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Infecções urinárias » Nítida associação com a actividade sexual

A uva-do-monte, fruto muito semelhante ao mirtilo, possui propriedades que podem interferir na capacidade de aderência de certas bactérias à mucosa do aparelho urinário, por isso o seu sumo tem vindo a ser utilizado na prevenção de infecções.

Escherichia coli, Proteus mirabilis, Pseudomonas, Enterococus e Klebsiella são algumas das bactérias responsáveis pelo desencadeamento da infecção urinária, patologia muito frequente entre o sexo feminino. Em geral de origem rectal/intestinal, as bactérias encontram-se ao nível da vulva e da vagina, conseguindo migrar ao longo da uretra para a bexiga, receptáculo húmido e quente que favorece a sua multiplicação.

Como consequência, surge uma resposta inflamatória que se traduz em ardor miccional, aumento da frequência urinária acompanhado de sensação de esvaziamento incompleto e dor suprapúbica, os habituais sintomas da cistite. Convém, porém, sublinhar que sinais muito semelhantes podem corresponder a cistites não infecciosas, intersticiais, causadas por agentes químicos, físicos ou outros.

Atendendo a que as queixas são deveras incomodativas e se torna imperioso aliviar a doente, o mais comum é passar-se, quase de imediato, à fase de tratamento com antibiótico sem proceder, previamente, ao exame bacteriológico da urina. Deste modo, muitas vezes, fica por apurar, com precisão, a verdadeira origem do problema.

«No caso de uma infecção esporádica, por exemplo, uma vez por ano, a falta de diagnóstico não terá importância significativa. Contudo, se forem sucessivas, quatro ou cinco durante igual período, a paciente deverá ser bem avaliada porque poderá existir uma causa tratável por trás dessa persistência, infelizmente muito comum», adverte o Dr. José Santos Dias, urologista da Androclinic, referindo que, nalguns casos, poderá subsistir uma disfunção orgânica.

O deficiente funcionamento das «válvulas» dos ureteres na sua união com a bexiga é um dos exemplos ilustrativos. De acordo com a explicação do clínico, a abertura dos dois ureteres – canais que transportam a urina dos rins para a bexiga – está protegida por uma espécie de válvulas que impedem a urina de refluir quando a bexiga permanece cheia. Todavia, ao registar-se alguma anomalia ocorre um refluxo vesico-ureteral, factor que favorece a infecção ascendente da bexiga para os rins.

Como salientou José Santos Dias, existem bactérias que pertencem à mesma espécie, mas possuem virulências diferentes, «revelam maior ou menor agressividade para invadir, aderir à mucosa do aparelho urinário e progredir de forma rápida – caso da Escherichia coli, conhecida vulgarmente como «Coli-bacilo».

Daí que, não raras vezes, seja a mesma bactéria a provocar tanto as infecções inferiores (bexiga) como as infecções superiores (rins). Neste último caso, refira-se, a título de exemplo, a piolonefrite, acompanhada de queixas de mal-estar, prostração, febre, náuseas e dores lombares».

Maior incidência: jovens adultas e após menopausa Na generalidade, são as mulheres que mais sofrem de infecções urinárias, facto que se deve às suas características anatómicas, sobretudo, ao comprimento da uretra. Enquanto a feminina mede cerca de 3, 4 cm, a masculina tem 10, 15 cm, pelo que fica, naturalmente, mais protegida.

«Regista-se uma maior incidência nas jovens adultas sexualmente activas e após a menopausa», salienta José Santos Dias.

«Existe uma associação muito nítida entre a infecção urinária e a actividade sexual, porque durante as relações sexuais, pela «massagem» da uretra, acaba por se dar o empurramento de bactérias para a bexiga», explica o clínico, chamando, também, a atenção para a frequência de infecções durante o período da gravidez, situação específica pela qual passa grande número de mulheres, precisamente, na fase etária acima mencionada.

As infecções que surgem a seguir à menopausa explicam-se pela baixa de estrogénios e consequente diminuição da espessura, irrigação e desenvolvimento da mucosa vulvar, vaginal e ureteral, barreiras naturais à invasão de bactérias.

Nestes ou noutros casos, refere o especialista, «a base do tratamento é o diagnóstico correcto, sobretudo, num quadro de repetição. Porque, podemos estar em presença de uma nova infecção, por uma bactéria diferente, ou registar-se a persistência da mesma, devido à inadequação do antibiótico. Sendo assim, mais cedo ou mais tarde, as queixas voltarão».

«Um dos problemas que, hoje em dia, se coloca no tratamento das infecções urinárias, e de outras, é o estarmos a ficar sem algumas das armas terapêuticas que possuíamos, ou seja, antibióticos que, até há pouco tempo, eram eficazes deixaram de ser. Isto acontece porque as bactérias, pouco a pouco, vão criando “subespécies” com mecanismos de resistência muito fortes a certos medicamentos recentes. Voltámos, então, a utilizar antibióticos quase caídos no esquecimento, como a nitrofurantoína ou o cotrimoxazol», esclarece José Santos Dias.

Neste âmbito, os próprios esquemas de tratamento têm vindo a sofrer alterações, sendo adoptado, na actualidade, um sistema que varia entre os três e os cinco dias.

«O clássico período de 7-10 dias foi ultrapassado, visto se ter concluído que provocava consequências negativas ao nível da flora intestinal, ao mesmo tempo que favorecia o aparecimento de bactérias mais resistentes», diz José Santos Dias, prosseguindo:

«O mesmo aconteceu ao recente plano terapêutico de apenas uma toma, em doses elevadas, por não ter sido considerado cem por cento eficiente.»

Segundo o urologista, «torna-se oportuno realçar a importância do tratamento sintomático com base nos anti-inflamatórios e outros fármacos, como o flavoxato, valiosa ajuda no alívio dos sintomas intensos e progressivos em caso de infecção».

No campo da profilaxia, José Santos Dias refere, nomeadamente, a existência de vacinas, bem como esquemas de antibioterapia de longa duração e baixa dose ou de tomas pós-coito ou em determinadas fases do ciclo menstrual.

Educação urológica Uma boa dose de autodisciplina e um conjunto de hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir, ubstancialmente, o risco de infecção urinária.

Eis algumas das recomendações do Dr. José Santos Dias:

1. Reforço hídrico – aumentar a ingestão de líquidos, (água, chá, sumos, leite, sopa, etc.), assim como de alimentos que contenham água (fruta e vegetais). Deste modo, produzir–se-á maior quantidade de urina obrigando a um acréscimo de micções.

2. Alteração da frequência miccional – urinar ao longo do dia, com regularidade, facilita a eliminação das bactérias eventualmente existentes na bexiga e em torno do meato urinário, vulva e vagina.

3.Cuidados após as micções e dejecções – a higiene deve ser feita da frente para trás de forma a evitar que as bactérias sejam deslocadas do ânus para a zona do meato urinário.

4. Relações sexuais – no caso de se verificar incidência de infecção pós–coito, aconselha-se a micção após as relações sexuais, porque facilitará a eliminação de bactérias que, eventualmente, tenham migrado para a bexiga.

5. Regime alimentar saudável – as pessoas cuja mucosa da bexiga é sensível devem evitar o consumo de café, citrinos, bebidas alcoólicas e comidas muito condimentadas.

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