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“No Half Smiles”

Escolher o seu médico dentista é uma decisão importante. É uma relação muito íntima que, se correr bem, durará toda a vida. Muitos são os portugueses que só em último recurso recorrem ao médico dentista. É uma pena que assim seja, pois em desespero de causa ficamos reféns do tratamento proposto.

Dizemos que sim a tudo e isto não é uma boa maneira de começar uma relação médico/paciente. Imagine o que seria recorrermos aos mecânicos de automóveis apenas quando as coisas estão avariadas! Pelo contrário, devemos fazer as revisões periódicas recomendadas pela marca, pois seguramente as despesas e as chatices são sempre menores.

Com a saúde passe-se o mesmo: temos de mudar o paradigma de ir ao dentista apenas quando as coisas estão mal. Para nós que tentamos sempre fazer o nosso melhor, é muito difícil trabalhar nestas condições. Eu prefiro sempre sentar-me com o paciente e falar sobre o que se pretende e o que se pode fazer. Uma primeira consulta deve ser informal e informativa. É na primeira consulta que decidimos o plano de acção e como é que o futuro da relação irá decorrer.

Há muito anos que dou uma palestra chamada “No Half Smiles”. Esta filosofia de prática clínica baseia-se no facto de que as pessoas não devem ter “Meio-Sorrisos”, mas sim uma “máquina” que serve para mastigar, falar e sorrir. Da mesma maneira que um cirurgião cardíaco não se preocupa apenas com parte do coração, mas com o todo.

O nosso dever é tratar tudo. Um médico dentista, bem treinado na arte de reabilitação oral, poderá antever a maior parte dos problemas que terá e logo na consulta inicial. Não apenas para os dentes, mas para as gengivas, o osso de suporte, a oclusão (encaixe dos dentes de cima com os de baixo) e a estética final do caso em relação à cara e lábios.

O problema principal, que noto depois de mais de uma década a dar primeiras consultas, é que o paciente vem muitas vezes com uma ideia clara do que quer fazer. Repare, quer fazer! Mas só depois de um diagnóstico, com auxílio de um TAC ou de RX convencional, e observação clínica é que o médico fará um levantamento de TODAS as necessidades, culminando num plano de tratamento adequado e tratando as coisas que precisa de fazer!

Acredito que a saúde está em primeiro lugar, depois a função mastigatória e só por último, a estética e no entanto a minha experiência diz-me que mais de 90% das pessoas procura exactamente o inverso. Depois temos também a componente financeira e geralmente as pessoas querem fazer mais por menos. Mas como é que se pode reconstruir uma boca de forma estética sem passar pelos tratamentos de saúde e reconstrutivos primeiro? O investimento é proporcional à destruição dentária e/ou falta de dentes.

Não podemos deixar de reparar que há cada vez mais clínicas a abrirem as portas, e tristemente algumas a encerrar. A publicidade começou e muitas das vezes somos atraídos pelas razões erradas.

Eu prefiro perder um paciente pelas razões certas do que pelas erradas. Isto significa que não se pode “hipotecar” a qualidade de um tratamento apenas para vendê-lo. Há regras na saúde oral e as pessoas devem começar a entender que a medicina dentária é muito complexa e difícil para quem a pratica. Por isso, a prevenção é sempre o melhor caminho. Quando estiver perante um caso complexo prefira pensar no investimento que, se for bem feito, pode mudar a sua vida!

Por Dr. Miguel Stanley, médico dentista e director clínico na WHITE

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www.white.pt

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