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Saber viver com rinite alérgica

A rinite alérgica afecta trinta por cento dos portugueses, embora atinja de forma ligeira a moderada quinze por cento. A doença agrava-se na Primavera, devido aos pólenes e no Outono e Inverno por causa dos ácaros. A rinite alérgica é transversal a todas as idades e o seu tratamento deve ser encarado como uma prioridade, para garantir a qualidade de vida de todos os doentes, sobretudo, dos mais velhos.

A rinite consiste «numa inflamação, por vezes crónica das vias respiratórias superiores (nariz) e dos seios perinasais (área em redor), com impacto ao nível do aparelho respiratório», explica o Dr. Carlos Nunes, imunoalergologista do Centro de Imunoalergologia do Algarve. Afirma que é frequente uma rinite alergica poder gerar uma rino-sinusite e salienta que tratar a rinite é fundamental para evitar complicações associadas como a asma, sobretudo, nos seniors. Até porque o problema da rinite alérgica no idoso pode-se complicar com o agravamento de «patologias das vias respiratórias inferiores, particularmente com a bronquite e a asma».

Comichões no nariz e nos olhos acompanhadas por espirros frequentes são sintomas comuns num quadro de rinite alérgica, o qual se reflecte na respiração nocturna e, consequentemente, no funcionamento do pulmão, refere o especialista. “O idoso acaba por respirar mal à noite – apneia do sono- tem falta de ar e essa situação tem efeitos ao nível do funcionamento do pulmão”.

Carlos Nunes aconselha os idosos que sofrem de rinite alérgica a seguirem um tratamento para esta afecção respiratória, pois “devem tratar do seu nariz, de forma a evitarem complicações pulmonares”.

Porque surge a rinite alérgica?

Os principais factores que contribuem para o surgimento da rinite são os designados alergénios, como, por exemplo, os ácaros do pó da casa e os pólenes, responsáveis pela criação de anticorpos no sangue, que irritam as células. De que falamos? Chamam-se alergénios, porque orginam alergias e “são substâncias químicas – nomeadamente proteínas e, em menor grau, glicoproteínas – que provocam uma reacção no sangue», define o imunoalergologista do Centro de Imunoalergologia do Algarve.

Tratar significa ter qualidade de vida

Os idosos com rinite alérgica devem seguir um tratamento aconselhado pelo seu alergologista, para evitar complicações associadas como a asma e garantir a sua qualidade de vida, alerta Carlos Nunes. Explica que a rinite e a asma andam, por vezes, de mãos dadas, «desenvolvendo-se a doença asmática em cerca de trinta por cento dos doentes com rinite alérgica, após meses ou anos».

Como devem ser tratados os idosos com rinite alérgica? Os idosos devem tomar «anti-histamínicos orais da terceira geração (não sedativos) com corticóides tópicos ao nível nasal. Não devem igualmente esquecer de limpar as fossas nasais, através do uso de soro fisiológico», lembra.

As vacinas anti-alérgicas ou imunoterapia específica é outra das ferramentas terapêuticas para evitar o surgimento de complicações associadas à rinite alérgica na terceira idade. A redução dos anticorpos é a principal vantagem da vacinação comparativamente à toma de comprimidos, na medida em que «estes apenas permitem o tratamento dos sintomas», remata o especialista.

Seguir a terapêutica é indispensável na classe etária acima dos 65 anos, para ter uma boa qualidade de vida, principalmente, quando os idosos têm outras doenças e para « reduzir o impacto nas vias respiratórias inferiores (brônquios)». Acrescenta que se os idosos com ritine alérgica forem tratados de forma adequada, evitarão doença cardiovascular derivada de limitações de oxigenação que poderá surgir devido à ausência de terapêutica.

E você sabe se tem rinite alérgica?

Carlos Nunes explica que o diagnóstico da rinite alérgica baseia-se no estudo da história clínica dos idosos, na observação do seu nariz e na realização de testes cutâneos ou de análises ao sangue.

São os idosos muito afectados pela rinite?

Segundo os resultados do estudo ARPA Seniors (Rinite Alérgica Persistente), quinze por cento dos idosos têm rinite moderada ou grave, percentagem que aumenta quando são consideradas as classes etárias mais jovens, indica Carlos Nunes. A investigação foi conduzida entre os meses de Maio e Julho de 2008 e pretendeu aferir qual a prevalência da rinite alérgica na terceira idade, bem como a sua relação com a asma. «Constatou-se que quarenta e quatro por cento dos inquiridos idosos tinham rinite alérgica e asma».

Quais as dificuldades dos idosos com rinite alérgica, sobretudo no Inverno?

A humidade facilita o surgimento dos ácaros domésticos, daí o seu número aumentar durante as estações do Outono e do Inverno. «Os ácaros domésticos provocam maior irritação nasal com espirros e água das narinas», explica o Dr. Carlos Nunes.

Como enfrentar a estação da melhor forma?

● Ventilar a habitação
● Aspirar chão e colchões
● Fazer limpeza nasal
● Assoar o nariz, quando existe irritação nasal
● Lavar o nariz com soro fisiológico

Jornal do Centro de Saúde

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