Soltar uma gargalhada pode aliviar o stresse e, até, a tensão acumulada. É por esta razão que, hoje em dia, muitas empresas estão a apostar nas sessões de ioga do riso, como forma de aumentar a produtividade e o rendimento dos seus funcionários.
Não tem efeitos secundários, nem contra-indicações conhecidas e é totalmente gratuito. Falamos, pois, do riso. Esse mecanismo tão espontânea e contagiante que está ao alcance de qualquer um. E para que o riso tenha efeito, basta apenas soltar uma boa gargalhada. Foi a pensar no “cinzentismo” do dia-a-dia que Madan Kataria – um médico indiano de Medicina Geral e Familiar -, em conjunto com a sua esposa (monitora de ioga), criou, em 1995, o primeiroclube do riso em todo o mundo.
Com base nos exercícios da gargalhada, aliados a um programa de respiração do ioga, formou um movimento que se designa por “ioga do riso”. E, contrariamente ao que se possa julgar, este movimento tem conquistado inúmeros adeptos nos quatro cantos do mundo. Basta ver, por exemplo, que existem cerca de 1000 clubes do riso espalhados pelos cinco continentes. Em Portugal, foi formada, há cerca de um ano atrás, em Coimbra, a primeira Escola do Riso.
Joanne Gribbler e Jörg Helms – os mentores deste projecto – preparam sessões de ioga do riso em empresas, com o objectivo de melhorar a produtividade e o rendimento dos colaboradores. “Esta técnica não é uma actividade-espectáculo para praticar uma vez por ano”, diz Joanne Gribbler. E adianta: “O ioga do riso é um método colectivo dentro de uma empresa. Com esta técnica pretende-se que, a longo prazo, a equipa se comece a sentir mais dinâmica, mais saudável e mais descontraída.”
Cada sessão tem início com um riso simulado. Uma gargalhada falsa que, segundo Joanne Gribbler, nos liberta do espartilho do stresse. “Esta nova filosofia de empresas com sentido de humor pode fazer maravilhas: mesmo sendo um riso provocado, o cérebro assume um comportamento de bem-estar e liberta endorfinas. É uma brincadeira séria e que funciona na prática.”
O estudo científico (Unconditional laughter and Workplace efficacy), realizado em 2007, nos Estados Unidos, testou o grau de eficácia dos funcionários sujeitos a uma sessão de ioga do riso, durante 15 minutos, ao longo de 15 dias consecutivos.
Passadas três semanas de sessões diárias, verificou-se que os participantes tinham melhorado o “perfil de consciência das suas capacidades”. E, três meses após a última sessão, os investigadores concluíram que os efeitos positivos do ioga do riso se mantinham.
Um outro estudo científico (Unconditional laughter and Workplace stress), realizado no ano passado pela SVYASA University Research Institute, na Índia, testou os efeitos do ioga do riso no combate ao stresse. Os testes fisiológicos, bioquímicos e psicológicos demonstraram uma redução do stresse laboral e uma melhoria da eficácia no trabalho.
[Continua na página seguinte]
Empresas com sentido de humor
“O ideal nas empresas é fazer uma sessão de demonstração da eficácia do ioga do riso com uma duração de 1 hora e meia a 3 horas, conforme a receptividade deste grupo”, afirma Joanne Gribbler.
Na sua perspectiva, este método é “económico e tem demonstrado resultados a nível físico, emocional e interpessoal ao nível da empresa como um todo”.
A HP foi uma das empresas, sedeadas em território luso, que já experimentou pôr a rir todos os seus funcionários. “No início, as pessoas ficam um pouco cépticas, porque começa por ser uma brincadeira, uma actividade lúdica, que à partida pode parecer superficial ou ridícula”, completa.
Passada esta fase, “esvaziam-se os pensamentos” e é, então, que se dá início ao riso verdadeiro e genuíno. Este “abre as comportas de toda a repressão mental e estende-se até à exaustão”, ou seja, até os músculos não aguentarem mais.
