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Soluções eficazes no tratamento da osteoporose

A evolução do tratamento da osteoporose tem sido significativa nos últimos 20 anos. Na verdade, foi sobretudo nestas duas décadas que se passaram a conhecer melhor os fenómenos de natureza celular ligados à formação e reabsorção do osso.

Para o Dr. Pedro Cantista, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, esses fenómenos traduzem-se, essencialmente, pelo «conhecimento do papel que os osteoblastos (células ligadas à “construção” das trabéculas) e os osteoclastos (células ligadas à reabsorção) desempenham; pela compreensão do complexo metabolismo fosfocálcico; pelo conhecimento da biomecânica do osso e da sua resistência aos traumatismos; pelo estudo da epidemiologia das fracturas e, finalmente, pelo desenvolvimento de terapêuticas eficazes graças a uma investigação de dimensão nunca antes atingida». Passou, portanto, a haver um melhor conhecimento da doença e da sua importância. A classe médica interessou-se bastante por esta patologia e está hoje muito mais informada e atenta. «O público em geral também já tem, em minha opinião, um conhecimento razoável da osteoporose, embora haja ainda algumas ideias incorrectas acerca da doença e segmentos da população mal informados», adverte Pedro Cantista, acrescentando: «Destaco, finalmente, como avanço fundamental, o desenvolvimento de um método auxiliar de diagnóstico que se mostrou absolutamente decisivo para indicar ou orientar correctamente o tratamento. Refiro-me à densitometria óssea, nomeadamente, à técnica que utiliza a dupla absorciometria de radiação X, vulgarmente designada por DEXA.» Em Portugal, este conjunto de desenvolvimentos permitiu um enorme progresso no tratamento da osteoporose. No entanto, o nosso entrevistado admite «a existência, ainda, de um défice de diagnósticos, ou seja, muitos casos por detectar e também alguma prática incorrecta nos protocolos de tratamento». Soluções para tratar a mulher pós-menopáusica Existem medidas absolutamente consensuais em algumas das soluções a adoptar e alguns outros aspectos do tratamento com possíveis opções alternativas. Especificando melhor, Pedro Cantista diz-nos que «é aceite universalmente que medidas preventivas, como uma boa alimentação (correcto aporte de cálcio e vitamina D), a prática de exercício físico bem-orientado e o evitar de um conjunto de factores de risco (como o tabaco, o excesso de álcool ou café, etc.) são absolutamente fundamentais». Por outro lado, há também um consenso alargado quanto ao tipo de fármacos a utilizar num grande número de situações, «nomeadamente, aos chamados “anti-reabsortivos” como os bifosfonatos (essencialmente o alendronato e o risedronato) e os SERMS, substâncias modeladoras dos receptores de estrogénios (cujo principal produto utilizado é o raloxifeno)». Igualmente, há hoje novos critérios em relação à utilização de estrogénios na pós-menopausa. A maioria dos peritos defende que «a terapia hormonal de substituição não deverá ultrapassar os cinco anos e terá, sobretudo, como indicação a síndrome vasomotora (popularmente designada por “calores” ou “fogachos”), quando esta sintomatologia se tornar de difícil tolerância para a mulher». Em algumas situações muito particulares, outras terapêuticas podem ser adoptadas. No entanto, a sua prescrição não está ainda generalizada. «Refiro-me, essencialmente, a novos medicamentos “formadores” de osso, como o teriparatide, e aos “velhos” anabolizantes, com um papel ainda válido, embora muitíssimo restrito.» O alendronato é, «sem dúvida, um dos medicamentos de referência no tratamento da osteoporose. Digo isto porque a sua eficácia, quer para aumentar a massa óssea, quer sobretudo para diminuir a incidência de fracturas vertebrais e não vertebrais (particularmente as da anca), foi demonstrada em estudos epidemiológicos de grande dimensão. O primeiro desses estudos foi efectuado já há mais de 10 anos. Desde então, sucessivos trabalhos evidenciaram de forma consistente a mesma eficácia e tolerância», explica Pedro Cantista. Em tom de conclusão, salienta ainda «o extraordinário avanço que foi atingido com a constatação da possibilidade de efectuar apenas uma toma semanal deste medicamento sem perda da sua eficácia. Este aspecto tornou a posologia muito cómoda».

Medidas preventivas da osteoporose Ao longo de toda a nossa vida, devemos adoptar comportamentos correctos sob o ponto de vista da nossa saúde. Curiosamente, esses comportamentos não só se mostram úteis para a osteoporose com também para muitas outras doenças. O Dr. Pedro Cantista deixa-nos os seguintes conselhos: 1) Alimentação: a) Correcto aporte de cálcio (variável, segundo as idades ou circunstâncias da vida, entre 1200 e 1500 mg/dia). Quando verificamos que, na dieta quotidiana, este quantitativo não é atingido, devemos proceder a uma suplementação de cálcio, repondo os valores recomendados; b) Vitamina D (também variável segundo as condições específicas como, por exemplo, o número de horas de exposição solar). Geralmente, recomenda-se entre 250 e 600 Unidades Internacionais; c) Evitar excesso de proteínas; d) Evitar algumas bebidas gaseificadas fosfatadas; e) Evitar café ou álcool em excesso. 2) Exercício: a) Praticar regularmente exercício aeróbico (marcha, por exemplo, durante uma hora por dia); b) Praticar também, duas a três vezes por semana, exercícios de força e carga, orientados pelo seu médico, mais específicos para ganhos de massa óssea localizada;

c) Treinar o equilíbrio e a coordenação motora, de modo a reduzir ao máximo o risco de queda, sobretudo nas pessoas idosas.

3) Fármacos: Mesmo numa situação que ainda não classificámos de osteoporose, mas em que já se verifica uma acentuada diminuição de massa óssea (que designamos por osteopenia), é lícito e correcto instituirmos preventivamente a administração de fármacos anti-reabsortivos. Em geral, quando temos um valor densitométrico negativo de 2 desvios-padrão. Mas a decisão do início da farmacoterapia é variável segundo várias circunstâncias e deve ser ponderada pelo médico assistente.

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