Um check-up à visão depende de vários factores inerentes ao indivíduo e, para além disso, de patologias como o glaucoma, as doenças degenerativas da retina e a retinopatia diabética, que merecem especial enfoque.
Há que considerar a idade quando se fala em exames de despiste. Nesse contexto, surgem os quadros próprios degenerativos maculares (visão central), bem como os da periferia da retina. Se não houver cuidado, os resultados podem conduzir a descolamento da retina, sempre grave e com larga probabilidade de cegueira do olho afectado, se não for efectuada a cirurgia indicada para cada caso.
Nos diabéticos é a retinopatia a assumir protagonismo, independentemente do escalão etário e pela negativa, já que, como é sobejamente conhecido, pode causar cegueira total.
O primeiro exame
em idade pré-escolar
É conveniente que o primeiro exame de acuidade visual aconteça na idade pré-escolar, já que podem aparecer situações que justifiquem tratamento e correcção.
Numa pessoa mais nova, a consulta vocacionada para a visão tem como objectivo, por exemplo, saber até que ponto o indivíduo necessita ou não de usar óculos.
«Há muitas crianças que vão para a escola sem que os pais saibam o grau de acuidade visual. Normalmente, é aí que se descobrem os problemas refractivos, que antes não tinham sido revelados. Nessa altura, a concentração na aprendizagem denuncia problemas a corrigir», explica o Dr. Pedro Carreira da Silva, oftalmologista.
O despiste da retinopatia diabética é independente de qualquer escalão etário, já que a doença pode aparecer em qualquer momento da vida. Os primeiros exames para a diagnosticar devem ser efectuados, pelo menos, «cinco anos depois de ter sido detectada a diabetes, se estivermos perante uma pessoa de 30 anos ou menos; enquanto que acima dos 30 a consulta ao oftalmologista é aconselhada alguns meses após o indivíduo saber que é portador da doença», refere o especialista.
No que diz respeito ao glaucoma, a prevalência sobe significativamente na terceira idade. No entanto, qualquer consulta de rotina permite recolher dados indiciadores da presença da doença e, por vezes, até há resultados positivos mais cedo do que se pensa.
Os exames à retina aumentam a sua relevância a partir dos 50/60 anos, condicionando esta ideia ao facto de não haver um precedente de miopia ou quaisquer outras doenças hereditárias e factores de risco específicos.
Por exemplo, Pedro Carreira da Silva chama a atenção a «quem foi operado a cataratas», já que deve ser alvo de precauções e consultas regulares.
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«A probabilidade de instalação de descolamento de retina aumenta nos doentes operados à catarata quando associada à presença de alterações degenerativas da retina periférica e se a cirurgia por acaso não correu bem a probabilidade deste acidente vir a acontecer sobe exponencialmente», completa o médico.
A periodicidade do exame ocular de rotina, depois da primeira consulta e desde que não haja sinais de existência de patologia, deve ser de dois em dois anos a partir dos 45.
Em circunstâncias que pressuponham doença associada tudo é obviamente diferenciado. A retinopatia exige uma ida ao médico, pelo menos, uma vez durante o ano. As tensões oculares também suscitam a mesma regularidade.
Os perigos do glaucoma
É um dos principais motivos de cegueira, com especial incidência nos mais idosos, nesse argumento assentando também a justificação do rastreio do glaucoma.
Tanto mais quando se sabe que esta doença, quando tratada a tempo, num estado inicial, pode poupar uma incapacidade permanente. O problema reside na elevação da pressão intra-ocular, provocada pela dificuldade de drenagem do humor aquoso (líquido que é produzido no interior do globo ocular). Uma vez que se verifique dificuldade na sua drenagem, isto conduz ao aumento da pressão intra-ocular, com consequências nefastas ao nível da circulação retiniana e nervo óptico, com a consequente afectação da acuidade visual.
Se a pressão aumenta maior é a probabilidade de lesões graves nos tecidos do nervo óptico. Ora, para detectar, prevenir e tratar convenientemente o glaucoma, mais vale que os olhos estejam vigiados pelo oftalmologista.
Retinopatia diabética
Esta doença divide-se em dois tipos: o primeiro, a retinopatia de fundo ou não proliferativa, pode ser considerada uma fase inicial da doença. A visão é atingida por edema ou por isquemia maculares, que podem surgir em simultâneo.
A retinopatia proliferativa traduz-se pelo aparecimento de novos vasos sanguíneos anormais na retina ou no nervo óptico, devido a um problema de circulação sanguínea naquela área. Há sério risco de cegueira, pois afecta a visão central e a periférica.
O Dr. Pedro Carreira da Silva desaconselha a auto-avaliação, mesmo que o doente veja bem. Apesar disso, a diabetes pode já estar a comprometer a retina.
Também esta pode ser uma doença de evolução silenciosa até um estado muito avançado. Contudo, nem sempre assim acontece. Tudo depende da localização das lesões retinianas.
As observações devem, por isso, ser regulares.
«Pessoalmente, sigo os meus doentes uma vez por ano, desde não haja lesões ou se estas forem mínimas», salienta o oftalmologista.
No caso de lesões já devidamente tratadas e sem a presença de factores de risco adicionais, aquele médico recomenda um seguimento bianual. Depois disso, dependendo da gravidade, podem tornar-se necessários exames a cada três ou quatro meses.
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Sintomas do glaucoma:
Na esmagadora maioria das vezes, esta é uma doença «surda», que evolui sem qualquer espécie de sintoma. Quando a perturbação da acuidade visual, relacionada com o glaucoma, se manifesta já a doença tem um elevado grau de progressão.
Em alguns tipos de glaucoma, nomeadamente nas crises agudas, os sintomas que devem originar uma ida urgente ao oftalmologista incluem: olho vermelho, dor ocular acentuada associada frequentemente a dor de cabeça, náuseas e vómitos, visão turva, auréolas de arco-íris ao redor de luzes.
Há que referir que esta não é a forma mais frequente de apresentação do glaucoma. Via de regra, não se verifica a presença de qualquer tipo de sintoma, o que torna esta doença difícil de detectar por parte do doente. Por isso requerer um despiste sistemático em qualquer consulta de oftalmologia, nomeadamente nos pacientes portadores de factores de risco.
Os exames para despiste do glaucoma:
A tonometria mede a pressão intra-ocular.
A gonioscopia inspecciona o estado da estrutura através da qual se faz a drenagem do humor aquoso.
A oftalmoscopia dá indicações acerca do estado do nervo óptico.
A perimetria faz a avaliação dos campos visuais.
Estes são os exames que normalmente se executam para despiste de glaucoma. Contudo, outros existem mais complexos e sofisticados que poderão ser realizados no caso de o oftalmologista entender que é necessário.
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