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Os benefícios de comer uma maçã

Segundo a classificação utilizada em Portugal, as maçãs encontram-se no quinto grupo de alimentos (legumes e frutas), cujas principais características nutricionais são o baixo valor energético, devido ao reduzido índice de proteínas, gorduras e hidratos de carbono.

No último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o baixo consumo de frutas e legumes é referido como um dos 10 factores de risco associados às principais causas de morte a nível mundial.

Existem, actualmente, evidências cientificas de que o consumo diário de pelo menos 400g de frutas e legumes diminui a mortalidade por doenças cardíacas e cancro: as principais doenças evitáveis, causadoras de mortalidade.

Ainda segundo a OMS, 2,7 milhões de vidas podem ser potencialmente salvas todos os anos se o consumo de frutas e legumes aumentasse. Estes factos potenciam a comprovada importância destes alimentos na prevenção do excesso de peso e da obesidade – grande epidemia do Século XXI.

Os benefícios para a saúde do consumo de frutas e legumes, nomeadamente a maçã, estão relacionados com o seu conteúdo nutricional: baixo valor energético, riqueza em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes.

As fibras, presentes em diferentes quantidades nos alimentos de origem vegetal, permanecem inalteradas pela acção das enzimas digestivas, sendo apenas parcialmente fermentadas pelas bactérias do cólon.

O consumo de alimentos como as maçãs, ricos neste nutriente, está associado a uma maior sensação de saciedade e melhor controlo do apetite bem como ao prolongamento do tempo de digestão e esvaziamento gástrico. Estes factores são também muito importantes para o melhor controlo da absorção de alguns nutrientes como a gordura e a glicose.

Os géis formados pelas fibras solúveis têm também a capacidade de “aprisionar” algumas substâncias orgânicas e inorgânicas, como o colesterol e os sais biliares, contribuindo para a diminuição da sua absorção.

 

O papel das fibras

Os sais biliares, cujo principal ingrediente é o colesterol, são formados no fígado e armazenados na vesícula. Durante o processo digestivo são drenados para o estômago, pois têm um papel importante na emulsão da gordura ingerida. Quando são aprisionados pelas fibras, os sais biliares não emulsionam a gordura e desta forma verifica-se uma diminuição da sua absorção.

Os próprios sais biliares também são excretados pelas fezes e, pelo facto de não serem reabsorvidos, obriga o organismo a utilizar mais colesterol para o fabrico de novos sais biliares. Este processo é muito importante na regulação dos níveis de colesterol sanguíneo.

Existem evidências científicas dos benefícios das fibras, bem como de outras substâncias, nomeadamente carotenos, antocianinas e outros antioxidantes, na prevenção do cancro e das doenças cardiovasculares.

Estes antioxidantes interferem no processo de carcinogénese, como agentes bloqueadores, supressores e indutores da reparação do DNA. Também inibem a acção dos radicais livres e a oxidação das LDL, influenciando o perfil lipidico e contribuindo para a diminuição da vasodilatação, da agregação de plaquetas e do processo inflamatório.

Por fim realçar as vantagens do baixo valor energético destes alimentos, tão importantes na alimentação de todos mas particularmente na dos indivíduos obesos e com excesso de peso.

Jornal do Centro de Saúde

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