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Stress: a ameaça dos novos tempos?

10 Novembro, 2011 0

Mas, talvez, não tenhamos um conhecimento correcto do que é o stress. Tanto pode ser algo “traumático” que do meio externo ou interno nos atinge, como o conjunto das consequências provocadas no organismo pelo dito agente. Mais ainda: pode ser algo indefinido e indicador de um mal-estar físico, mental, social e até moral. Por isso, tanto se ouve “vivo num stress constante” ou, ainda, “Tenho um stress incontrolável”.

O stress é um estádio de combate “corpo-a-corpo” entre o que eu tenho vindo a ser – a minha individualidade: em formação, incompleta, em devir – e o meio (externo e interno), que sujeita a novos exigências, desafios e ameaças, tensões, sobrecargas e obstáculos, a exigirem superação ou a provocarem claudicação.

Por isso, todos estamos em stress (se não, estávamos mortos). O que temos, amiúde, são as consequências físicas e psíquicas, pessoais e sociais, desse estado; quando nóxicas – aquelas a que vulgarmente nos referimos – dão sofrimento e muitas vezes doença.

Sublinhe-se, contudo, que as situações de stress superadas – organizadoras do nosso crescimento e da nossa identidade – são quase sempre agentes de saúde e, de certeza, garantes da nossa experiência e maturidade emocional.

Quando as acções de superação (mecanismos de coping ) não são bem sucedidas, surgem as consequências fisiológicas e psicológicas – cognitivas, emocionais, volitivas ou comportamentais – enquanto resposta inespecífica do organismo aos acidentes/acontecimentos existenciais da vida.

Os agentes indutores do stress – o próprio termo sugere carga e estímulo – remetem, quase sempre, para velocidade, aglomeração, falta de tempo, tráfego, poluição, ruído, catástrofes, ou seja, factores externos, mecânicos e urbanos. Mas a humilhação, a opressão a restrição da liberdade são, sobremaneira, fontes maciças de stress.

Numa descrição não sistematizada, os seguintes agentes indutores de stress são importantes: (1) processamento acelerado da informação; (2) estímulos traumáticos; (3) sensação de ameaça; (4) alterações fisiológicas – doença, dor, insónia, imobilidade; (5) isolamento; (6) repressão e humilhação; (7) pressão grupal; (8) frustração e conflito; (8) ameaça aos valores e objectivos; (10) falta de controlo.

Hoje, em menos de três dias, manipulamos o mesmo número de acontecimentos, estímulos e agentes de stress com que os nossos avós lidaram ao longo de todo um ano.

Em pouco mais de três meses, com o que eles vivenciaram uma vida inteira. Este aumento dramático de ocorrências impõe-nos o sentido do iminente e do imediato, pois não há estímulo suficientemente remoto nem lugar suficientemente seguro e inatingível.

Multiplicam-se as experiências para um mesmo tempo de decisão e o esforço de controlo, avaliação e discriminação da informação recebida é constante.

Contudo, não são as coisas do mundo material que nos atingem, mas a sua representação. Ao estado de activação provocado pelo sentido do iminente, aliamos paradoxalmente a relativa ausência de ameaça.

As respostas prontas e as decisões apropriadas vacilam, e, incapazes e impedidos de resolver fisicamente e mentalmente o dilema da luta ou da fuga consequentes, vivemos (n)um estado suspenso de alerta constante e crónico; e o que não ex-plode, im-plode em descargas no organismo.

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