Em vários estudos epidemiológicos comprovou-se a associação positiva entre os elevados níveis de colesterol no sangue com a morbilidade e mortalidade cardiovascular. Mas esta associação positiva é apenas um dos vários problemas da doença cardiovascular.
De facto, o colesterol sérico só por si, não explica tudo, porque um número significativo de doentes com problemas cardiovasculares não apresenta valores elevados de lipoproteínas de baixa densidade. Na realidade já estão identificados outros factores de risco onde, para além da hipertensão arterial e o tabagismo, se incluem:
• Os níveis elevados de triglicerídeos (particularmente nas mulheres);
• A insulinorresistência como a diabetes tipo II;
• O baixo consumo de substâncias antioxidantes;
• Níveis de fibrinogénio elevados;
• A obesidade;
• O sedentarismo;
• Níveis elevados de homocisteína.
A alimentação constitui um factor ambiental com grande repercussão na saúde pelo estado nutricional que promove. Assim, a protecção cardiovascular conferida pela dieta mediterrânica é resultante dos seus principais constituintes onde se destaca o azeite como principal fonte de gordura, os cereais, os legumes, as frutas; o consumo de lacticínios como o iogurte e o queijo, que deve ser diário. As ervas aromáticas, o alho e as cebolas participam em numerosas preparações alimentares.
As principais fontes de proteínas são animais, onde o peixe, as aves de capoeira e os ovos são consumidos em quantidades moderadas, bem como as carnes vermelhas. O consumo de vinho às refeições em quantidades baixas a moderadas é importante pelos antioxidantes que fornece, dos quais podemos destacar os polifenóis e o resveratrol. Os açúcares são consumidos poucas vezes por semana e sempre em quantidades pequenas.
Vários nutrientes, incluindo as vitaminas e os minerais, fornecidos pela dieta mediterrânica têm sido avaliados e podem ser considerados factores dietéticos protectores. Em destaque, pelos vários estudos que têm sido publicados mais recentemente temos os ácidos gordos ómega-3.
O EPA e o DHA são dois dos constituintes dos ómega-3 que estão associados à manutenção dos níveis de colesterol HDL, também conhecido como o «bom colesterol», tão importante para a depuração dos níveis elevados de colesterol. Também a ingestão adequada de vitaminas do grupo B, onde podemos destacar o ácido fólico, a vitamina B6 e a vitamina B12, são consideradas importantes para o controlo dos níveis elevados de homocisteína.
A mudança de estilo de vida deverá ser a primeira abordagem para a prevenção das doenças cardiovasculares. Começando por encarar o dia-a-dia sem stress, juntamente com a opção por uma alimentação do tipo mediterrânica e a correcção de erros alimentares, onde se podem incluir a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, doces e alimentos fritos.
A realização de exercícios aeróbios para combater o sedentarismo e melhorar o perfil lipídico também é importante. A utilização de produtos naturais com óleos de peixe (ricos em ómega-3), polifenóis e resveratrol, alho e micronutrientes (vitaminas e minerais) é uma opção que deverá sempre ser seguida por avaliação dos resultados através da realização de análises.
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