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Tratar o mal pela variz

17 Fevereiro, 2009 0

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O estado de gravidez desencadeia um conjunto de alterações hormonais – factor de dilatação ou inchaço das pernas -, que, conjugadas com o volume e pressão intra-abdominal, devido ao útero grávido, favorecem o aparecimento das incómodas veias dilatadas. Porém, como salienta Eduardo Serra Brandão, pode “tratar-se de uma situação temporária, que, em determinadas mulheres, regressa à normalidade no pós-parto”. Desta forma, o tratamento deve ser iniciado um a dois meses depois do parto e da cessação do aleitamento, uma vez que, “durante esse período, ainda se registam alterações hormonais que não possibilitam a regressão da doença”.

O especialista explica, ainda, que existem outras situações que podem comprometer a saúde das pernas, nomeadamente a depilação com cera quente ou elevado tempo de exposição solar. “O calor despoleta o aparecimento ou agrava a situação. Mas, no caso das depilações a cera, há que ter em conta que o próprio arrancamento causa um traumatismo que pode lesar uma pequena variz.”

Contrariamente ao que se possa pensar, as varizes são muito mais do que linhas “inchadas” sobre as pernas, que causam algum mal-estar estético. Estas fazem parte da doença venosa, uma patologia que começa por provocar alterações cutâneas, que se manifestam sob a forma de hiper-pigmentação: a pele começa a escurecer. “Essa pele, pouco oxigenada e alimentada, começa a tornar-se atrófica.

Com a progressão da doença, ao longo de décadas, sem recurso a tratamento, aparecem as úlceras, que são a forma mais grave da última fase desta patologia. “Em última instância, “estas podem ser responsáveis por grande sofrimento e incapacidade.”

Para evitar este tipo de situações extremas, o especialista recomenda um conjunto de medidas preventivas, que permitem minimizar ou estabilizar a doença venosa. Em primeiro lugar, aconselha a adopção de uma alimentação regrada e equilibrada e a prática de exercício físico. Segundo Eduardo Serra Brandão, estas medidas visam, sobretudo evitar a obesidade: um dos principais factores de risco das varizes. “Alguns alimentos têm uma acção negativa sobre a veia, concretamente as comidas altamente condimentadas e o abuso do álcool.”

Para além destas medidas, está recomendado o uso de uma contenção elástica, que vai desde a meia ao collant de descanso. Para evitar as alterações cutâneas ou as flebites, o especialista recomenda “a toma de flebotropos: medicamentos com acção na parede dos vasos e na microcirculação”.

 

Tratamento para as varizes

A escleroterapia, vulgo “secagem”, é aconselhada para varizes de pequeno calibre, com um reduzido grau de desenvolvimento, e todas aquelas que não possuem indicação cirurgica. Segundo Eduardo Serra Brandão, esta técnica consiste na “queimadura” da variz. A veia, após a “secagem”, acaba por se tornar um cordão fibroso, que, posteriormente, será absorvido pelo organismo. Em termos práticos, a “veia fica seca, como um galho de uma árvore”. A escleroterapia “trata cerca de 90% das varizes com esta indicação terapêutica”.

Em situações pontuais e seleccionadas, pode-se recorrer ao laser transcutâneo, que permite resolver os derrames e varizes até dois milímetros de espessura. Contudo, alerta o especialista, “esta técnica é mais onerosa”. Se através do ecodoppler (exame de diagnóstico que detecta a existência de insuficiência venosa), se chegar à conclusão de que existem varizes com indicação cirúrgica, a solução passa pela operação. “Até à cirurgia, o doente deve utilizar collants de descanso e tomar flebotropos. A cirurgia pode ser efectuada com laser endovascular e anestesiai local, em regime ambulatório, ou com internamento hospitalar e anestesia geral ou intradural, nos casos mais avançados.”

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