Através desta “terapia”, observa-se uma “transformação muito drástica do estado anímico”. As sessões com empresas envolvem toda a equipa numa sala. Os pequenos exercícios de “aquecimento”, depressa acendem a chama da “gargalhada pura”, em que se ri até não se poder mais. Unidos pelo mesmo lema, todos os participantes são tratados “de igual para igual”, sem constrangimentos. Indica Joanne Gribbler que “o riso rompe hierarquias e ajuda à coesão da equipa”.
Segundo conta, as equipa onde se observou uma maior união foram aquelas em que o chefe seassociou à “brincadeira”. Já diz o ditado que “é melhor rir do que chorar”, o que, na prática, é efectivamente verdade, se considerarmos que o pessimismo nos torna seres mais infelizes. É, por isso, que rir pode ser o melhor remédio para fazer face às agruras da vida.
Contudo, continua, “há ainda uma cultura avessa ao riso e rotulada como ridícula”. Aliás, os provérbios populares mostram isso mesmo: “Quem ri por nada e sem ter razão ou é tolo ou está para o ser.”
Mas, como para grandes males, grandes remédios, a solução passa por “derrubar tabus e barreiras para atravessar a porta do ridículo”. Porque, prossegue, “o principal é alcançarmos o puro bem-estar físico e emocional”.
Os efeitos do riso no organismo
“No essencial, o riso oxigena o corpo, razão pela qual se sente o calor a entrar. Mas, claro, que há também uma acção física: o riso favorece a respiração, melhora a actividade cardíaca e bombeia o sistema linfático. Este último tem como função eliminar as toxinas do organismo.”
Mas, para além de todos os benefícios comprovados, o riso, segundo diz Joanne Gribbler, pode ser considerado “um analgésico natural” que, em algumas situações, pode “eliminar” as incómodas dores de cabeça. Deste modo, continua, “o riso serve de catarse e equilibra o estado físico e emocional do corpo”, perante o stresse. Embora defenda que o estado de stresse é positivo – os músculos precisam de se contrair e descontrair – “há que ter em conta que a permanente exposição a esta emoção pode tornar-se patológica”. E, aqui, garante, “o riso dá a sensação de liberdade e de empowerment”.
Não tem efeitos secundários, nem contra-indicações conhecidas e é totalmente gratuito. Falamos, pois, do riso. Esse mecanismo tão espontânea e contagiante que está ao alcance de qualquer um. E para que o riso tenha efeito, basta apenas soltar uma boa gargalhada. Foi a pensar no “cinzentismo” do dia-a-dia que Madan Kataria – um médico indiano de Medicina Geral e Familiar -, em conjunto com a sua esposa (monitora de ioga), criou, em 1995, o primeiroclube do riso em todo o mundo.
Com base nos exercícios da gargalhada, aliados a um programa de respiração do ioga, formou um movimento que se designa por “ioga do riso”. E, contrariamente ao que se possa julgar, este movimento tem conquistado inúmeros adeptos nos quatro cantos do mundo. Basta ver, por exemplo, que existem cerca de 1000 clubes do riso espalhados pelos cinco continentes. Em Portugal, foi formada, há cerca de um ano atrás, em Coimbra, a primeira Escola do Riso.
Joanne Gribbler e Jörg Helms – os mentores deste projecto – preparam sessões de ioga do riso em empresas, com o objectivo de melhorar a produtividade e o rendimento dos colaboradores. “Esta técnica não é uma actividade-espectáculo para praticar uma vez por ano”, diz Joanne Gribbler. E adianta: “O ioga do riso é um método colectivo dentro de uma empresa. Com esta técnica pretende-se que, a longo prazo, a equipa se comece a sentir mais dinâmica, mais saudável e mais descontraída.”
Cada sessão tem início com um riso simulado. Uma gargalhada falsa que, segundo Joanne Gribbler, nos liberta do espartilho do stresse. “Esta nova filosofia de empresas com sentido de humor pode fazer maravilhas: mesmo sendo um riso provocado, o cérebro assume um comportamento de bem-estar e liberta endorfinas. É uma brincadeira séria e que funciona na prática.”
