O primeiro estudo de Hipertensão na Grávida, realizado em 2005, em 47 maternidades de todo o País, em 6726 mulheres, revela que 6% das mulheres grávidas são hipertensas. Conclui-se que em Portugal a prevalência da Hipertensão durante a gravidez é igual à Europeia.
“A hipertensão durante a gravidez é causa de morbilidade e mortalidade materna e fetal quer de uma forma directa, quer indirecta pela prematuridade e restrição de crescimento fetal que implicam.
Em Portugal conhecendo-se os seus efeitos e consequências, não estava determinado a sua frequência e distribuição da patologia pelo país. A propósito do Congresso Mundial de Hipertensão na Grávida procurou-se avaliar a frequência da hipertensão e o impacto desta patologia nos resultados obstétricos”, explica o Prof. Belmiro Patrício, coordenador do estudo.
Métodos e Conclusões do Estudo de Hipertensão na Grávida
Durante o mês de Novembro de 2005 procurou-se que todas as maternidades aderissem ao estudo, seguindo determinada classificação, adoptada internacionalmente. Das 54 maternidades consultadas 47 aderiram ao estudo.
1. 6% das mulheres grávidas tinham hipertensão durante a gravidez ou no pós-parto;
2. A hipertensão foi caracterizada: 1,5% hipertensão crónica; 2,5%; hipertensão gestacional; 1,4% pré-eclampsia; 0,2% pré-eclampsia sobreposta; 0,1% Eclampsia;
3. Os casos de hipertensão foram mais frequentes nos hospitais de apoio perinatal diferenciado, devendo-se ao encaminhamento das pacientes;
4. A idade foi um factor relevante: nas mulheres com mais de 35 anos (15,9% da população estudada), 9,5% eram hipertensas, enquanto que nas jovens a hipertensão apenas se verificou em 5,3% dos casos;
5. A gravidez múltipla implicou um risco seis vezes maior que a gravidez única;
6. As grávidas com hipertensão tiveram mais consultas do que as mulheres que não tinham hipertensão (14,2 vs 8,9%);
7. As situações de recém-nascidos pré-termo com menos de 37 semanas, de 32 semanas, de baixo peso e casos de mortalidade fetal foram mais frequentes nas mulheres com doenças hipertensivas mais graves.
8. Cerca de 14,3% dos nascimentos pré-termo, 3,3% dos fetos de baixo peso aconteceram em gravidezes com pré-eclampsia.
Conclui-se que em Portugal a prevalência da Hipertensão durante a gravidez é 6%, igual à Europeia. Há forte associação com a eclampsia e o síndrome de HELLP*, situações muito graves que acarretam morbilidade e mortalidade materna e perinatal.
O estudo foi realizado por médicos do Núcleo Português de Estudo da Hipertensão na Grávida (NPEHG): Prof. Belmiro Patrício, Dra. Filomena Cardoso, Dra. Teresa Rodrigues, Dra. Ana Margarida Póvoa, Dra. Fernanda Costa.
Estes resultados serão apresentados à classe médico-científica amanhã no decorrer 15º Congresso Mundial da ISSHP (Sociedade Internacional para o Estudo da Hipertensão na Grávida), no âmbito do 30º aniversário da ISSHP.
O Congresso Mundial de Hipertensão na Grávida aborda temas como: doença hipertensiva da grávida, em particular a pré-eclampsia; restrição ao crescimento intra-uterino do feto (ACIU) e a diabetes gestacional. Tem-se verificado que a gravidez é um teste cardiovascular e de stress metabólico para toda a vida da mulher. As alterações do organismo durante a gravidez alertam as futuras mães e os seus médicos para situações de saúde a que terão de estar mais atentas no longo prazo. Assim, os temas do congresso abordam a saúde durante todo o ciclo de vida da mulher, desde a primeira menstruação até à menopausa.
*[Síndrome que ocorre com o agravamento do quadro de pré-eclâmpsia. HELLP H: hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação); EL: alteração das provas de função hepática (elevated liver functions tests) e LP: diminuição do número de plaquetas (células que auxiliam na coagulação) circulantes (low platelets count)].
FAÇA O DOWNLOAD DO ESTUDO (Documento Associado.pdf)
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