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A cirrose também surge com perturbações cardíacas

A cirrose é uma doença progressiva que raramente dá sintomas e que, em estados mais avançados, pode evoluir para cancro hepático. O transplante é, por vezes, a solução, acarretando, contudo, alguns riscos.

A cirrose é uma doença do fígado que se caracteriza pela «destruição do tecido hepático normal e a sua substituição por tecido de fibrose não funcional, que engloba zonas de tecido normal», de acordo com o coordenador de doenças hepáticas da Sociedade de Medicina Interna, Dr. Carlos Monteverde.

A principal causa de cirrose é o abuso do álcool, mas há outras causas, como a evolução das hepatites B e C, a exposição a algumas substâncias químicas, a esteato-hepatite não alcoólica, causas auto-imunes, genéticas, perturbações cardíacas e vasculares, entre outras.

Sendo a principal causa o abuso do álcool, trata-se de uma patologia que «afecta mais os homens do que as mulheres, manifestando-se preferencialmente nas quarta, quinta e sexta décadas da vida», refere o especialista.

A evolução para cirrose pode demorar muitos anos e nem sempre dá sintomas. O especialista afirma que, sendo o seu diagnóstico histológico, isto é, o diagnóstico é feito através da análise dos tecidos do fígado, «nem sempre há uma correlação entre a histologia e os sintomas clínicos».

Entre os vários sintomas que podem verificar-se estão a fraqueza e falta de apetite, com a consequente perda de peso. Uma obstrução do fluxo da bílis pode produzir icterícia, prurido e a formação de nódulos amarelados na pele, especialmente nas conjuntivas oculares.

Outras complicações são «o aparecimento da ascite, hemorragia digestiva alta por rotura de varizes esofágicas como complicação da hipertensão portal e, por fim, a encefalopatia hepática», refere Carlos Monteverde.

De facto, em determinados casos, os doentes com cirrose podem expulsar uma grande quantidade de sangue pela boca, devido a hemorragias produzidas pela rotura de varizes situadas na parte inferior do esófago, as chamadas varizes esofágicas. Estas veias dilatadas desenvolvem-se devido à elevada pressão do sangue nas veias que irrigam o território portal. Essa pressão alta, denominada hipertensão portal, juntamente com uma função hepática degradada, pode originar uma acumulação de líquido no abdómen ou ascite e também produzir insuficiência renal e evoluir para encefalopatia hepática.

Outros sintomas da doença hepática de longa duração que podem aparecer são a debilidade muscular, pequenas aranhas vasculares na pele, aumento de volume dos seios nos homens, aumento de tamanho das glândulas salivares nas maçãs do rosto e perda do cabelo.

Relativamente às fases de desenvolvimento da cirrose, Carlos Monteverde afirma que «não há uma definição unânime para a evolução da doença, mas podemos dizer que pode estar compensada (diagnóstico histológico) ou descompensada».

«Na fase de descompensação, surge a ascite ligeira ou grau 1, a ascite moderada ou grau 2, a ascite volumosa ou sob tensão ou grau 3, e, ainda, a ascite refractária, que se define como a ascite que não cede à restrição na dieta e à dose máxima de diuréticos na terapêutica. Com a evolução destes estádios vão surgindo as outras complicações, como a hipertensão portal e as varizes esofágicas», explica o mesmo hepatologista.

Tratamentos e transplante

Não existe cura para a cirrose. Em primeiro lugar, o tratamento consiste no abandono dos agentes tóxicos que provocaram a doença, como o álcool. Deve também iniciar-se uma dieta adequada, que inclua um suplemento de vitaminas. Posteriormente, é feito o tratamento das complicações à medida que vão aparecendo.

A probabilidade de estagnação da cirrose é menor nos casos que apresentam complicações graves, como os vómitos de sangue, a ascite ou as alterações das funções do cérebro (encefalopatia).

O aparecimento de um cancro hepático é mais frequente nas pessoas com cirrose causada por infecções crónicas do vírus da hepatite B ou C. Mas o aparecimento de cancro hepático em indivíduos com cirrose causada pelo abuso de álcool também é possível.

O transplante de fígado pode ajudar um doente com cirrose avançada, mas, se este continuar a consumir álcool em excesso ou se a causa da doença não for modificada. o fígado transplantado também poderá desenvolver cirrose.

No entanto, o transplante de fígado acarreta alguns perigos. Para evitar os riscos, deve encontrar-se um bom dador, apesar dos riscos de rejeição estarem sempre presentes. As complicações começam na própria cirurgia com as alterações da hemóstase, metabólicas e hemodinâmicas.

«Após a cirurgia, e na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), há o risco do mau funcionamento do enxerto, a trombose da artéria hepática ou a sépsis» afirma Carlos Monteverde. Podem, ainda, ocorrer as complicações imunológicas e bacterianas. «Outras complicações a longo prazo são a HTA, a hiperlipidemia, a obesidade, recorrência da doença primitiva, o carcinoma hepatocelular, a hepatite auto-imune, etc.», acrescenta o especialista.

