O hospital termal mais antigo do mundo deve a sua origem à rainha D. Leonor que se apercebeu das capacidades curativas das águas quentes que nasciam nas Caldas da Rainha. Ordenou a fundação do hospital e esteve durante algum tempo à frente da sua gestão, sem nunca se excluir dos banhos privativos na piscina que hoje tem o seu nome e que pode ser visitada no Hospital Termal Rainha D. Leonor.
Reza a história que a rainha D. Leonor, esposa de D. João II, seguia em viagem quando se apercebeu da existência de várias pessoas que se banhavam em poças de água quente e que afirmavam serem águas milagrosas. Diz-se também que a própria rainha se terá banhado nessas águas e curado, assim, uma ferida que tinha no peito.
Este acontecimento levou a que a rainha reconhecesse as propriedades terapêuticas das águas, tendo decidido, posteriormente, fundar o Hospital Termal, à volta do qual surgiram as primeiras casas e os primeiros habitantes das Caldas da Rainha.
«É a partir da construção do Hospital Termal que nasce a vila e mais tarde a cidade e o concelho», conta o Dr. Vasco Trancoso, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, desde Março de 1999.
Com a fundação do Hospital Termal, D. Leonor instituiu o chamado «Compromisso da rainha», um documento que foi considerado como o primeiro regulamento hospitalar do País, publicado em 1512, que, de entre os vários itens de funcionamento do hospital, refere que devem ser privilegiados os doentes com menos recursos económicos e assim tem sido ao longo dos séculos.
O Hospital Termal Rainha D. Leonor, fundado no final do século XV, é considerado por muitos autores o hospital termal mais antigo do mundo.
O Hospital conhece mais duas fases, uma no século XVIII com D. João V que ordena a sua reedificação e já no final do século XIX é Rodrigo Berquó o responsável por nova remodelação.
Situado nas Caldas da Rainha, o Hospital integra ainda o parque Dom Carlos I e a mata rainha D. Leonor, onde passa, no seu subsolo, o aquífero termal.
Todo este património, e mais algumas igrejas, nomeadamente a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, (classificado como Monumento Nacional) que integra o Hospital Termal, acaba por se juntar, em 1971, ao Hospital Distrital, formando o primeiro centro hospitalar do País, designado desde então por Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.
Esta instituição é singular no panorama da Saúde em Portugal, com o acréscimo de ser também a única estância termal do Estado.
Reaberto desde Agosto de 2000, o Hospital Termal Rainha D. Leonor encontra-se a funcionar a 50%, sendo que os projectos para os outros 50% já estão aprovados mas tem faltado o investimento para regularizar a situação.
As capacidades curativas das águas
Redução de dores e até de medicamentos e melhoria de qualidade de vida são os resultados destas águas que se consideravam antes milagrosas, mas que se sabe hoje que realmente têm características positivas para o tratamento e prevenção de determinadas doenças. A comprovar, o Dr. José Franco, director clínico, refere que «há doentes que chegam de canadianas e quando terminam os tratamentos já vão sem as canadianas. Por outro lado, os doentes sentem-se bem porque voltam sem recomendação médica».
Por outro lado, hoje em dia já se assiste também ao aparecimento de investigação médica, do ponto de vista científico credível, sobre as águas termais.
Vasco Trancoso explica que «há estudos e ensaios controlados com todos os parâmetros que levam a que sejam aceites pela comunidade científica como válidos e apontam para o grande interesse das águas com enxofre».
Exemplos deste cenário são estudos que sugerem o papel do enxofre no combate ao envelhecimento das articulações. Comprova-se que, após a absorção do enxofre pela pele, este deposita-se nas cartilagens articulares e evita a atrofia dessas cartilagens, traduzindo-se num mecanismo que retarda o envelhecimento articular.
Também há estudos que indicam o desaparecimento de certas células responsáveis pelas alergias na mucosa nasal, em caso de rinites alérgicas e sinusites, após a exposição às inalações com água mineral com enxofre.