O estudo científico (Unconditional laughter and Workplace efficacy), realizado em 2007, nos Estados Unidos, testou o grau de eficácia dos funcionários sujeitos a uma sessão de ioga do riso, durante 15 minutos, ao longo de 15 dias consecutivos.
Passadas três semanas de sessões diárias, verificou-se que os participantes tinham melhorado o “perfil de consciência das suas capacidades”. E, três meses após a última sessão, os investigadores concluíram que os efeitos positivos do ioga do riso se mantinham.
Um outro estudo científico (Unconditional laughter and Workplace stress), realizado no ano passado pela SVYASA University Research Institute, na Índia, testou os efeitos do ioga do riso no combate ao stresse. Os testes fisiológicos, bioquímicos e psicológicos demonstraram uma redução do stresse laboral e uma melhoria da eficácia no trabalho.
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Empresas com sentido de humor
“O ideal nas empresas é fazer uma sessão de demonstração da eficácia do ioga do riso com uma duração de 1 hora e meia a 3 horas, conforme a receptividade deste grupo”, afirma Joanne Gribbler.
Na sua perspectiva, este método é “económico e tem demonstrado resultados a nível físico, emocional e interpessoal ao nível da empresa como um todo”.
A HP foi uma das empresas, sedeadas em território luso, que já experimentou pôr a rir todos os seus funcionários. “No início, as pessoas ficam um pouco cépticas, porque começa por ser uma brincadeira, uma actividade lúdica, que à partida pode parecer superficial ou ridícula”, completa.
Passada esta fase, “esvaziam-se os pensamentos” e é, então, que se dá início ao riso verdadeiro e genuíno. Este “abre as comportas de toda a repressão mental e estende-se até à exaustão”, ou seja, até os músculos não aguentarem mais.
Através desta “terapia“, observa-se uma “transformação muito drástica do estado anímico”. As sessões com empresas envolvem toda a equipa numa sala. Os pequenos exercícios de “aquecimento”, depressa acendem a chama da “gargalhada pura”, em que se ri até não se poder mais. Unidos pelo mesmo lema, todos os participantes são tratados “de igual para igual”, sem constrangimentos. Indica Joanne Gribbler que “o riso rompe hierarquias e ajuda à coesão da equipa”.
Segundo conta, as equipa onde se observou uma maior união foram aquelas em que o chefe seassociou à “brincadeira”. Já diz o ditado que “é melhor rir do que chorar”, o que, na prática, é efectivamente verdade, se considerarmos que o pessimismo nos torna seres mais infelizes. É, por isso, que rir pode ser o melhor remédio para fazer face às agruras da vida.
Contudo, continua, “há ainda uma cultura avessa ao riso e rotulada como ridícula”. Aliás, os provérbios populares mostram isso mesmo: “Quem ri por nada e sem ter razão ou é tolo ou está para o ser.”
Mas, como para grandes males, grandes remédios, a solução passa por “derrubar tabus e barreiras para atravessar a porta do ridículo”. Porque, prossegue, “o principal é alcançarmos o puro bem-estar físico e emocional”.
Os efeitos do riso no organismo
“No essencial, o riso oxigena o corpo, razão pela qual se sente o calor a entrar. Mas, claro, que há também uma acção física: o riso favorece a respiração, melhora a actividade cardíaca e bombeia o sistema linfático. Este último tem como função eliminar as toxinas do organismo.”
Mas, para além de todos os benefícios comprovados, o riso, segundo diz Joanne Gribbler, pode ser considerado “um analgésico natural” que, em algumas situações, pode “eliminar” as incómodas dores de cabeça. Deste modo, continua, “o riso serve de catarse e equilibra o estado físico e emocional do corpo”, perante o stresse. Embora defenda que o estado de stresse é positivo – os músculos precisam de se contrair e descontrair – “há que ter em conta que a permanente exposição a esta emoção pode tornar-se patológica”. E, aqui, garante, “o riso dá a sensação de liberdade e de empowerment”.