As veias sofrem e as femininas ainda mais: da sensação de pernas pesadas às varizes é um passo que se dá rapidamente. Tratar é preciso para evitar que a doença venosa progrida e se agrave.
Tudo começa com uma sensação de peso nas pernas. Uma sensação que se atribui, com frequência, ao cansaço próprio de um dia de trabalho, acreditando-se que, com o repouso nocturno, chegará o alívio que permitirá retomar as actividades no dia seguinte.
Contudo, na maior parte das vezes, a fadiga não é transitória. Ela permanece para além das tréguas proporcionadas pelo sono. É que a sensação de peso nas pernas é o primeiro dos sinais da doença venosa. Quando persiste, não deve ser ignorada, devendo motivar uma consulta médica de modo a prevenir o seu avanço.
O mais certo é juntar-se-lhe a dor e, a seguir, o edema. Com os pés e as pernas a apresentarem-se inchados, sobretudo ao fim do dia. As veias estão em sofrimento, na medida em que perderam ou viram diminuída a sua capacidade de fazer retornar o sangue já usado pelas pernas.
E quando se desvalorizam os primeiros sinais, abre-se caminho ao desenvolvimento da doença. O que acontece é que o sangue fica estagnado e as veias dilatam-se e deformam-se, acabando por ficar visíveis e traçar linhas sinuosas e em relevo nas pernas.
Derrames e varizes
São dois os principais tipos de varizes: as aranhas vasculares (chamadas também telangiectasias, embora estas sejam dilatações de vasos sanguíneos que se localizam na parte superior do corpo, principalmente a face, podendo estar associadas a doenças, como por exemplo, do fígado e as veias varicosas. As primeiras são mais conhecidas como derrames, consistindo em pequenos capilares que surgem sob a pele, com o aspecto de finas linhas avermelhadas e sinuosas em tudo semelhantes às ramificações de uma árvore. É sobretudo nas coxas, pernas e tornozelos que se evidenciam. Mais profundas são as veias varicosas, aquelas que normalmente se designam como varizes.
Mais alongadas e mais tortuosas, têm um tom azulado ou arroxeado, evoluindo de tamanho consoante a dimensão da falência venosa. Algumas formam grossos cordões que se estendem da virilha aos pés.
Se ainda assim a saúde das pernas for negligenciada, corre-se o risco de o sangue estagnado originar tromboses venosas, formação de coágulos que causam obstrução da circulação, e que representam um risco de embolia pulmonar. Se o coágulo se soltar percorre a circulação até ao coração e daí para o pulmão.
Esta estagnação do sangue nos membros inferiores interfere com a oxigenação dos tecidos e a troca das substâncias que os alimentam, fazendo com que a pele comece a sofrer alterações, tornando-se, nomeadamente, mais escura e fina.
É neste estádio que surgem o eczema de estase – prurido, alterações da cor da pele, inflamação e inchaço em redor das varizes – e as úlceras – a pele, fragilizada, acaba por estalar sob pressão do sangue, abrindo-se uma ferida difícil de tratar (a cicatrização pode oscilar entre seis meses e dois anos ou mais).
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Tratar antes que agrave
Numa situação extrema, a doença venosa não tratada pode conduzir à incapacidade. Dado o risco é, pois, importante actuar o mais cedo possível, o que implica dar atenção aos sintomas de desconforto nos membros inferiores. Se o cansaço e a sensação de peso se mantiverem, é conveniente consultar um médico. O médico de família é adequado para uma primeira intervenção, podendo, se a evolução da doença o recomendar, o doente ser encaminhado para um especialista vascular.
Como profilaxia em situações particulares – gravidez ou elevada tendência hereditária – ou perante sintomas ligeiros e ocasionais, a contenção elástica é o primeiro dos recursos.
São as chamadas meias de descanso, que facilitam a circulação sanguínea.
