«Carne vegetal», «carne da terra» ou «grão mágico» são três dos nomes usados para designar a soja, uma planta nativa do Sudoeste Asiático, usada há mais de 5 mil anos no Oriente, sendo considerada pelos Chineses e Japoneses como uma das cinco sementes sagradas.
A maior parte da soja é oriunda das Américas, sobretudo, EUA e Brasil, mas pode ser geneticamente manipulada e até mesmo plantada noutras regiões do globo.
No que respeita ao aspecto exterior, a soja é semelhante à ervilha. É a cor creme que a diferencia desta leguminosa e não só…
«A soja pertence à família das leguminosas, mas não é esta característica que a valoriza, mas sim por ser composta por um alto teor de proteínas, gorduras polinsaturadas e hidratos de carbono», explica o Dr. Pedro Lôbo do Vale, médico e consultor da Associação Portuguesa de Alimentação Racional e Dietética.
Durante muito tempo usada, principalmente, na alimentação diária dos vegetarianos, a soja tem vindo a ganhar «fãs» que não adoptam um estilo de vida que exclui a ingestão de produtos animais.
Contudo, são muitas as pessoas que continuam a ter a ideia – errada – de que o simples facto de trocar a carne pela soja irá contribuir para o desaparecimento dos incómodos quilogramas a mais.
«A soja não é um alimento para emagrecer, mas sim um alimento saudável, com especial destaque na dieta mediterrânica, competindo com outras leguminosas», elucida o médico. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), «apenas a proteína do leite, do ovo e da soja contêm os aminoácidos essenciais».
Rebentos de soja, mas não só…
O consumo de soja é um tanto ou quanto recente no nosso País, quando comparado com os países orientais. No «outro lado do mundo», este grão foi durante muito tempo consumido das formas mais tradicionais. Os rebentos de soja são disso um exemplo.
«Hoje em dia obtêm-se da soja vários produtos, baseados no seu grau de proteínas e gordura, tais como “leite”, “iogurte”, salsichas, “natas”, gelados, tofu, massas, margarina e óleo de soja», refere Pedro Lôbo do Vale, acrescentando:
«Existe um número ilimitado das preparações que se podem fazer e a grande evolução que a soja tem sofrido deve-se, em especial, à apresentação e sabor, bem como aos benefícios recentemente descobertos na prevenção de algumas doenças.»
A soja tem sempre de ser cozinhada, excepto os rebentos, que podem ser usados nas saladas. Deste modo, ao consumidor restam duas opções: adquirir os produtos já preparados, ou comprar o grão ou granulado de soja e confeccionar a refeição.
Benefícios vários
São inúmeras as vantagens da introdução da soja e seus derivados na alimentação diária, quer em conjunto com outros alimentos, quer através dos seus derivados.
«Recentemente, foi descoberto que a soja possui determinados compostos fenólicos, as isoflavonas, que têm uma ligeira actividade estrogénica, sendo por esse motivo designadas por fitoestrogénios», indica Pedro Lôbo do Vale, continuando:
«Está provado que as isoflavonas podem ser muito benéficas para a saúde, especialmente para as mulheres, no combate à osteoporose e aos sintomas desagradáveis da menopausa.»
Além de ajudarem a atenuar os afrontamentos, as isoflavonas revelam ser elementos capazes de inibir e prevenir o aparecimento de certos tipos de cancro. Existem, aliás, estudos epidemiológicos indicadores da baixa prevalência de cancro da mama, ovários e próstata nas populações chinesa e japonesa, onde a soja é uma presença constante na alimentação diária.
A hipercolesterolemia representa um factor de risco das doenças cardiovasculares. Mas basta uma redução de 10% nos valores séricos de colesterol para diminuir em 20% o risco das referidas patologias.
De acordo com Pedro Lôbo do Vale, «o potencial terapêutico da soja na prevenção das doenças cardiovasculares já foi oficialmente reconhecido pelas autoridades de saúde norte-americanas (FDA). Aliás, vários estudos concluem que o consumo diário de 25 g de proteína de soja é benéfico para o coração, reduz os níveis de colesterol total, triglicéridos e LDL (“mau” colesterol) e incrementa o HDL (“bom” colesterol)».
Com estas características e, claro, com o seu agradável sabor, é impossível não resistir aos «encantos» de uma semente que há séculos cativa os povos orientais.
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