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ASBIHP – Revista “Spina Bifida”” N.º2″

Caros amigos,

Existem situações que nos fazem reflectir sobre a forma como a nossa vida é feita de sucessivas incoerências, e como todos nós somos mais ou menos adaptáveis às diversas “verdades” conforme elas se adaptam ou não aos nossos interesses.

Há dias, um amigo meu, pessoa sem qualquer deficiência e dirigente associativo duma grande instituição nacional da área da deficiência, dizia-me muito orgulhoso que o seu partido, nas últimas eleições, tinha apresentado dois candidatos a deputados à Assembleia da Republica “apontados pela estrutura partidária dos deficientes”.

Infelizmente apenas um deles tinha conseguido ser eleito. O outro, um amigo comum, é uma pessoa com deficiência e presidente de uma das maiores associações do nosso país.

Embora ele não tenha conseguido ser eleito, fiquei contente pois sei que é uma pessoa bastante conhecedora (para além da sua sensibilidade existe a sua própria deficiência) dos problemas que vão insistindo em complicar a vida a todos nós. Tive pena que não tivesse sido eleito.

No entanto roeu-me a curiosidade… e o outro?.. O que foi eleito em nome da “estrutura partidária dos deficientes”… quem é ele, esse nosso representante na Assembleia?

Fiquei a saber que é um conhecidíssimo parlamentar de à longa data, líder da bancada e pessoa perfeitamente e felizmente normal.

Quanto ao meu “mas…” recebeu uma resposta pronta de que “mas ele é uma pessoa bastante sensibilizada para a causa”.

Não duvido. A questão é que igualmente deve ser uma pessoa sensibilizada para os problemas das mulheres, das minorias étnicas, dos homossexuais etc, sem no entanto sentir o que é viver o problema “na primeira pessoa”, e bem poderia ser apontado como candidato de qualquer outra estrutura partidária.

Esta situação torna-se caricata quando se discute a adopção de uma quota de candidatos parlamentares do sexo feminino, quando provavelmente bastaria apontar um número de candidatos, que embora homens, estivessem “sensibilizados para a causa” e que fossem apontados pela estrutura partidária feminina.

Claro que isto não é de forma alguma verdade. A representatividade de certos grupos, com características muito particulares e sensíveis não deve nunca ser delegada. Pode e deve ser solidária e partilhada, mas nunca delegada.

Para além da incoerência da instituição desse meu amigo, que foi uma das primeiras em Portugal a dar eco ao slogan “Nada sobre nós sem nós”, fico-me com o desconsolo de, tanto quanto sei, continuarmos sem um deputado que possa dar voz às nossas preocupações duma forma apaixonada e sentida, o que não é possível ser feito por alguém “sensibilizado para a causa”, por muito boa vontade que possa ter.

Enfim… Fico chateado!…

Um abraço

Luís Quaresma

Presidente da Direcção da ASBIHP

Faça aqui o download da revista…

Há dias, um amigo meu, pessoa sem qualquer deficiência e dirigente associativo duma grande instituição nacional da área da deficiência, dizia-me muito orgulhoso que o seu partido, nas últimas eleições, tinha apresentado dois candidatos a deputados à Assembleia da Republica “apontados pela estrutura partidária dos deficientes”.

Infelizmente apenas um deles tinha conseguido ser eleito. O outro, um amigo comum, é uma pessoa com deficiência e presidente de uma das maiores associações do nosso país.

Embora ele não tenha conseguido ser eleito, fiquei contente pois sei que é uma pessoa bastante conhecedora (para além da sua sensibilidade existe a sua própria deficiência) dos problemas que vão insistindo em complicar a vida a todos nós. Tive pena que não tivesse sido eleito.

No entanto roeu-me a curiosidade… e o outro?.. O que foi eleito em nome da “estrutura partidária dos deficientes”… quem é ele, esse nosso representante na Assembleia?

Fiquei a saber que é um conhecidíssimo parlamentar de à longa data, líder da bancada e pessoa perfeitamente e felizmente normal.

Quanto ao meu “mas…” recebeu uma resposta pronta de que “mas ele é uma pessoa bastante sensibilizada para a causa”.

Não duvido. A questão é que igualmente deve ser uma pessoa sensibilizada para os problemas das mulheres, das minorias étnicas, dos homossexuais etc, sem no entanto sentir o que é viver o problema “na primeira pessoa”, e bem poderia ser apontado como candidato de qualquer outra estrutura partidária.

Esta situação torna-se caricata quando se discute a adopção de uma quota de candidatos parlamentares do sexo feminino, quando provavelmente bastaria apontar um número de candidatos, que embora homens, estivessem “sensibilizados para a causa” e que fossem apontados pela estrutura partidária feminina.

Claro que isto não é de forma alguma verdade. A representatividade de certos grupos, com características muito particulares e sensíveis não deve nunca ser delegada. Pode e deve ser solidária e partilhada, mas nunca delegada.

Para além da incoerência da instituição desse meu amigo, que foi uma das primeiras em Portugal a dar eco ao slogan “Nada sobre nós sem nós”, fico-me com o desconsolo de, tanto quanto sei, continuarmos sem um deputado que possa dar voz às nossas preocupações duma forma apaixonada e sentida, o que não é possível ser feito por alguém “sensibilizado para a causa”, por muito boa vontade que possa ter.

Enfim… Fico chateado!…

Um abraço

Luís Quaresma

Presidente da Direcção da ASBIHP

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