Muito mais que um regime alimentar, a macrobiótica esteve mais uma vez em discussão durante um seminário cujo orador foi o seu criador. O Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP) promoveu o evento e nas vésperas organizou um almoço… macrobiótico, claro!
O líder da comunidade macrobiótica internacional, Michio Kushi esteve em Portugal. Orador das palestras «A saúde física e emocional ao alcance de cada um» e «O novo homem no contexto da sociedade actual» objectivou, mais uma vez, difundir uma mensagem relacionada com a macrobiótica.
Na primeira, destinada ao público em geral, pretendeu dar-se uma perspectiva macrobiótica sobre a recuperação da saúde, através da alimentação e estilo de vida.
Os desafios da actualidade e o contributo da macrobiótica para o entendimento do sentido da vida e desenvolvimento pessoal foram abordados na segunda palestra, que se destinou a estudantes de macrobiótica.
Almoço como entrada
O evento foi organizado pelo Instituto Macrobiótico de Portugal e com o intuito de divulgar a leigos e entendidos a referida acção organizou um almoço no restaurante Terreiro do Paço.
Como não poderia deixar de ser, a ementa foi especialmente concebida para a ocasião. Não faria sentido introduzir o «Seminário Michio Kushi» sem ter à mesa uma verdadeira refeição macrobiótica.
A refeição, elaborada pelo chefe Vítor Sobral, uma referência na gastronomia portuguesa, e por Ida Candeias, responsável de cozinha do IMP, resultou numa perfeita combinação de sabores. Sopa de lentilhas com crutons, risotto de camarão, tofu gratinado, legumes salteados no wok, pudim de castanhas e chá três anos constituíram a ementa do almoço de apresentação do Seminário, realizado nos dias 10 e 11 de Dezembro na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa.
«Se não fosse Michio Kushi dificilmente estaríamos aqui reunidos», disse o Dr. Francisco Varatojo, director do IMP, explicando:
«Foi responsável por uma revolução pacífica através de seminários e palestras, cuja mensagem foi sendo difundida por macrobióticos. Desta forma, esteve por detrás de muitas mudanças, que agora fazem parte do dia-a-dia.»
Francisco Varatojo começou a estudar Macrobiótica em 1977 com este japonês que visita o nosso País regularmente desde 1975. O seu principal interesse assenta na aplicação dos princípios macrobióticos à área da cura natural e resolução de problemas sociais. Aliás, a solução para muitos dos problemas de saúde do ser humano passa por aquilo que ele come. Este é um princípio básico defendido pela macrobiótica.
Acontece, no entanto, que esta alimentação é muitas vezes confundida o vegetarianismo.
Todavia, ao contrário do que muitos pensam, são muito diferentes.
Conforme esclareceu o director do Instituto Macrobiótico de Portugal, «existem várias diferenças, mas a principal é que os macrobióticos têm a ideia do que são alimentos principais e secundários, não há alimentos proibidos e os cereais têm de estar presentes em todas as refeições, o que não acontece no vegetarianismo».
Muito mais que uma dieta…
O modelo da alimentação macrobiótica começou a ser desenvolvido no final da década de 70 por Michio Kushi.
Todavia, a macrobiótica não é apenas um regime alimentar. É também uma filosofia de vida e a palavra, que deriva do Grego, tem inerente este facto: «macro» significa grande e bio quer dizer «vida». Não significa também unicamente «grande vida», mas também a capacidade de se viver de forma grandiosa.
Segundo Francisco Varatojo, «a alimentação é importante, essencial, porque nos dá a base biológica, a saúde para gozarmos a vida em todo o esplendor e para termos sensibilidade para com o meio que nos rodeia».
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