«Passamos de um tempo antigo em que se explicavam algumas melhoras de problemas de saúde nas pessoas através do campo empírico para serem, hoje, certificadas através de ensaios médicos», salienta Vasco Trancoso.
Em todo o caso, José Franco alerta que é aconselhável repetir as termas de seis em seis meses porque o enxofre, quando entra na circulação do sangue e se dirige para as articulações, ao fim de seis meses é expulso através das fezes e da urina, sendo necessário fazer um novo «armazenamento».
Sobre a duração dos tratamentos, o director clínico relembra que os romanos definiram um período de 21 dias, que mais tarde entrou na gíria das termas. O que é certo é que a entrada do enxofre pela pele demora cerca de 21 dias, mas na terceira e quarta semana atinge uma estagnação. Deste modo, hoje em dia, fazem-se tratamentos durante duas a três semanas.
Hidrologia, reumatologia e medicina física e de reabilitação
No Hospital Termal podemos encontrar três áreas que se complementam entre si. São elas, a Hidrologia, a Medicina Física e de Reabilitação e a Reumatologia.
Os doentes chegam de todo o País e alguns até do estrangeiro. As idades e as patologias podem ser diversas, mas há uma maior frequência, na parte termal, para grupos etários mais avançados que apresentam um quadro de doen-ças mais relacionadas com o reumatismo. Porém, as doenças do aparelho respiratório, sobretudo das vias aéreas superiores são também habitualmente tratadas no Hospital.
De acordo com José Franco, «a água sulfúrea é boa para estas situações pela sua característica de ser anti-inflamatória, com uma acção analgésica e, ao nível do aparelho respiratório, com um efeito anti–histamínico. Podemos ainda acrescentar a acção trópica sobre a cartilagem, o que permite uma medida preventiva a todas as pessoas sem estarem doentes».
Na parte termal – hidrologia – a maioria dos doentes ronda os 40 a 65 anos, com algumas excepções, principalmente no que toca às afecções respiratórias em que os doentes são jovens em idade escolar. Na parte das vias respiratórias, o Hospital apresenta um sector das inalações com inaladores cournier, irrigações nasais e aerossóis simples e sónicos.
As artroses, espondiloses e outros problemas articulares, do foro reumatológico, constituem a maior percentagem de patologias que são tratadas através da hidrologia, recorrendo ao duche Vichy, aos banhos simples ou de bolha de ar, ao manilúvio e pedilúvio.
E para complementar os resultados da hidrologia, o Hospital integra mais duas especialidades – a reumatologia e a medicina física e de reabilitação – no Hospital Termal. Vasco Trancoso dá um exemplo:
«Se a água mineral é boa para evitar problemas articulares no que diz respeito às cartilagens, é também importante para situações de recuperação após operações de ortopedia às articulações e também em termos de medicina desportiva. Por exemplo, os jogadores de futebol podem fazer uma recuperação mais rápida dos seus problemas articulares depois de uma operação ao menisco e até treinarem mais cedo. Complementa-se o tratamento das águas com tratamento por agentes físicos.»
A medicina física e de reabilitação é a área funcional nas Caldas da Rainha e recebe pessoas enviadas pelos médicos com várias patologias, desde casos neurológicos, como AVC, paralisias e traumatismos, a problemas respiratórios (asma e bronquites) e do foro reumatológico (problemas da coluna). A reabilitação tem, por vezes, o apoio do internamento – com 12 camas – na fase inicial, passando posteriormente para ambulatório.
José Franco acrescenta ainda que «a Terapia da Fala e a Terapia Ocupacional inserem-se também na consulta de reabilitação, assim como o Centro de Desenvolvimento da Criança para situações em que os mais pequeninos nascem com problemas motores, contando com o apoio de uma equipa multidisciplinar. Vemos, portanto, que nesta vertente da reabilitação os doentes não se restringem apenas a um grupo etário, indo desde as crianças até aos idosos».
