A prevalência em Portugal de hipertensão arterial é de 42%(*) com mortalidade cardiovascular e custos elevados. Está a aumentar entre os jovens, acompanhando o aumento da obesidade infantil.
A pressão arterial óptima corresponde a PA sistólica <120 mmHg e uma PA diastólica <80 mmHg. A PA normal do indivíduo é a mais baixa que ele pode suportar sem sintomas de hipotensão. A hipertensão (HTA) é definida por valores de PA sistólica 140 e/ou diastólica 90 mmHG. Pode haver diferença entre a pressão arterial medida em casa e numa consulta? Sim. Existirá hipertensão (HTA) se no consultório a PA é 140/90mmHg e no domicílio 130-135/85mmHg. A medição da PA nas 24 horas dá informação durante a actividade diária e o sono. Nos idosos e doentes com diabetes deve ser medida em pé para diagnóstico da hipotensão ortostática. A HTA habitualmente não dá sintomas. O diagnóstico é efectuado numa consulta de rotina ou num rastreio. Na grande maioria dos doentes está associada a outros factores de risco cardiovasculares (Síndroma Metabólico). Excepcionalmente, surge isolada (HTA idiopática), secundária a medicamentos (corticóides e anovulatórios), doenças renais crónicas, apneia do sono, doenças endócrinas (sindrome de Cushing, Feocromocitoma, Hiperaldosteronismo, doenças da tiróide), etc. Os doentes de maior risco são os que apresentam: doença cardiovascular prévia (enfarte do miocárdio, angina de peito, AVC, insuficiência cardíaca); diabetes; história familiar de morte cardiovascular precoce (homens 55 anos, mulheres 65 anos); obesidade (IMC 30 kg/m2); tabagismo; sedentarismo; hipercolesterolémia e/ou hipertrigliceridemia; Microalbuminúria ou diminuição da função renal, homens com 50 anos e mulheres 60 anos. Tratamento da hipertensão As consequências da hipertensão não controlada são o aumento do risco de angina do peito, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, insuficiência renal, retinopatia hipertensiva e doença arterial periférica. O tratamento da HTA inclui modificação de estilo de vida e fármacos anti-hipertensores. As modificações capazes de reduzir a HTA são: deixar de fumar; perder peso (se excessivo - IMC 25 kg/m2); exercício físico diário (30-45 minutos) após avaliação cadiovascular; redução do sal (<5gr/dia); diminuição do álcool (20-30gr de etanol/dia no homem e 10-20gr/dia na mulher) e uma alimentação saudável. O objectivo é reduzir o risco cardiovascular global pelo diagnóstico e tratamento intensivo precoces, incluindo controlo dos factores de risco associados. A PA deve ser reduzida (<140/90 mmHg) até ao valor mais baixo que o doente tolere. Nos doentes de risco, a PA deve atingir valores <130/85mmHg. Na maioria dos hipertensos são necessários dois ou mais fármacos. Nos doentes com diabetes é fundamental o controlo glicémico (HbA1c 6,5%). Como vigiar a HTA? A vigilância é efectuada em consultas periódicas. A auto-vigilância é útil. Ajuda o doente a avaliar a resposta ao tratamento e aumenta a adesão à terapêutica. Não se recomenda a utilização de aparelhos de medição da PA no pulso. Apenas deve ser utilizada a medição no braço. Informe-se quais os aparelhos recomendados. Com que periodicidade? Inicialmente, poder-se-á medir a PA diariamente. Uma vez controlada, a avaliação poderá ser mensal. A medição demasiado frequente é um factor de stress. Finalmente, reforçar que a HTA é muito frequente na população portuguesa com consequências graves, normalmente não dá sintomas e daí a importância do diagnóstico precoce. Há evidência de redução do risco cardiovascular com o controlo da HTA e doenças associadas. O tratamento deve ser personalizado pois cada doente é um caso! As recomendações nas alterações do estilo de vida e medicamentos a tomar devem ser orientados por médico com apoio dietético. Margarida Bastos Endocrinologia e Diabetes - Hospitais da Universidade de Coimbra Jornal do Centro de Saúde www.jornaldocentrodesaude.pt