A gengivite é uma inflamação das gengivas que se traduz pelo inchaço, dor e sangramento das mesmas. Tratada a tempo, a gengivite pode não ter consequências e até mesmo ser um bom pretexto para melhorar a higiene da sua boca. Se for negligenciada, pode levar até à perda dos dentes.
É por isso que se diz que há duas fases na doença das gengivas: a gengivite, entendida como a fase inicial e reversível da doença das gengivas, que se manifesta por uma inflamação das gengivas provocada pelo crescimento da placa bacteriana na zona entre o dente e a gengiva; e a periodontite, fase irreversível da doença, quando o osso e as fibras de suporte que mantêm os dentes no seu lugar foram irremediavelmente afectados.
Um tratamento dentário adequado e um cuidado melhorado da higiene oral podem prevenir a progressão da doença. Acresce dizer que uma escovagem incorrecta pode permitir a formação da placa bacteriana. Esta placa é uma película constituída por bactérias e seus produtos, que se forma constantemente sobre os dentes e gengivas.
Ao princípio esta película assume uma consistência mole, facilmente removível pela escovagem cuidadosa dos dentes, mas quando não é removida vai mineralizar e então designa-se por tártaro. Embora a causa principal da gengivite seja a placa bacteriana, outros factores podem agravar ou predispor para a inflamação, nomeadamente a gravidez, a puberdade e os medicamentos contraceptivos (a gengivite da gravidez, devido principalmente a alterações hormonais, é um agravamento de uma gengivite ligeira).
Os sintomas da gengivite podem incluir: gengivas avermelhadas; gengivas inchadas; gengivas que sangram durante a escovagem, a mastigação ou uso do fio dentário; mau hálito e mau sabor na boca; gengivas sensíveis e igualmente indolores ao toque; feridas na boca. Resta dizer que as gengivas saudáveis são firmes e de cor rosa pálido. Se as gengivas estão inchadas e sangram facilmente, podemos estar perante uma gengivite.
Chegou a hora de tomar medidas para melhorar a sua higiene oral podendo contar, para tal, com ajuda do seu farmacêutico.
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Qual a melhor prevenção da gengivite
A gengivite pode ser evitada com uma boa higiene da boca e dos dentes, desde que se respeitem um conjunto de cuidados e que são: escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, de forma a impedir a formação da placa bacteriana; utilizar sempre um dentífrico com fluor (de 1000 a 1500ppm de flúor) porque é a concentração indicada para a prevenção da cárie – no final da higiene oral, não se deve passar a boca por água mas sim cuspir os excessos de dentífrico, desta maneira a acção dos compostos fluoretados será mais prolongada; utilizar escova adequada (importa recordar que a cabeça da escova deverá pequena e macia para evitar lesões nas gengivas); a escova de dentes deve ser substituída pelo menos de 3 a 4 meses, porque as cerdas começam a ficar gastas e deformadas, e por isso são inúteis; utilizar diariamente fio ou fita dentária, usando-o antes da escovagem para a acção protectora do dentífrico seja mais prolongada; ir regularmente ao dentista para também fazer uma limpeza profissional dos dentes.
Tenha-se em conta que as fases iniciais da gengivite podem ser tratadas através da escovagem e do uso do fio dental, sendo que se estes procedimentos não forem suficientes há que ir urgentemente ao dentista.
Nem sempre a falta de higiene é a causa principal da gengivite
Apesar de ser principalmente causada por uma higiene deficiente, uma boa percentagem da população tem uma carga genética que a torna mais propensa a ter a bactéria que se pensa ser responsável pelo desenvolvimento da placa bacteriana. Recorde-se que há grupos populacionais mais suscitáveis para a ocorrência da gengivite, é o caso das grávidas e adolescentes devido às alterações hormonais que têm lugar nestes períodos, fumadores, mas também os idosos. A periodontite é uma das principais causas de desprendimento de dentes em adultos e pessoas idosas.
Há medicamentos que podem provocar o crescimento das gengivas, tornando mais difícil a eliminação da placa bacteriana: é o caso de alguns medicamentos utilizados para controlar as convulsões, aqueles que são tomados pelas pessoas submetidas ao transplante de órgãos ou alguns dos que se tomam para controlar a pressão arterial e as alterações da frequência cardíaca.