O futuro do termalismo
O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha acredita que a região «deve apostar no desenvolvimento do termalismo, como motor para o desenvolvimento socioeconómico, porque é aquilo que a diferencia de outras regiões. Sendo assim, tem toda a lógica que tenha sido decidido desenvolver a possibilidade de uma concessão, para parte do património termal, a entidades privadas, como possíveis investidores».
Em consequência, iniciou-se um processo de colheita de informação para se alcançar a revitalização do termalismo caldense com parceria entre o ministério da Saúde e entidades privadas.
É um projecto que está ainda numa fase inicial, mas que se pode revelar como uma estratégia de extrema importância porque, como refere Vasco Trancoso, «além de se desenvolver o termalismo em si próprio e de se recuperar todo o património, poderá desenvolver também em simultâneo indústrias de lazer, como a hotelaria, o golfe e o hipismo, capazes de criar mais emprego e diversificar a base económica regional».
Neste sentido, se surgir o projecto de uma concessão para uma nova unidade termal visa o aparecimento de um termalismo diferente do existente. Actualmente, no Hospital Termal há um termalismo mais clássico, mais voltado para a Saúde e para idades mais avançadas que sofrem de situações reumatológicas degenerativas.
Aliás «80 a 90% dos nossos termalistas sofrem de doenças do foro reumatológico e os restantes sofrem de doenças respiratórias, habitualmente do tracto superior como rinites e sinusites.»
Assim não haverá concorrência entre este tipo de termalismo e outra forma de termalismo a desenvolver com a concessão a entidade privada, que será mais direccionado para o lazer.
«Será um termalismo diferente, mais voltado para o sector do turismo e do lazer, com uma forte componente de diversão, eventualmente com massagens e aspectos lúdicos importantes. São actividades mais apreciadas por um sector de termalistas diferentes do que aqueles que frequentam o actual Hospital Termal», afirma Vasco Trancoso.
Podem ser termalistas mais jovens, muitas vezes famílias que ao mesmo tempo que se divertem com a água termal, também beneficiam em termos de saúde porque estão a atrasar o seu envelhecimento articular.
Além disso, o presidente refere também que hoje assiste-se «a um certo regresso à procura do ambiente termal – sereno e agradável – que se contrapõe à praia, porque há cada vez mais a consciencialização de que o excesso de sol pode trazer problemas para a saúde, ao contrário do termalismo que para além do bem-estar físico proporciona também um bem-estar mental, essencial ao equilíbrio da pessoa».
A aposta no desenvolvimento do termalismo é, deste modo, uma das direcções fundamentais que Caldas da Rainha pode assumir.
Serviços
• Sector de Inaloterapia
• Duche de Vichy
• Pedilúvio
• Manilúvio
• Serviço de Hidrologia
• Medicina Física e de Reabilitação
• Serviço de Reumatologia
• Fisioterapia (ginásio e salas de tratamento)
• Internamento
• Terapia da Fala
• Terapia Ocupacional
As águas milagrosas
A água termal das Caldas da Rainha é singular não só a nível nacional, mas também a nível internacional. Caracteriza-se por ser uma água sulfúrea – que contém compostos de enxofre –, mas, ao contrário da maior parte das águas sulfúreas do nosso País cuja mineralização anda à volta dos 200 a 300 miligramas por litro, a água das Caldas é altamente mineralizada, ultrapassando os três mil miligramas de sais minerais por litro. Magnésio, flúor, cloreto de sódio e sulfatos são alguns dos minerais presentes nestas águas.
Nascem com um pH neutro e a uma temperatura de 34,5 graus, são submetidas a um ligeiro aquecimento em banho-maria e utilizadas nos banhos com uma temperatura de 37/38 graus.
O Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar»
Em termos de saúde, o termalismo é uma forma de tratamento. Os tratamentos termais são admitidos e aceites pela comunidade médica. Neste caso, o Hospital Termal Rainha D. Leonor assume uma diferenciação em relação a outros espaços termais porque é o único que é do Estado.