Feitas com um elástico especial em forma de espiral, conferem um grau de protecção adequado a cada região da perna: quando a pessoa anda, os músculos vão sendo comprimidos a um ritmo próprio, começando pela barriga da perna e passando depois para a coxa, o que permite que o sangue vá progredindo em direcção ao coração.
Na primeira linha do tratamento estão também os medicamentos flebotropos – aumentam a tonicidade da veia, conferindo-lhe elasticidade e melhorando as condições de circulação sanguínea. Contribuem igualmente para reduzir a ocorrência de inchaço e as alterações da pele e dos tecidos adjacentes que estão associadas às flebites.
Quando a doença venosa se manifesta já através de derrames e pequenas varizes, a opção pode ser a escleroterapia: trata-se de um método que consiste na injecção nos capilares de um medicamento que vai secar os pequenos vasos dilatados, após o que são absorvidos pelo organismo.
A cirurgia é, quase sempre, a alternativa para as fases mais avançadas da doença, podendo ser feita em ambulatório (por exemplo laser) ou com internamento (com anestesia geral).
Quanto mais cedo se fizer a operação, mais simples os procedimentos e mais fácil a recuperação.
Mais nas mulheres
O tratamento da doença venosa passa também pela eliminação ou redução dos factores de risco. Todavia, o principal factor de risco é irreversível: o género feminino. É que as mulheres são o principal alvo desta patologia, se bem que ela também possa manifestar-se nos homens. Mas nas mulheres a “culpa” é das hormonas que estão associadas ao ciclo sexual e reprodutivo. Daí que a gravidez seja um dos momentos mais delicados no que se refere à circulação venosa, sendo comuns o inchaço nas pernas e os derrames.
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Outro factor que não se pode alterar é a hereditariedade: antecedentes familiares aumentam o risco, mas o seu conhecimento permite, por outro lado, investir na prevenção e minimizar a probabilidade de ocorrência de doença venosa.
A obesidade e o sedentarismo favorecem também os problemas venosos, pelo que importa manter o peso sob controlo e aumentar a prática de actividade física.
Maior risco correm as pessoas cuja profissão obriga a longos períodos de imobilidade, sobretudo de pé.
Bem como aquelas que estão muito expostas a ambientes quentes – é que o calor dilata as veias, pelo que hábitos como a exposição excessiva ao sol, as saunas, a depilação a quente e os banhos de imersão prolongados devem ser repensados. Em nome das veias.
Cuide das suas pernas
A doença venosa pode ser prevenida, mediante a adopção de alguns cuidados simples mas essenciais. Assim, é preciso:
• Fazer uma alimentação equilibrada, evitando as gorduras pois podem dificultar a circulação sanguínea;
• Aumentar a ingestão de água, pois torna o sangue menos denso e facilita a sua passagem;
• Perder e/ou manter o peso;
• Praticar exercício físico: andar a pé, de bicicleta ou nadar são actividades benéficas ;
• Evitar permanecer muito tempo de pé ou sentado sem mexer as pernas;
• Evitar cruzar as pernas, pois aumenta a pressão na perna que fica por baixo;
• Evitar vestir roupa apertada;
• Usar calçado com um salto médio, nem muito baixo, nem muito alto;
• Tonificar as pernas diariamente, com a ajuda de um duche frio e de um gel apropriado;
• Repousar com as pernas ligeiramente elevadas;
• Evitar fazer depilação com cera quente;
• Evitar a exposição solar prolongada, preferindo passear na zona de rebentação;
• Evitar o tabaco, pois prejudica a fluidez do sangue.
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Sol com moderação
A circulação sanguínea é muito sensível à temperatura: o calor provoca a dilatação de veias e capilares, originando maior acumulação de sangue estagnado.
Daí que os dias de praia devam ser desfrutados com prudência por quem sofre ou tem tendência a sofrer de doença venosa.
Há que redobrar os cuidados com a exposição solar:
• Manter as pernas à sombra nos primeiros dias de praia;
• Tomar banhos de sol o mais próximo possível da linha de água;
• Aplicar protector com um índice elevado;
• Alternar os banhos de sol com banhos no mar;
• Passear na rebentação.
