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Professor Doutor Ricardo Seabra Gomes » “Cada pessoa deve ser responsável pela sua saúde”

Hoje em dia, os portugueses estão cada vez mais informados sobre os riscos que podem correr com a sua saúde. No entanto, ainda não estão “completamente empenhados na promoção dos seus próprios estilos de vida mais saudáveis”.

Esta ideia, defendida pelo Coordenador Nacional para as Doenças Cardiovasculares e Presidente do Instituto do Coração, Prof. Doutor Ricardo Seabra Gomes, vem reforçar a campanha de sensibilização que o Jornal do Centro de Saúde impulsiona neste mês de coração.

Para 2006, as prioridades deste grupo de trabalho do Alto Comissariado da Saúde passam pela “melhoria da acessibilidade do cidadão aos cuidados médicos mais expeditos e adequados para as situações de enfarte agudo do miocárdio e de AVC”.

Saiba tudo na entrevista que se segue.

Qual a diferença entre doenças cardiovasculares e AVC?

Trata-se de uma questão de designação que poderá confundir as pessoas não ligadas à medicina. O termo doenças cardiovasculares poderá chamar mais a atenção para o coração (Cardio) e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) chamará mais a atenção para uma complicação da doença vascular das artérias que irrigam o cérebro.

A designação “doenças cardiovasculares” é mais abrangente e inclui as doenças vasculares das artérias coronárias (as que irrigam o músculo cardíaco), das artérias carótidas e intracraneanas (que irrigam o cérebro) e da aorta e artérias mais periféricas (que irrigam os membros inferiores, por exemplo).

Todas são doenças vasculares, para todas, os factores de risco são semelhantes e o mecanismo fisiopatológico – que leva ao aparecimento da doença e às suas complicações – é o mesmo.

São, essencialmente, doenças aterotrombóticas, o que significa que todas são iniciadas pela formação de placas ateroscleróticas nas artérias (inicialmente ricas em gorduras do sangue – o “colesterol”) e, quando, por vários mecanismos se rompem, originam trombos (agregados de plaquetas que são os componentes do sangue mais “espessos”) que podem ocluir (“entupir”) as artérias onde se formam ou outras mais distantes na corrente sanguínea (originando embolias).

Alguma “confusão” poderá resultar de ligar exclusivamente o AVC à hipertensão arterial. A hipertensão é altamente prevalente em Portugal e pode ocasionar AVC hemorrágico. No entanto, a maior parte dos AVC parecem ser trombóticos, podendo ocorrer também em hipertensos, dado que a hipertensão arterial não é uma doença cardíaca mas um factor de risco para todas as doenças cardiovasculares.

Porque é que as doenças cardiovasculares continuam no topo das causas de morte em Portugal se cada vez há mais informação e consciencialização para os factores de risco?

O problema não é só português, é também mundial. Os estilos de vida saudáveis e os vários factores de risco são bem conhecidos e têm sido largamente divulgados em grandes campanhas populacionais. Em Portugal, é louvável o trabalho feito neste sentido e praticamente inciado pelo Prof. Fernando de Pádua. A grande responsabilidade por seguir os conselhos de prevenção cabe em último lugar a cada pessoa individualmente.

O grande desafio à prevenção é a motivação por parte de cada pessoa de que deve ser responsável pela sua própria saúde. Deve partir de cada um o querer conhecer se a pressão arterial e o colesterol são elevados, se pode vir a ter diabetes, tal como deve partir de cada um a vontade de deixar de fumar e de fazer mais exercício físico.

Em que consiste o Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares?

O Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares foi elaborado pela Direcção-Geral de Saúde e, resumidamente, propõe-se reduzir globalmente o risco e a mortalidade cardiovasculares, através da articulação de cinco vertentes: melhorar a vigilância epidemiológica dos factores de risco e das patologias cardiovasculares; promover a prevenção cardiovascular, actuando especificamente sobre cada um dos factores de risco; encorajar o cidadão a ser responsável pela sua própria saúde; melhorar a organização da prestação de cuidados, nomeadamente em relação ao exame periódico de saúde e à abordagem da dor pré-cordial e dos acidentes vasculares cerebrais; promover o respeito por boas práticas clínicas e terapêuticas.

“O Programa Nacional propõe-se reduzir o risco e a mortalidade cardiovascular, mas os cidadãos devem sentir-se responsáveis pela sua própria saúde”.

Jornal do Centro de Saúde

www.cscarnaxide.min-saude.pt/jornal/

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