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Chegaram as gripes!

Com os termómetros a marcarem temperaturas abaixo de zero, em certas zonas do País, todos os cuidados são poucos para fugir às armadilhas do frio. Em época de Inverno, apostar em roupa mais quente e evitar as alterações de temperatura ajuda a escapar às temidas gripes.

Dores no corpo, congestão nasal, fadiga, febre, tosse e espirros são sinais que denunciam, logo à partida, o “ataque” da gripe. Em época de Inverno, quase ninguém fica imune ao vírus influenza, o responsável pelos sintomas de gripe.

Embora a vacina conceda algum grau de protecção, diz o Dr. Raul Amaral Marques, médico pneumologista, que este tipo de prevenção “deve ser dirigido essencialmente aos grupos populacionais de alto risco”.

O especialista fala, concretamente, nas populações vulneráveis, como as crianças, idosos e doentes crónicos. E isto porque é nestes grupos que a “doença pode atingir índices de morbilidade e mortalidade mais elevados”.

Mesmo tendo uma duração entre oito a 15 dias, as gripes são situações corriqueiras em tempo de Inverno e, na maioria dos casos, podem ser tratadas em casa. “Se os sintomas forem ligeiros, deve-se contactar a Saúde24 para tirar dúvidas e, em simultâneo, ingerir muitos líquidos. Deve-se repousar e ficar isolado, para evitar o contágio, assim como evitar mudanças de temperatura. Se os sintomas forem mais graves deve-se contactar o médico assistente”, aconselha o Dr. Manuel Soares, médico de família do Centro de Saúde de Carnaxide.

 

Vírus andam no ar

“O vírus da gripe humana transmite-se de pessoa a pessoa, habitualmente por via aérea. Os locais fechados, como as escolas, infantários, lares de idosos, os aviões e transportes públicos são, de um modo geral, os locais ideais para a propagação do vírus”, diz Rui Amaral Marques. Significa que a transmissão se pode efectuar por intermédio de gotículas expelidas através da tosse ou espirros.

A gripe, por ser uma “infecção aguda causada pela inalação do vírus influenza”, afecta, sobretudo o tracto respiratório. É, por esta razão, que atinge, sobretudo, o nariz e a garganta. Há, no entanto, alguma confusão entre os sintomas de gripe e as constipações. Nesta última, como refere Manuel Soares, “os sintomas da constipação são mais ligeiros e desaparecem mais rapidamente”.

Sabe-se que gripe só há uma, mas existem três grupos de vírus influenza (A, B e C) provocam graus de gravidade distintos. “O tipo B e C apresentam sintomas semelhantes ao de uma constipação”, afirma Manuel Soares. Mas, para além da gravidade dos sintomas, as constipações têm um agente causal diferente da gripe.

“A constipação é desencadeada de por duas espécies de vírus: o rinovírus e os corinovírus. São estes dois grupos de vírus que interferem no desenvolvimento da constipação. No caso da gripe é o vírus influenza o responsável por todo o conjunto de sintomas”, adianta.

 

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Quando vacinar?

A vacina da gripe deve ser administrada a partir de Outubro, indica Raul Amaral Marques. O pneumologista explica que, caso seja aplicada mais cedo, “no pico máximo da gripe, que se situa entre a quarta e a oitava semana a partir do início do início do ano, a vacina possa não conceder o máximo de protecção, especialmente no grupo dos idosos ou imunodeprimidos”.

Em Portugal a vacina não é distribuída gratuitamente, mas, à semelhança de outros medicamentos, está sujeita a comparticipação. Existem, porém, algumas autarquias onde a vacina é disponibilizada à população “sem encargos”.

Até ao momento, esclarece o especialista, “a vacinação anual contra a gripe constitui a melhor forma de prevenir a doença, as suas complicações e reduzir o impacto das epidemias”. Acresce, ainda, a vantagem de “ser inócua, não dolorosa e barata”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), na população idosa, a vacina “reduz a morbilidade em 60% e a mortalidade entre 70 a 80% dos casos”. Há, contudo, uma contra-indicação da vacina: “não pode ser administrada a pessoas alérgicas à proteína do ovo, uma vez que as vacinas são preparadas a partir de ovos de galinha”.

 

Distinga a gripe da constipação

Confusões à parte, a gripe, geralmente, apresenta febre elevada, com temperaturas que rondam os 38,5º e dura entre três a quatro dias. Já no caso da constipação, este é um sintoma que raramente ocorre. Mas há outros sintomas que se cruzam na gripe e na constipação, nomeadamente as dores no corpo, que, na gripe, são mais intensas e a fadiga.

Os espirros, o nariz congestionado e a garganta inflamada são sintomas típicos de uma constipação, assim como a tosse. Para além da gravidade dos sintomas, que na gripe atacam com mais força, as diferenças também se colocam ao nível do tratamento e prevenção.

Até agora, não é possível prevenir as constipações, contrariamente à gripe, em que a vacinação tem um papel importante, principalmente nos grupos de risco. O tratamento da constipação, como refere Raul Amaral Marques, passa pelo alívio dos sintomas. Para combater a gripe, antivirais podem dar uma ajuda.

 

Tosse para que te quero?

É incómoda e, em certos casos, chega mesmo a tirar o sono, quando é persistente. Fala-se, pois, da tosse. Um sintoma comum a gripes e constipações que, embora desagradável, tem uma razão de ser. “É bom que exista”, diz Manuel Soares.

E de onde vem, afinal, a tosse? “Os vírus alteram as células da mucosa do aparelho respiratório e criam uma inflamação. Ao inflamar, são produzidas substâncias que geram mecanismos de reflexo. A tosse é um reflexo para eliminar os vírus e os produtos de secreção.”

Mesmo que a vontade seja de acabar com a tosse, nem sempre se deve fazê-lo. “Só deve ser eliminada quando os músculos do tórax começam a doer”, defende Manuel Soares, embora admita que há alguma discussão de quando se deve “silenciar” a tosse. “Não se deve acabar a tosse, porque esta representa um mecanismo de defesa.”

Jornal do Centro de Saúde

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