A cirrose é uma doença do fígado que se caracteriza pela «destruição do tecido hepático normal e a sua substituição por tecido de fibrose não funcional, que engloba zonas de tecido normal», de acordo com o coordenador de doenças hepáticas da Sociedade de Medicina Interna, Dr. Carlos Monteverde.

A principal causa de cirrose é o abuso do álcool, mas há outras causas, como a evolução das hepatites B e C, a exposição a algumas substâncias químicas, a esteato-hepatite não alcoólica, causas auto-imunes, genéticas, perturbações cardíacas e vasculares, entre outras.

Sendo a principal causa o abuso do álcool, trata-se de uma patologia que «afecta mais os homens do que as mulheres, manifestando-se preferencialmente nas quarta, quinta e sexta décadas da vida», refere o especialista.

A evolução para cirrose pode demorar muitos anos e nem sempre dá sintomas. O especialista afirma que, sendo o seu diagnóstico histológico, isto é, o diagnóstico é feito através da análise dos tecidos do fígado, «nem sempre há uma correlação entre a histologia e os sintomas clínicos».

Entre os vários sintomas que podem verificar-se estão a fraqueza e falta de apetite, com a consequente perda de peso. Uma obstrução do fluxo da bílis pode produzir icterícia, prurido e a formação de nódulos amarelados na pele, especialmente nas conjuntivas oculares.

Outras complicações são «o aparecimento da ascite, hemorragia digestiva alta por rotura de varizes esofágicas como complicação da hipertensão portal e, por fim, a encefalopatia hepática», refere Carlos Monteverde.

De facto, em determinados casos, os doentes com cirrose podem expulsar uma grande quantidade de sangue pela boca, devido a hemorragias produzidas pela rotura de varizes situadas na parte inferior do esófago, as chamadas varizes esofágicas. Estas veias dilatadas desenvolvem-se devido à elevada pressão do sangue nas veias que irrigam o território portal. Essa pressão alta, denominada hipertensão portal, juntamente com uma função hepática degradada, pode originar uma acumulação de líquido no abdómen ou ascite e também produzir insuficiência renal e evoluir para encefalopatia hepática.

Outros sintomas da doença hepática de longa duração que podem aparecer são a debilidade muscular, pequenas aranhas vasculares na pele, aumento de volume dos seios nos homens, aumento de tamanho das glândulas salivares nas maçãs do rosto e perda do cabelo.

Relativamente às fases de desenvolvimento da cirrose, Carlos Monteverde afirma que «não há uma definição unânime para a evolução da doença, mas podemos dizer que pode estar compensada (diagnóstico histológico) ou descompensada».

«Na fase de descompensação, surge a ascite ligeira ou grau 1, a ascite moderada ou grau 2, a ascite volumosa ou sob tensão ou grau 3, e, ainda, a ascite refractária, que se define como a ascite que não cede à restrição na dieta e à dose máxima de diuréticos na terapêutica. Com a evolução destes estádios vão surgindo as outras complicações, como a hipertensão portal e as varizes esofágicas», explica o mesmo hepatologista.

Tratamentos e transplante

Não existe cura para a cirrose. Em primeiro lugar, o tratamento consiste no abandono dos agentes tóxicos que provocaram a doença, como o álcool. Deve também iniciar-se uma dieta adequada, que inclua um suplemento de vitaminas. Posteriormente, é feito o tratamento das complicações à medida que vão aparecendo.

A probabilidade de estagnação da cirrose é menor nos casos que apresentam complicações graves, como os vómitos de sangue, a ascite ou as alterações das funções do cérebro (encefalopatia).

O aparecimento de um cancro hepático é mais frequente nas pessoas com cirrose causada por infecções crónicas do vírus da hepatite B ou C. Mas o aparecimento de cancro hepático em indivíduos com cirrose causada pelo abuso de álcool também é possível.

O transplante de fígado pode ajudar um doente com cirrose avançada, mas, se este continuar a consumir álcool em excesso ou se a causa da doença não for modificada. o fígado transplantado também poderá desenvolver cirrose.

No entanto, o transplante de fígado acarreta alguns perigos. Para evitar os riscos, deve encontrar-se um bom dador, apesar dos riscos de rejeição estarem sempre presentes. As complicações começam na própria cirurgia com as alterações da hemóstase, metabólicas e hemodinâmicas.

«Após a cirurgia, e na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), há o risco do mau funcionamento do enxerto, a trombose da artéria hepática ou a sépsis» afirma Carlos Monteverde. Podem, ainda, ocorrer as complicações imunológicas e bacterianas. «Outras complicações a longo prazo são a HTA, a hiperlipidemia, a obesidade, recorrência da doença primitiva, o carcinoma hepatocelular, a hepatite auto-imune, etc.», acrescenta o especialista.

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