Para o Dr. Jorge Pereira, coordenador da Sub-Região de Saúde de Leiria, «hoje em dia há uma tendência para a privatização, mas, de qualquer maneira, o Hospital Termal ainda se demarca dessa situação».
Sobre o futuro, e a hipótese de aproximação ao turismo com a criação de um espaço de lazer, Jorge Pereira salienta que «era importante enveredar por essa via. Precisamos de atrair mais jovens e mais estrangeiros».
Em todo o caso, o Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar, até pelos mais de 500 anos de vida». Por outro lado, o termalismo assume uma realidade e proporções diferentes do passado.
Antigamente as pessoas iam para as termas e consideravam as águas como milagrosas. Hoje, com os devidos estudos das águas, já se conhecem as características terapêuticas, o que possibilita uma utilização mais adequada.
De qualquer modo, as termas têm ainda outra vertente mais psicológica. «As pessoas quando vão fazer termas abandonam aquele ritmo diário de vida mais stressante permitindo um mecanismo mais facilitador dos resultados que são positivos, sobretudo nas doenças reumatológicas e respiratórias», conclui Jorge Pereira.
Reza a história que a rainha D. Leonor, esposa de D. João II, seguia em viagem quando se apercebeu da existência de várias pessoas que se banhavam em poças de água quente e que afirmavam serem águas milagrosas. Diz-se também que a própria rainha se terá banhado nessas águas e curado, assim, uma ferida que tinha no peito.
Este acontecimento levou a que a rainha reconhecesse as propriedades terapêuticas das águas, tendo decidido, posteriormente, fundar o Hospital Termal, à volta do qual surgiram as primeiras casas e os primeiros habitantes das Caldas da Rainha.
«É a partir da construção do Hospital Termal que nasce a vila e mais tarde a cidade e o concelho», conta o Dr. Vasco Trancoso, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, desde Março de 1999.
Com a fundação do Hospital Termal, D. Leonor instituiu o chamado «Compromisso da rainha», um documento que foi considerado como o primeiro regulamento hospitalar do País, publicado em 1512, que, de entre os vários itens de funcionamento do hospital, refere que devem ser privilegiados os doentes com menos recursos económicos e assim tem sido ao longo dos séculos.
O Hospital Termal Rainha D. Leonor, fundado no final do século XV, é considerado por muitos autores o hospital termal mais antigo do mundo.
O Hospital conhece mais duas fases, uma no século XVIII com D. João V que ordena a sua reedificação e já no final do século XIX é Rodrigo Berquó o responsável por nova remodelação.
Situado nas Caldas da Rainha, o Hospital integra ainda o parque Dom Carlos I e a mata rainha D. Leonor, onde passa, no seu subsolo, o aquífero termal.
Todo este património, e mais algumas igrejas, nomeadamente a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, (classificado como Monumento Nacional) que integra o Hospital Termal, acaba por se juntar, em 1971, ao Hospital Distrital, formando o primeiro centro hospitalar do País, designado desde então por Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.
Esta instituição é singular no panorama da Saúde em Portugal, com o acréscimo de ser também a única estância termal do Estado.
Reaberto desde Agosto de 2000, o Hospital Termal Rainha D. Leonor encontra-se a funcionar a 50%, sendo que os projectos para os outros 50% já estão aprovados mas tem faltado o investimento para regularizar a situação.
As capacidades curativas das águas
Redução de dores e até de medicamentos e melhoria de qualidade de vida são os resultados destas águas que se consideravam antes milagrosas, mas que se sabe hoje que realmente têm características positivas para o tratamento e prevenção de determinadas doenças. A comprovar, o Dr. José Franco, director clínico, refere que «há doentes que chegam de canadianas e quando terminam os tratamentos já vão sem as canadianas. Por outro lado, os doentes sentem-se bem porque voltam sem recomendação médica».
Por outro lado, hoje em dia já se assiste também ao aparecimento de investigação médica, do ponto de vista científico credível, sobre as águas termais.
