No segundo dia do VII Congresso Nacional de Psiquiatria e Saúde Mental, falou-se da qualidade dos serviços de psiquiatria, dos profissionais de saúde e dos doentes que os integram, bem como de questões como o bem-estar, autonomia e competências legais e éticas das pessoas com diagnóstico de psicose
Na sessão dedicada à “Qualidade no Serviço de Psiquiatria”, deu-se ênfase à questão da importância da opinião da pessoa com diagnóstico de doença mental e à sua satisfação perante o serviço prestado. Um elemento importante, já que, de acordo com o Dr. Manuel Jara, Psiquiatra, o doente psicótico continua a ser considerado uma ‘pessoa muda'”.
Ainda nesta sessão, foi apresentado um estudo promovido pela Comissão de Humanização e Qualidade dos Hospitais de Coimbra que, de Janeiro a Junho de 2011, sinalizou 417 casos, e que nos deu a conhecer o “doente-tipo” da unidade de saúde. Cerca de 47% de mulheres e 53% de Homens, recorrem a estas unidades essencialmente devido ao consumo de álcool (13.6%), seguido de Depressões Major (13%) e de Doença Bipolar (8.6%). Os homens apresentam-se como sendo mais jovens, solteiros e desempregados, enquanto que as mulheres são casadas ou viúvas e ligadas à área doméstica/serviços.
Na sessão “Psiquiatria e Sociedade”, o principal enfoque foi dado à forma como tem sido levado a cabo o processo de desinstitucionalização da pessoa com doença mental, resultante do programa de fecho de Hospitais Psiquiátricos. Dr. Walter Osswald, Psiquiatra, falou da ética médica e da imperatividade desta conduzir directamente ao bem-estar do doente, algo que considera estar a ser posto em causa devido a este desacompanhamento abrupto, resultante de processos de re-institucionalização dos doentes em outras unidades de psiquiatria.
Na conferência “Capacidade e Competência: entre a psiquiatria, a lei e a ética”, abordou-se a questão da competência para acções legais, por parte das pessoas com doenças mentais. De acordo com o Dr. Horácio Firmino, responsável pela Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos HUC, é dever do médico aceitar que os seus pacientes procurem segundas opiniões. “O diagnóstico de demência não implica a falta de competência”, ressalva. Adiantando por outro lado que “a Capacidade de Decisão não deve ser entendida como um tudo ou nada, pois poderá ter capacidade de decidir em alguns assuntos e noutros não.”.
“Ressonância magnética Funcional e NOC” foi outro dos temas principais deste segundo dia de trabalhos. Nele procurou falar-se da importância da ressonância magnética na elucidação das bases neurológicas dos processos cognitivos na doença. Estudar os efeitos específicos da psicoterapia cognitiva-comportamental na actividade neurológica de indivíduos com perturbações emocionais está ainda no início. A estatística poderá auxiliar neste campo.
Por último, de que forma o “Stress, a inflamação e a depressão surgem enquanto conectores para a demência?”. Uma sessão que foi conduzida pelo Dr. Brian Leonard, Psiquiatra, que permitiu perceber de que forma o desequilíbrio social e físico pode levar directamente a um estado de psicose e de patologia do foro psiquiátrico.
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