Tudo começa com uma sensação de peso nas pernas. Uma sensação que se atribui, com frequência, ao cansaço próprio de um dia de trabalho, acreditando-se que, com o repouso nocturno, chegará o alívio que permitirá retomar as actividades no dia seguinte.
Contudo, na maior parte das vezes, a fadiga não é transitória. Ela permanece para além das tréguas proporcionadas pelo sono. É que a sensação de peso nas pernas é o primeiro dos sinais da doença venosa. Quando persiste, não deve ser ignorada, devendo motivar uma consulta médica de modo a prevenir o seu avanço.
O mais certo é juntar-se-lhe a dor e, a seguir, o edema. Com os pés e as pernas a apresentarem-se inchados, sobretudo ao fim do dia. As veias estão em sofrimento, na medida em que perderam ou viram diminuída a sua capacidade de fazer retornar o sangue já usado pelas pernas.
E quando se desvalorizam os primeiros sinais, abre-se caminho ao desenvolvimento da doença. O que acontece é que o sangue fica estagnado e as veias dilatam-se e deformam-se, acabando por ficar visíveis e traçar linhas sinuosas e em relevo nas pernas.
Derrames e varizes
São dois os principais tipos de varizes: as aranhas vasculares (chamadas também telangiectasias, embora estas sejam dilatações de vasos sanguíneos que se localizam na parte superior do corpo, principalmente a face, podendo estar associadas a doenças, como por exemplo, do fígado e as veias varicosas. As primeiras são mais conhecidas como derrames, consistindo em pequenos capilares que surgem sob a pele, com o aspecto de finas linhas avermelhadas e sinuosas em tudo semelhantes às ramificações de uma árvore. É sobretudo nas coxas, pernas e tornozelos que se evidenciam. Mais profundas são as veias varicosas, aquelas que normalmente se designam como varizes.
Mais alongadas e mais tortuosas, têm um tom azulado ou arroxeado, evoluindo de tamanho consoante a dimensão da falência venosa. Algumas formam grossos cordões que se estendem da virilha aos pés.
Se ainda assim a saúde das pernas for negligenciada, corre-se o risco de o sangue estagnado originar tromboses venosas, formação de coágulos que causam obstrução da circulação, e que representam um risco de embolia pulmonar. Se o coágulo se soltar percorre a circulação até ao coração e daí para o pulmão.
Esta estagnação do sangue nos membros inferiores interfere com a oxigenação dos tecidos e a troca das substâncias que os alimentam, fazendo com que a pele comece a sofrer alterações, tornando-se, nomeadamente, mais escura e fina.
É neste estádio que surgem o eczema de estase – prurido, alterações da cor da pele, inflamação e inchaço em redor das varizes – e as úlceras – a pele, fragilizada, acaba por estalar sob pressão do sangue, abrindo-se uma ferida difícil de tratar (a cicatrização pode oscilar entre seis meses e dois anos ou mais).
[Continua na página seguinte]
Tratar antes que agrave
Numa situação extrema, a doença venosa não tratada pode conduzir à incapacidade. Dado o risco é, pois, importante actuar o mais cedo possível, o que implica dar atenção aos sintomas de desconforto nos membros inferiores. Se o cansaço e a sensação de peso se mantiverem, é conveniente consultar um médico. O médico de família é adequado para uma primeira intervenção, podendo, se a evolução da doença o recomendar, o doente ser encaminhado para um especialista vascular.
Como profilaxia em situações particulares – gravidez ou elevada tendência hereditária – ou perante sintomas ligeiros e ocasionais, a contenção elástica é o primeiro dos recursos.
São as chamadas meias de descanso, que facilitam a circulação sanguínea.
Feitas com um elástico especial em forma de espiral, conferem um grau de protecção adequado a cada região da perna: quando a pessoa anda, os músculos vão sendo comprimidos a um ritmo próprio, começando pela barriga da perna e passando depois para a coxa, o que permite que o sangue vá progredindo em direcção ao coração.