Vasco Trancoso explica que «há estudos e ensaios controlados com todos os parâmetros que levam a que sejam aceites pela comunidade científica como válidos e apontam para o grande interesse das águas com enxofre».
Exemplos deste cenário são estudos que sugerem o papel do enxofre no combate ao envelhecimento das articulações. Comprova-se que, após a absorção do enxofre pela pele, este deposita-se nas cartilagens articulares e evita a atrofia dessas cartilagens, traduzindo-se num mecanismo que retarda o envelhecimento articular.
Também há estudos que indicam o desaparecimento de certas células responsáveis pelas alergias na mucosa nasal, em caso de rinites alérgicas e sinusites, após a exposição às inalações com água mineral com enxofre.
«Passamos de um tempo antigo em que se explicavam algumas melhoras de problemas de saúde nas pessoas através do campo empírico para serem, hoje, certificadas através de ensaios médicos», salienta Vasco Trancoso.
Em todo o caso, José Franco alerta que é aconselhável repetir as termas de seis em seis meses porque o enxofre, quando entra na circulação do sangue e se dirige para as articulações, ao fim de seis meses é expulso através das fezes e da urina, sendo necessário fazer um novo «armazenamento».
Sobre a duração dos tratamentos, o director clínico relembra que os romanos definiram um período de 21 dias, que mais tarde entrou na gíria das termas. O que é certo é que a entrada do enxofre pela pele demora cerca de 21 dias, mas na terceira e quarta semana atinge uma estagnação. Deste modo, hoje em dia, fazem-se tratamentos durante duas a três semanas.
Hidrologia, reumatologia e medicina física e de reabilitação
No Hospital Termal podemos encontrar três áreas que se complementam entre si. São elas, a Hidrologia, a Medicina Física e de Reabilitação e a Reumatologia.
Os doentes chegam de todo o País e alguns até do estrangeiro. As idades e as patologias podem ser diversas, mas há uma maior frequência, na parte termal, para grupos etários mais avançados que apresentam um quadro de doen-ças mais relacionadas com o reumatismo. Porém, as doenças do aparelho respiratório, sobretudo das vias aéreas superiores são também habitualmente tratadas no Hospital.
De acordo com José Franco, «a água sulfúrea é boa para estas situações pela sua característica de ser anti-inflamatória, com uma acção analgésica e, ao nível do aparelho respiratório, com um efeito anti–histamínico. Podemos ainda acrescentar a acção trópica sobre a cartilagem, o que permite uma medida preventiva a todas as pessoas sem estarem doentes».
Na parte termal – hidrologia – a maioria dos doentes ronda os 40 a 65 anos, com algumas excepções, principalmente no que toca às afecções respiratórias em que os doentes são jovens em idade escolar. Na parte das vias respiratórias, o Hospital apresenta um sector das inalações com inaladores cournier, irrigações nasais e aerossóis simples e sónicos.
As artroses, espondiloses e outros problemas articulares, do foro reumatológico, constituem a maior percentagem de patologias que são tratadas através da hidrologia, recorrendo ao duche Vichy, aos banhos simples ou de bolha de ar, ao manilúvio e pedilúvio.
E para complementar os resultados da hidrologia, o Hospital integra mais duas especialidades – a reumatologia e a medicina física e de reabilitação – no Hospital Termal. Vasco Trancoso dá um exemplo:
«Se a água mineral é boa para evitar problemas articulares no que diz respeito às cartilagens, é também importante para situações de recuperação após operações de ortopedia às articulações e também em termos de medicina desportiva. Por exemplo, os jogadores de futebol podem fazer uma recuperação mais rápida dos seus problemas articulares depois de uma operação ao menisco e até treinarem mais cedo. Complementa-se o tratamento das águas com tratamento por agentes físicos.»
