Quando a bexiga não pára
Os doentes com incontinência por imperiosidade “tendem a defender-se dos ‘ataques surpresa’ da micção involuntária e, à custa de episódios inesperados, aumentam a frequências da micção, ou seja, passam a vida a correr para a casa de banho. Estes são os doentes, com frequência diurna e nocturna, que, na grande parte das vezes, têm de interromper o seu sono e levantarem-se para urinar.” Cirurgia em 10 minutos A primeira abordagem do tratamento da incontinência urinária, nos casos ligeiros e moderados “deve ser sempre através da fisioterapia, tentando o fortalecimento da musculatura pélvica”. Não se obtendo resultados com esta técnica de reabilitação, “existem possibilidades cirúrgicas, através das quais é permitido curar o doente”. Esta cirurgia, como explica o urologista, não obriga a internamento, pelo que a pessoa pode obter alta no mesmo dia em que é sujeita a esta intervenção. A taxa de sucesso desta técnica cirúrgica “ronda os 85-90%, nas situações de incontinência urinária de esforço” (ver caixa). No caso da incontinência urinária por imperiosidade, “existem fármacos que garantem o controlo de 70 a 80% das situações deste tipo”, adianta o especialista. Estes medicamentos ajudam a reduzir a “excitabilidade do músculo da bexiga e evitam, assim, a contracção involuntária, que provoca as perdas de urina”. A par destas soluções, há, ainda, a possibilidade de aplicar tratamentos intra-vesicais, que consistem na “aplicação de fármacos dentro da bexiga”. Este líquido injectável vai “acalmar a bexiga e permitir que o doente não tenha uma contracção vesical súbita, nas situações de incontinência por imperiosidade”. Nestes casos, é, ainda, possível “educar a bexiga”, através da micção temporizada. “O doente calcula a frequência e o período da micção. Se a pessoa indicar que consegue aguentar cerca de quatro horas, então, pedimos para proceda à micção meia hora antes.” Diagnóstico da incontinência O diagnóstico desta patologia faz-se por intermédio do historial clínico do doente. Para além disso, efectua-se um exame físico, que, “através da na realização de diferentes manobras, permite identificar o tipo de incontinência urinária”, refere Paulo Dinis. Os restantes exames clínicos englobam as análises gerais, as análises de urina e uma ecografia. Como funciona a técnica TVT? Cirurgia “simples”, realizada em ambulatório, com uma taxa de cura que se situa entre os 85 a 90%. Esta intervenção implica uma “incisão de um centímetro, na parede da vagina, por onde se coloca uma fita [rede feita de material sintético], por debaixo da uretra, que vai reforçar estas estruturas de contenção”. No entanto, ressalva Paulo Dinis, antes da cirurgia, a primeira opção clínica deve ser a fisioterapia, para fortalecimento dos músculos pélvicos.
Jornal do Centro de Saúde
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