Na primeira linha do tratamento estão também os medicamentos flebotropos – aumentam a tonicidade da veia, conferindo-lhe elasticidade e melhorando as condições de circulação sanguínea. Contribuem igualmente para reduzir a ocorrência de inchaço e as alterações da pele e dos tecidos adjacentes que estão associadas às flebites.
Quando a doença venosa se manifesta já através de derrames e pequenas varizes, a opção pode ser a escleroterapia: trata-se de um método que consiste na injecção nos capilares de um medicamento que vai secar os pequenos vasos dilatados, após o que são absorvidos pelo organismo.
A cirurgia é, quase sempre, a alternativa para as fases mais avançadas da doença, podendo ser feita em ambulatório (por exemplo laser) ou com internamento (com anestesia geral).
Quanto mais cedo se fizer a operação, mais simples os procedimentos e mais fácil a recuperação.
Mais nas mulheres
O tratamento da doença venosa passa também pela eliminação ou redução dos factores de risco. Todavia, o principal factor de risco é irreversível: o género feminino. É que as mulheres são o principal alvo desta patologia, se bem que ela também possa manifestar-se nos homens. Mas nas mulheres a “culpa” é das hormonas que estão associadas ao ciclo sexual e reprodutivo. Daí que a gravidez seja um dos momentos mais delicados no que se refere à circulação venosa, sendo comuns o inchaço nas pernas e os derrames.
[Continua na página seguinte]
Outro factor que não se pode alterar é a hereditariedade: antecedentes familiares aumentam o risco, mas o seu conhecimento permite, por outro lado, investir na prevenção e minimizar a probabilidade de ocorrência de doença venosa.
A obesidade e o sedentarismo favorecem também os problemas venosos, pelo que importa manter o peso sob controlo e aumentar a prática de actividade física.
Maior risco correm as pessoas cuja profissão obriga a longos períodos de imobilidade, sobretudo de pé.
Bem como aquelas que estão muito expostas a ambientes quentes – é que o calor dilata as veias, pelo que hábitos como a exposição excessiva ao sol, as saunas, a depilação a quente e os banhos de imersão prolongados devem ser repensados. Em nome das veias.
Cuide das suas pernas
A doença venosa pode ser prevenida, mediante a adopção de alguns cuidados simples mas essenciais. Assim, é preciso:
• Fazer uma alimentação equilibrada, evitando as gorduras pois podem dificultar a circulação sanguínea;
• Aumentar a ingestão de água, pois torna o sangue menos denso e facilita a sua passagem;
• Perder e/ou manter o peso;
• Praticar exercício físico: andar a pé, de bicicleta ou nadar são actividades benéficas ;
• Evitar permanecer muito tempo de pé ou sentado sem mexer as pernas;
• Evitar cruzar as pernas, pois aumenta a pressão na perna que fica por baixo;
• Evitar vestir roupa apertada;
• Usar calçado com um salto médio, nem muito baixo, nem muito alto;
• Tonificar as pernas diariamente, com a ajuda de um duche frio e de um gel apropriado;
• Repousar com as pernas ligeiramente elevadas;
• Evitar fazer depilação com cera quente;
• Evitar a exposição solar prolongada, preferindo passear na zona de rebentação;
• Evitar o tabaco, pois prejudica a fluidez do sangue.
[Continua na página seguinte]
Sol com moderação
A circulação sanguínea é muito sensível à temperatura: o calor provoca a dilatação de veias e capilares, originando maior acumulação de sangue estagnado.
Daí que os dias de praia devam ser desfrutados com prudência por quem sofre ou tem tendência a sofrer de doença venosa.
Há que redobrar os cuidados com a exposição solar:
• Manter as pernas à sombra nos primeiros dias de praia;
• Tomar banhos de sol o mais próximo possível da linha de água;
• Aplicar protector com um índice elevado;
• Alternar os banhos de sol com banhos no mar;
• Passear na rebentação.