Stresse: lutar ou fugir?
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Fuga versus treino
Em oposição à fuga permanente, o efeito do treino diz-nos que se nos expusermos de forma controlada e repetida a situações de stresse, o que acaba por acontecer é como que um reconhecimento (tal como o sistema imunitário identifica um agente agressor conhecido) da agressão e uma resposta adequada e não exagerada.
Se pensarmos que a melhor forma de nos protegeremos contra o stresse é vivermos afastados dos possíveis agentes desencadeadores, como diz o efeito do treino “alguma coisa acontece” – desadaptação.
É a luta, a resiliência, que nos manterá capazes de responder ao stresse dos negócios, ou do nosso emprego, de forma ajustada, controlada e, acima de tudo, eficaz e saudável.
Ainda que se saiba que o stresse crónico tem efeitos devastadores na saúde, será o mais puro engano pensarmos que, na sociedade actual, poderemos sobreviver sem conseguirmos gerir o stresse. Teremos de, através da exposição, aprendermos e fazermos aprender o nosso organismo a encarar estes desafios emocionais como alicerces para uma forma de estar mais actuante, mais predisposta, mais disponível.
É assim com o treino físico – ao fim de alguns dias corridas ligeiras, as nossas pernas parece que resistem melhor às subidas e ao aumento da velocidade. É assim com o treino mental – exercícios de concentração, de “engagement”, tornamnos mais centrados na tarefa, mais produtivos – é enfim, assim com a vida. Não é a “fuga” que nos mantém ainda no nosso planeta como uma espécie que resistiu. Foi a “luta” contra a agrura do clima e do meio. Tal como agora, é a luta, a resiliência, que nos manterá capazes de responder ao stresse dos negócios, ou do nosso emprego, de forma ajustada, controlada e, acima de tudo, eficaz e saudável.
Sabia que…
> Adrenalina: hormona e também um neurotransmissor com acções de mobilização das funções orgânicas para enfrentar as situações de stresse, através da aumento da frequência cardíaca e da disponibilidade de glicose para os músculos e cérebro. Tem também um papel imunodepressor.
> Cortisol: hormona envolvida na resposta ao stresse, aumentando a pressão arterial, a glicemia (concentração de glicose na sangue) e diminuindo a nossa resposta do sistema imunitário.
Esta entidade de que tanto se fala o que é na realidade e onde se localiza? A Inês, o Luís e o Pedro todos tiveram sensações comuns: o coração acelerou, a respiração tornou-se mais profunda, e os músculos ficaram mais tensos. Para além destas reacções, a Inês ficou ruborizada na cara e o Luís sentiu-se a suar e até ficou nauseado, tal era a importância da decisão!
Do ponto de vista biológico, estas manifestações associadas ao stresse resultam da activação de um sistema de alarme situado no cérebro – o hipotálamo. Esta estrutura é responsável por diferentes funções orgânicas tais como a temperatura, o sono e o apetite. Durante uma situação de stresse intenso, o hipotálamo segrega uma hormona – factor de libertação da corticotropina – que “viaja” até à glândula pituitária para ser produzida a hormona adrenocorticotrófica. Esta hormona entra na corrente sanguínea, estimulando as glândulas adrenais para ser libertada adrenalina e cortisol. Estas duas hormonas são responsáveis por fazer “despertar” o nosso corpo para enfrentar o stresse através de uma reacção chamada “luta ou foge” (“fight or flight”).

