Os Sonhos
Os pesadelos, apesar de como todos sabemos, não serem nada agradáveis, fazem parte do sono e cumprem uma função muito importante que é a de nos permitir regular a ansiedade e continuar, de alguma forma, a dormir.
Os pesadelos são uma consequência da ansiedade e não a causa da ansiedade que frequentemente sentimos ao acordar.
Os pesadelos não nos levam a perder a consciência, nem a fazer alguma asneira, como nos relata, mas o mesmo já não se pode dizer da ansiedade.
Assim, creio que o cerne do seu problema se encontra na ansiedade – que reconhece advir da situação de saúde que o atormentou – e não no sono ou nos pesadelos. Logo que conseguir compreender e lidar melhor com esta ansiedade, os sintomas tenderão a desaparecer e o sono será certamente mais tranquilo e aprazível.
O sono é indispensável para a reposição das energias e descanso do sujeito. O sono é composto por várias fases – desde o adormecimento até ao sono profundo – sendo neste último, também chamado de sono REM (do inglês rapid eyes movements – movimentos oculares rápidos) que os sonhos ocorrem.
Trata-se de uma fase muito activa com contracções musculares, daí o nome de sono paradoxal, pelo qual também é conhecida, e que dura cerca de noventa minutos.
Ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, sonhamos todos os dias (a menos que o sujeito não durma, isto é, não entre na fase REM). O que acontece é que, por razões diversas, nem sempre nos lembramos do conteúdo dos sonhos ou mesmo de termos sonhado. Para Freud o sonho é o guardião do sono. Sem sonho não conseguiríamos dormir, se bem que haja algumas perturbações graves (como sejam as psicoses, de que se falará mais adiante), que atingem a capacidade simbólica do sujeito e a capacidade de sonhar.
Desde a antiguidade que o homem sempre se interrogou sobre os sonhos atribuindo-lhe particular curiosidade e misticismo. Durante muito tempo os sonhos foram considerados como indicadores do futuro – como informações de entidades divinas relativamente a calamidades ou acontecimentos que estariam por acontecer.
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Sigmund Freud, o chamado “pai da psicanálise“, vai lhe atribuir uma grande importância para o estudo da vida mental do sujeito, em primeiro lugar porque considera que durante o sono, os conteúdos ditos inconscientes, poderiam através de mecanismos mentais específicos, chegar ao consciente sob a forma de simbolismos. Tal explica o facto dos sonhos serem por vezes estranhos e aparentemente sem sentido.
Para Freud, o sonho relaciona-se com o passado e o presente de quem sonha e origina-se a partir de regiões desconhecidas no interior. Hoje sabemos que os conteúdos do sonho prendem-se geralmente com acontecimentos das últimas 48 horas.
Nos sonhos vamos encontrar aspectos do dia-a-dia, do passado, aspectos relacionados com o funcionamento biológico do sujeito (como o sujeito que acorda para urinar sonhando que estava aflito para urinar) ou do meio em redor do sujeito (como o indivíduo que acorda a sonhar que está a tocar a campainha para entrar nas aulas e repara que o despertador está a tocar).

