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Sensibilizar os asmáticos para o controlo da doença

Identificar casos de asma não diagnosticados e avaliar o nível de controlo da doença nos asmáticos, através do Teste de Controlo da Asma, foram os objectivos de uma acção promovida pela Associação Portuguesa de Asmáticos.

Desprovida de lembranças sem os característicos sintomas da asma, Marta Mello Breyner é filha de pai asmático e de nove irmãos faz parte dos cinco que sofrem da mesma doença.

«Na minha juventude estava sempre condicionada pela asma. Por exemplo, não podia praticar exercício físico tantas vezes quanto desejava, devido às crises, que por vezes também me impossibilitavam de ir ao colégio», contou Marta Mello Breyner, sócia da Associação Portuguesa de Asmáticos (APA).

À medida que os anos foram passando, a situação melhorou. Mas, voltou a piorar depois da primeira gravidez aos 22 anos.

«Tomava broncodilatadores, que apenas tratavam os sintomas. Entretanto, surgiram novos medicamentos, indicados para tratar a asma na sua vertente inflamatória, o que me devolveu qualidade de vida», afirmou esta lisboeta de 45 anos, mãe de cinco filhos, dos quais três são asmáticos.

Além da medicação, Marta tem o cuidado de avaliar regularmente o nível de controlo da sua asma. Recentemente, numa acção promovida pela APA, fez uma espirometria para avaliar a função respiratória.

Rastreios da asma

A espirometria é, no entanto, um de vários exames normalmente efectuado pelos asmáticos, ou aconselhado a indivíduos quando há suspeita de que sofram de doença respiratória.

De forma a sensibilizar doentes, mas também a população em geral, a Associação Portuguesa de Asmáticos organizou um rastreio da asma na cidade de Odivelas, abrangendo os concelhos de Odivelas e Loures. Para tal, contou com o apoio da Junta de Freguesia de Odivelas e da GlaxoSmithKline.

Quanto aos principais objectivos foram, segundo indicou a Dr.ª Filomena Neves, médica imunoalergologista e da organização da APA, «identificar casos de asma não diagnosticados e avaliar o nível de controlo da doença nos asmáticos».

E completou: «Além de mostrar que esta doença pode ser controlada, pretendemos, ainda, divulgar a Associação Portuguesa de Asmáticos, que foi fundada em 1995 por um grupo de asmáticos e com o apoio de médicos especialistas. Os objectivos prioritários são sensibilizar para a asma, proporcionando informações e conselhos que contribuam para o controlo da doença e melhoria da qualidade de vida dos asmáticos. A APA tem assim 11 anos de e só conta com cerca de 800 sócios, um número muito reduzido atendendo à existência de aproximadamente um milhão de asmáticos em Portugal.»

Nesta acção todos os interessados realizaram o Teste de Controlo da Asma (ACT), uma «ferramenta» de auto-avaliação criada para ajudar as pessoas com mais de 12 anos a avaliar o controlo da sua asma. Tem 5 questões com 5 respostas possíveis, classificadas com uma escala de 1 a 5 pontos. Quando a soma das 5 perguntas atinge 25 pontos, significa que há controlo total da asma.

Os participantes que atingiam aquele valor eram dispensados de outras avaliações. Já se os valores fossem baixos, faziam um teste adicional de medição do fluxo expiratório, que mostra se existe ou não obstrução brônquica; se existisse obstrução brônquica, os indivíduos realizavam a espirometria.

E porque muitas vezes a asma «anda de mãos dadas» com outras doenças alérgicas, foram também efectuados testes de sensibilidade cutâneos.

No final, aqueles que usufruíram da iniciativa receberam uma cópia com a avaliação médica e, caso fosse necessário, aconselhados a procurar os respectivos médicos de família.

Rastreios no Pavilhão Polivalente de Odivelas

Maria José Martins, de 83 anos, mora em Odivelas e não hesitou em entrar no local onde os rastreios estavam a ser efectuados. «Sou asmática, por isso apenas serviu para saber, através do Teste de Controlo da Asma, se estava com a doença controlada», disse esta reformada, que não necessitou de medir o fluxo respiratório. Também fez os testes cutâneos, mas não acusou qualquer alergia.

Maria Fernanda Almeida Vivo, de 63 anos, não beneficiou do mesmo… Entrou no Pavilhão Polivalente de Odivelas porque, nas suas palavras, «sempre que tenho conhecimento de acções deste género faço os possíveis para participar, pois preocupo-me com a minha saúde». Fez os dois primeiros testes e foi aconselhada a fazer também a espirometria. Tem obstrução brônquica e vai mostrar os resultados obtidos neste rastreio ao seu médico de família.

Sandra Pereira, de 30 anos, aderiu à iniciativa por curiosidade. «Fiz o teste mas como não sou asmática nem sequer fiz a espirometria», referiu esta jovem desempregada, que finalizou o rastreio com os testes cutâneos, cujo resultado foi negativo a todos os alergénios.

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