funcionais.
Pensar o doente/cliente: Na sessão do Saúde-em-Rede percebeu-se a necessidade de acompanhar e avaliar o impacte das reformas da saúde na população e da continuidade das mesmas para além dos ciclos políticos; a importância da implementação de estratégias de melhoria da qualidade clínica e organizacional, incluindo a gestão do risco; a importância da capacidade de ultrapassar preconceitos corporativos, facilitando o trabalho multidisciplinar em benefício dos doentes e, a premência da criação de uma agência nacional independente de avaliação das tecnologias de saúde, de forma a aumentar a eficiência e a transparência na utilização destas tecnologias para benefício do doente, dos profissionais e das instituições.
O Saúde-em-Rede é uma parceria entre a Escola Nacional Saúde Pública, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e a Pfizer.
Mais informação disponível em: http://www.saude-em-rede.org/
A moderação das mesas esteve a cargo de Constantino Sakellarides, Director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e Vasco Reis, também da ENSP e a apresentação dos temas foi feita por Manuel Delgado, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), e Luis Campos, presidente da Sociedade de Medicina Interna (SMI).
O Think Tank Saúde-em-Rede pretende reflectir e analisar as políticas de Saúde e contribuir para o debate público nacional, assumindo um discurso aberto à reflexão plural e livre. O painel de peritos da área reuniu em sessão fechada, nos passados dias 27 e 28 de Fevereiro, para debater as seguintes questões: As novas ecologias organizacionais e as profissões de saúde (carreiras), Contratualização interna e valor em saúde e Pensar o doente/cliente. As conclusões deste debate, hoje apresentadas, serão enviadas para entidades e instituições com um papel decisor na área da saúde, como a Direcção-Geral da Saúde, A Administração Central do Sistema de Saúde e o Ministério da Saúde.
Para além da apresentação das conclusões, a sessão pública do Saúde-em-Rede conta com a participação internacional de Boi Ruiz, presidente da União Catalã de Hospitais e Eric de Roodenbeke, Director-Geral da Federação Internacional de Hospitais, que trazem a Portugal as experiências internacionais nesta área.
RESUMO DE ALGUMAS CONCLUSÕES
As novas ecologias organizacionais e as profissões de saúde: O painel de peritos concluiu que para além de dificuldades centradas nos recursos humanos, na área económico-financeira, no aprovisionamento e na administração e organização interna, existem lacunas ao nível das competências de gestão, seja na gestão de topo seja na gestão intermédia. Defendem ainda a implementação de mecanismos de certificação e re-certificação dos profissionais de saúde.
Aferiu-se que o processo de mudança deve basear-se num movimento de envolvimento das equipas profissionais, devidamente enquadradas por dispositivos de contratualização (interna e externa) e de apoio e que há necessidade de contextualizar o aparecimento de novas profissões de saúde, novas responsabilidades e novas competências como forma de adaptação às transições epidemiológicas (novas doenças e expansão de outras menos relevantes no passado) e demográficas e aos novos modelos de prestação de cuidados.
Contratualização interna e valor em saúde:
O painel de peritos é de opinião que, deverá haver um alinhamento cada vez maior entre os objectivos contratualizados e a missão das instituições de saúde, onde se deverão privilegiar os elementos que promovam o valor em saúde e não propriamente a produção de actos médicos e que, o modelo de contratualização externa deverá incorporar objectivos que promovam a integração entre os vários níveis de cuidados, primários e hospitalares, de modo a fomentar a partilha de informação e de conhecimento. O desenvolvimento do conceito de valor em saúde só será possível se o Ministério da Saúde fizer uma aposta clara na construção de conhecimento sustentado (i.e. Centros de Investigação) e permitir uma integração de cuidados via contratualização. Neste sentido, defende-se um reforço, em termos de sistema de saúde, do papel exercido pelos Cuidados de Saúde Primários.
Sustentam também que o pagamento dos actos/episódios deverá garantir cada vez mais que os resultados alcançados vão ao encontro dos resultados esperados, o que implica que as decisões clínicas sigam a melhor evidência científica. A evolução para este novo paradigma só será possível com um claro envolvimento, em todo este processo, dos prestadores de cuidados de saúde, em particular dos médicos.
Por outro lado, dizem que o propósito dos sistemas de saúde não consiste em reduzir custos ou produzir cuidados de saúde, mas sim em fornecer aos seus utentes mais valor em saúde, ou seja, melhor saúde por euro gasto e que a pressão exercida pelas “novas procuras” de cuidados de saúde poderá forçar as organizações hospitalares à mudança interna e ao confronto com a resistência dos grupos profissionais à alteração dos seus conteúdos funcionais.
Pensar o doente/cliente: Na sessão do Saúde-em-Rede percebeu-se a necessidade de acompanhar e avaliar o impacte das reformas da saúde na população e da continuidade das mesmas para além dos ciclos políticos; a importância da implementação de estratégias de melhoria da qualidade clínica e organizacional, incluindo a gestão do risco; a importância da capacidade de ultrapassar preconceitos corporativos, facilitando o trabalho multidisciplinar em benefício dos doentes e, a premência da criação de uma agência nacional independente de avaliação das tecnologias de saúde, de forma a aumentar a eficiência e a transparência na utilização destas tecnologias para benefício do doente, dos profissionais e das instituições.
O Saúde-em-Rede é uma parceria entre a Escola Nacional Saúde Pública, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e a Pfizer.
Mais informação disponível em: http://www.saude-em-rede.org/