A hipertensão arterial (pressão arterial elevada, acima dos 140/80 mmHg) danifica o coração, vasos sanguíneos, cérebro, rins e retina (olhos).
Os hipertensos sofrem um envelhecimento acelerado, correndo em relação aos normotensos da mesma idade (pessoas com a pressão arterial abaixo dos valores referidos) riscos muito maiores de vir a sofrer enfarte do miocárdio (ataque cardíaco), acidente vascular cerebral (trombose), insuficiência renal ou problemas na retina. Estas doenças são a principal causa de morte nos países desenvolvidos (sim, em Portugal também).
Sabemos já que tratar e controlar a pressão arterial (mantê-la sempre abaixo dos 140/80 mmHg) reduz muito o risco de vir a sofrer todos estes problemas, aumentando a esperança e qualidade de vida dos doentes.
Ora, um estudo recentemente realizado em Portugal, dirigido pelo Prof. Mário Espiga de Macedo, da Faculdade de Medicina do Porto, mostrou que apenas 11% dos doentes hipertensos portugueses têm a sua pressão arterial correctamente controlada.
Porque será que só uma parte tão pequena dos doentes está controlada?
Todos conhecemos pessoas para quem o simples acto de «ir ao médico» cura qualquer doença. A responsabilidade do tratamento é toda do médico: «ficou bom» porque o médico é bom, «está na mesma» porque o médico «não acertou no tratamento»… Fácil não é?
Não, realmente não é: qualquer médico tem grande dificuldade em tratar um doente sem a sua colaboração. Mais ainda no caso da hipertensão, que normalmente não tem sintomas e é crónica. Não se cura, trata-se e controla-se para reduzir o risco de complicações.
O nosso médico sabe tudo isto e quer manter controlada a pressão arterial dos seus doentes. Que podemos nós fazer para o ajudar?
Porque a hipertensão é uma doença crónica, para a controlarmos o tratamento tem que ser permanente, todos os dias de todas as semanas, sem interrupções quando «nos sentimos melhor» ou quando «os valores estavam normais». Porque é uma doença sem sintomas, temos de a vigiar atentamente, medindo frequentemente a nossa pressão arterial.
É fundamental que tenhamos o cuidado de medir regularmente a nossa pressão arterial e que o nosso médico esteja informado da sua evolução.
Para isso devemos medir a nossa pressão arterial várias vezes por semana, a diferentes horas do dia, e registar os seus valores e os da frequência cardíaca (pulsações por minuto) em blocos apropriados (disponíveis nas farmácias ou junto do seu médico), tal como a hora a que esses valores foram medidos.
É pouco importante se medimos a pressão arterial numa farmácia ou em casa, mas é muito importante que essa medição seja sempre feita num ambiente calmo, após um período de repouso.
O caderno de registo de pressão arterial é um instrumento importante que vai permitir ao nosso médico verificar a eficácia do tratamento, adaptá-lo quando for necessário, e atingir o que deve ser o nosso objectivo: manter a nossa pressão arterial controlada para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
Tratamento da hipertensão: efeitos secundários… E agora?
Roberto Palma dos Reis, cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, lembra: «Qualquer medicamento é receitado com uma intenção específica (neste caso para o tratamento da hipertensão arterial), tem sempre efeito sistémico (em todo o corpo), pelo que os efeitos secundários podem sempre surgir, quer ligados ao próprio medicamento, quer à própria descida da pressão arterial.»
Estes efeitos secundários, em geral, não são graves e são muito menos importantes que manter a sua pressão arterial controlada.
O Prof. Roberto Palma dos Reis dá os seguintes conselhos aos doentes hipertensos que sintam efeitos secundários que pensem ser devidos ao tratamento que estão a tomar.
1.º: Não pare o tratamento da sua hipertensão! Quando para o tratamento, a sua pressão arterial fica descontrolada, o que lhe acarreta riscos vasculares importantes, muito superiores aos potencialmente devidos aos efeitos secundários.
2.º: Contacte o seu médico. Existem, provavelmente, tratamentos alternativos para a sua hipertensão que podem, no seu caso individual, ser mais vantajosos por provocarem menos efeitos secundários que o tratamento original.
3.º: Por vezes, os efeitos secundários do tratamento da hipertensão arterial aparecem em alguns doentes no início do tratamento, mas diminuem com o tempo. Em compensação, os benefícios do tratamento são tanto maiores quanto melhor for o controlo da sua pressão arterial. Também neste aspecto é o seu médico quem mais o pode ajudar.
4.º: Não mude o seu tratamento por conselho de vizinhos, amigos ou familiares, que se baseiam na sua experiência ou em informações de outras pessoas. É o seu médico que o conhece a si e à sua hipertensão. Apenas ele está habilitado a escolher qual o tratamento que melhor se adapta às suas condições individuais.
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