Então, como evitar a placa bacteriana, como ter uma boa higiene oral
Uma boa higiene oral leva à remoção eficaz dos restos dos alimentos e dificulta a acção das bactérias nos dentes e gengivas. É sempre a boa higiene oral o primeiro passo para a boa conservação dos dentes.
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Todos nós desenvolvemos placa bacteriana, as bactérias proliferam constantemente na nossa boca. Tenha-se em conta que as bactérias que constituem a placa bacteriana, em presença de hidratos de carbono (especialmente açúcares) produzem ácidos que vão desmineralizar os tecidos duros do dente. Sendo a formação da placa bacteriana um processo inevitável, devemos agir para minimizar a formação desta placa. O uso da escova e do fio dentário faz parte das medidas indispensáveis. Mas temos que moderar o consumo de alimentos com açúcar e bebidas açucaradas, pois estes facilitam a adesão das bactérias aos nossos dentes e são usados para a produção de ácidos que os destroem.
Para além do que já se disse sobre a prevenção das gengivites e sobre os cuidados em prol de uma correcta higiene oral, é ainda possível o recurso a elixires ou colutórios para bocheco, sempre que haja indicação para tal.
Alguns destes produtos podem ser uma boa ajuda no controlo da formação da placa bacteriana, no entanto não devem ser usados por períodos prolongados, visto poderem levar a um desequilíbrio da flora bacteriana normal da cavidade oral; há mesmo alguns colutórios desinfectantes que podem deixar os dentes manchados quando usados indevidamente.
Nas crianças, é essencial introduzir o hábito da higiene oral cuidadosa desde cedo, mesmo antes de surgir o primeiro dente. Quando este surge, é importante que comece, desde logo a ser utilizada uma pasta com flúor, tendo especial atenção à quantidade de dentífrico colocado na escova (equivalente à unha do dedo mindinho da criança, e a possibilidade de ingestão do mesmo. Os suplementos de flúor só devem ser dados por indicação médica.
Para a prevenção das gengivites, use e abuse do aconselhamento farmacêutico
O seu farmacêutico sabe que a saúde oral é de grande importância para o seu estado geral de saúde. Conte com ele para o aconselhamento sobre os cuidados e para saber mais sobre os produtos adequados para manter uma boca e gengivas saudáveis.
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Se julga estar a sofrer de gengivite ou pretende melhorar os seus padrões de higiene oral, procure junto do profissional de saúde as indicações sobre escovagem dos seus dentes, o tipo de escova apropriada, informações sobre dentífricos devidamente fluoretados, como se usa, a bem da higiene oral, o fio dentário. Não se deve escolher à toa elixires ou colutórios pois não são todos iguais, podendo ter aplicações bastante diferentes (por exemplo, prevenção da cárie, anti-sépticos ou branqueadores). Com a ajuda do seu farmacêutico saberá qual o mais adequado para si e quais os cuidados a ter em conta na sua utilização.
Já perante um caso de gengivite persistente ou quando já se chegou à periodontite, o farmacêutico encaminhará o doente rapidamente para o dentista. Os departamentos oficiais de saúde disponibilizam informação sobre a boa higiene oral e quais os seus problemas mais comuns, bem como os prevenir. Peça ao seu farmacêutico informações complementares sobre as técnicas corretas de escovagem tanto para crianças como para adultos.
Recorde-se que há preceitos a cumprir que são fundamentais para a prevenção da gengivite. É o caso de inclinar a escova em direcção à gengiva num ângulo de 45º de encontro à gengiva, fazendo pequenos movimentos horizontais, tipo vaivém ou circulares, de modo a que os pelos da escova limpem o sulco gengival (espaço que fica entre o dente e a gengiva).
Se tiver dúvidas, o seu farmacêutico também lhe dará conselhos sobre como escovar suavemente as superfícies exteriores e interiores, as superfícies de mastigação, de como escovar a sua língua suavemente, desde a base em direcção à ponta (de modo a remover as bactérias e a refrescar o seu hálito), como usar a escova eléctrica, o fio dentário, etc. Porque uma correcta escovagem remove a placa bacteriana como impede a formação de tártaro. Recorde-se que a partir do momento em que existe a tártaro só um dentista o poderá remover (este processo de remoção chama-se destartarização).
Como vê, a farmácia é um espaço de saúde ideal para ajudar os utentes a prevenir ou a tratar a gengivite. Usebem este conselho e os seus dentes agradecem-lhe!
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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