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Probióticos: ingredientes de uma alimentação saudável

Têm um sabor agradável, contribuem para o bom funcionamento dos intestinos, reduzem a gravidade e duração da diarreia e, entre outros saudáveis benefícios, servem para estimular a imunidade.

Tais efeitos positivos são provocados por micróbios. São invisíveis a olho nu, são normalmente adicionados a um alimento e, muitas vezes, quem os consome não sabe. Lactobacillus casei immunitass, Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus são, apenas, três destes microrganismos vivos designados probióticos.

«Tradicionalmente, e regra geral, os alimentos que são veículo dos probióticos são os leites fermentados», diz o Dr. João Breda, nutricionista do Centro Regional de Saúde Pública do Centro e da Direcção-Geral da Saúde.

A título de exemplo, o Actimel é um dos produtos que contêm um probiótico. Este leite fermentado é composto por dois fermentos habituais em todos os iogurtes, adicionado de um outro microrganismo – Lactobacillus casei immunitass.

«O L-casei é um microrganismo no qual, com base numa série de estudos de investigação, se reconhecem efeitos positivos para a saúde, pois, tem uma influência na microflora», explica João Breda, prosseguindo:

«Todas as pessoas têm uma microflora digestiva, composta por um conjunto de cerca de 400 micróbios diferentes. Muitos destes microrganismos podem ser benéficos. É o caso do L-casei, pois, resiste à acidez do estômago, porque é uma bactéria acidoláctica, consegue chegar ao intestino e formar colónias e, assim, promover uma série de acções positivas, relacionadas, nomeadamente, com a imunidade, visto que cerca de 70% das reacções imunológicas podem ser modeladas a partir do intestino.»

Produtos lácteos por excelência Se os probióticos forem consumidos com regularidade e em número suficiente (pelo menos uma embalagem por dia), o nosso organismo só tem a ganhar. São alimentos que resultam muito bem nas refeições intercalares, acompanhados com fruta ou pão.

Por exemplo, é preciso tomar uma embalagem de leite fermentado, todos os dias, para se ter 10 mil milhões de L-casei e, deste modo, haver um efeito ao nível da microflora.

É importante não esquecer que muitos desses micróbios morrem, outros não se agarram às paredes do intestino. O consumo regular vem, pois, contribuir para a renovação constante destes microrganismos.

Além dos probióticos, estes leites fermentados continuam a ter cálcio e proteínas, como os iogurtes e os outros produtos lácteos. No fundo, continuam a ser produtos lácteos na verdadeira essência, beneficiando crianças, adultos e idosos.

«Os produtos que contêm probióticos têm as características boas dos produtos lácteos. Mas têm menos lactose, sendo essenciais para as pessoas que têm intolerância a este açúcar», refere o nutricionista, enumerando outros possíveis benefícios, todos relacionados entre si:

«Ajudam na digestão, estimulam a imunidade, diminuem a gravidade de doenças de foro digestivo, como a síndrome do cólon irritável, e reduzem a duração e gravidade da diarreia.»

«Provavelmente, muitos consumidores de probióticos não percepcionam o efeito positivo, ou seja, consomem porque gostam», comenta João Breda, salientando:

«Apesar dos efeitos positivos, estes microrganismos não podem ser considerados como medicamentos. Não curam, mas são alimentos com efeitos positivos, comprovados cientificamente, e que podem ser usados como ingredientes de uma alimentação saudável.»

Simbióticos, o futuro dos probióticos
Antes de começarem a figurar em produtos de consumo humano, os probióticos foram introduzidos na alimentação dos animais de produção.

Percebeu-se que tinham um efeito positivo ao nível do tubo digestivo. Deste modo, as companhias na área dos produtos lácteos constataram que seria uma área próspera para o negócio e também para a saúde do consumidor. Entretanto, começaram a promover os estudos de investigação que se têm desenvolvido até hoje, cada vez em maior número.

Os simbióticos – associação entre fibras alimentares (pré-bióticos) com os próprios probióticos – são o futuro dos probióticos.

«Os estudos acerca de todos estes microrganismos estão em constante evolução. Há, ainda, muitos aspectos por determinar e, de futuro, pretende-se concretizar qual o organismo para determinado efeito. Além disso, precisamos de evidência científica que comprove, com maior rigor, os efeitos benéficos», adianta João Breda.

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