Acesso atempado aos melhores tratamentos e à informação, participação nas decisões tomadas ao nível individual e ao nível político — Novo estudo revela as principais prioridades e preocupações dos doentes na Europa, Canadá e noutros países.
A Aliança Internacional de Organizações de Doentes (IAPO; do inglês International Alliance of Patients’ Organizations) divulgou os resultados de um novo estudo sobre as perspectivas na área da saúde de membros de organizações de doentes em dez Estados-membros da União Europeia, do Canadá e da Nigéria.
Este estudo demonstra a existência de pontos de vista comuns dos membros sobre necessidades e preocupações relativas aos serviços de saúde prestados hoje em dia e assinalam a necessidade de uma mudança direccionada para uma abordagem mais centrada nos doentes. Os resultados foram apresentados pela IAPO no congresso internacional “Geneva Forum:
Towards global access to health[1]” (Fórum de Genebra — Para o acesso global à saúde).
A Directora de Assuntos Externos e Políticas da IAPO, Jo Harkness, que apresentou os resultados do estudo em Genebra afirmou: “Serviços de saúde centrados nos doentes, segundo os quais os sistemas são especificamente concebidos para responder às necessidades e preferências dos doentes, podem afinal ser a forma mais adequada e mais viável, do ponto de vista económico, para melhorar os serviços de saúde para os doentes em todo o mundo. São fundamentais acções concertadas com o objectivo de desenvolver e implementar medidas que reflictam esta abordagem. A IAPO pede o apoio e a colaboração de governos, dos responsáveis pela tomada de decisões políticas em matéria de saúde, da indústria e das organizações de médicos para que adoptem uma postura dinâmica.”
O estudo efectuou uma sondagem aleatória a 1200 membros de organizações de doentes pertencentes a 12 países. Com base nos resultados, foram identificados três temas recorrentes nas diferentes regiões, que ilustram as preocupações comuns relativas à acessibilidade e ao tratamento individualizado e, ainda, a informações sobre os cuidados de saúde.
Acesso atempado ao melhor tratamento e à informação
O acesso atempado aos melhores medicamentos e à informação é uma das principais preocupações dos doentes e das suas organizações. 98% dos inquiridos concordaram que “como o timing é tão importante na prevenção das doenças, é fundamental o acesso aos medicamentos mais eficazes quando deles mais se precisa”. A mesma percentagem concorda ainda com a necessidade de um maior acesso a informação precisa, relevante e completa, para ajudar os doentes e os profissionais de saúde a tomarem decisões informadas.
Direito a participar nas decisões respeitantes a cada doente
Os resultados também demonstraram que 95% dos membros das organizações de doentes exigem o direito a participar como parceiros na tomada de decisões na área da saúde, que afectem as suas vidas. A mesma proporção de membros concorda que os doentes têm o direito fundamental a serviços de saúde centrados nos doentes, que respeitem as suas necessidades individuais, as suas preferências e os seus valores. Consideram que o alívio das restrições burocráticas que pesam sobre os médicos permitiria o fortalecimento da relação médico/doente e teria como resultado o melhor tratamento para cada indivíduo. 89% dos membros alegam que é errada a adopção de uma atitude do género “o mesmo tratamento para todos os doentes” em relação aos medicamentos, pois os doentes reagem de forma diferente aos medicamentos, dependendo de muitos factores como, por exemplo, o estado de saúde, a idade e a condição física — os médicos estão treinados para avaliar todos estes factores e tomarem a melhor decisão para cada doente.
Envolvimento dos doentes nas decisões políticas
Um terceiro tema, que revela uma tendência cada vez mais importante, revela uma forte crença no aumento do envolvimento dos doentes como parceiros na tomada de decisões políticas em matéria de saúde, que afectem as suas vidas.
Quer isto ocorra através do envolvimento directo em processos e consultas legislativas conduzidas pelos governos, quer através de terceiros como, por exemplo, organizações de doentes, a grande maioria apoia o envolvimento dos doentes na tomada de decisões políticas na área da saúde, para garantir que as políticas reflectem as necessidades dos doentes e dos prestadores de cuidados de saúde.
Na verdade, 95% dos membros acreditam que os governos devem considerar mais activamente as perspectivas das organizações de médicos e de doentes; destes, 62% têm uma posição firme acerca desta matéria.
“O que estes resultados demonstram é a pressão que é necessário exercer para alinhar melhor os sistemas de saúde locais com as necessidades e expectativas dos doentes, para benefício de ambos, o que, por sua vez, irá conduzir à prevenção e tratamento economicamente mais viáveis para cada pessoa”, concluiu Jo Harkness.
Sobre o estudo:
No site da IAPO (www.patientsorganizations.org) está disponível um resumo do estudo sobre as perspectivas de organizações de doentes sobre a saúde. Consultar igualmente a Ficha de Dados de Resultados e Metodologia do Estudo, disponível no site, e mediante pedido ao contacto de relações públicas, indicado mais abaixo.
A sondagem foi realizada pelo Consensus Research Group (www.consensus-research.com), em Abril e Maio de 2006, a 1200 membros de organizações de doentes de 12 países.
* Reino Unido, Alemanha, França, Hungria, Áustria, República Checa, Itália, Espanha, Bélgica, Suécia, Canadá e Nigéria
Sobre a Aliança Internacional de Organizações de Doentes (IAPO):
A IAPO é uma aliança global única que representa doentes de todas as nacionalidades, em todas as áreas de doenças, e que efectua, a nível mundial, a promoção de serviços de saúde centrados nos doentes. Os nossos membros são organizações de doentes que trabalham a nível internacional, regional, nacional e local na representação e apoio aos doentes, às suas famílias e aos profissionais que deles cuidam. A visão da IAPO é de que todos os doentes em todo o mundo estejam no centro dos serviços de saúde.
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