A medicina física e de reabilitação é a área funcional nas Caldas da Rainha e recebe pessoas enviadas pelos médicos com várias patologias, desde casos neurológicos, como AVC, paralisias e traumatismos, a problemas respiratórios (asma e bronquites) e do foro reumatológico (problemas da coluna). A reabilitação tem, por vezes, o apoio do internamento – com 12 camas – na fase inicial, passando posteriormente para ambulatório.
José Franco acrescenta ainda que «a Terapia da Fala e a Terapia Ocupacional inserem-se também na consulta de reabilitação, assim como o Centro de Desenvolvimento da Criança para situações em que os mais pequeninos nascem com problemas motores, contando com o apoio de uma equipa multidisciplinar. Vemos, portanto, que nesta vertente da reabilitação os doentes não se restringem apenas a um grupo etário, indo desde as crianças até aos idosos».
O futuro do termalismo
O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha acredita que a região «deve apostar no desenvolvimento do termalismo, como motor para o desenvolvimento socioeconómico, porque é aquilo que a diferencia de outras regiões. Sendo assim, tem toda a lógica que tenha sido decidido desenvolver a possibilidade de uma concessão, para parte do património termal, a entidades privadas, como possíveis investidores».
Em consequência, iniciou-se um processo de colheita de informação para se alcançar a revitalização do termalismo caldense com parceria entre o ministério da Saúde e entidades privadas.
É um projecto que está ainda numa fase inicial, mas que se pode revelar como uma estratégia de extrema importância porque, como refere Vasco Trancoso, «além de se desenvolver o termalismo em si próprio e de se recuperar todo o património, poderá desenvolver também em simultâneo indústrias de lazer, como a hotelaria, o golfe e o hipismo, capazes de criar mais emprego e diversificar a base económica regional».
Neste sentido, se surgir o projecto de uma concessão para uma nova unidade termal visa o aparecimento de um termalismo diferente do existente. Actualmente, no Hospital Termal há um termalismo mais clássico, mais voltado para a Saúde e para idades mais avançadas que sofrem de situações reumatológicas degenerativas.
Aliás «80 a 90% dos nossos termalistas sofrem de doenças do foro reumatológico e os restantes sofrem de doenças respiratórias, habitualmente do tracto superior como rinites e sinusites.»
Assim não haverá concorrência entre este tipo de termalismo e outra forma de termalismo a desenvolver com a concessão a entidade privada, que será mais direccionado para o lazer.
«Será um termalismo diferente, mais voltado para o sector do turismo e do lazer, com uma forte componente de diversão, eventualmente com massagens e aspectos lúdicos importantes. São actividades mais apreciadas por um sector de termalistas diferentes do que aqueles que frequentam o actual Hospital Termal», afirma Vasco Trancoso.
Podem ser termalistas mais jovens, muitas vezes famílias que ao mesmo tempo que se divertem com a água termal, também beneficiam em termos de saúde porque estão a atrasar o seu envelhecimento articular.
Além disso, o presidente refere também que hoje assiste-se «a um certo regresso à procura do ambiente termal – sereno e agradável – que se contrapõe à praia, porque há cada vez mais a consciencialização de que o excesso de sol pode trazer problemas para a saúde, ao contrário do termalismo que para além do bem-estar físico proporciona também um bem-estar mental, essencial ao equilíbrio da pessoa».
A aposta no desenvolvimento do termalismo é, deste modo, uma das direcções fundamentais que Caldas da Rainha pode assumir.
Serviços
• Sector de Inaloterapia
• Duche de Vichy
• Pedilúvio
• Manilúvio
• Serviço de Hidrologia
• Medicina Física e de Reabilitação
• Serviço de Reumatologia
• Fisioterapia (ginásio e salas de tratamento)
• Internamento
• Terapia da Fala
• Terapia Ocupacional
As águas milagrosas
A água termal das Caldas da Rainha é singular não só a nível nacional, mas também a nível internacional. Caracteriza-se por ser uma água sulfúrea – que contém compostos de enxofre –, mas, ao contrário da maior parte das águas sulfúreas do nosso País cuja mineralização anda à volta dos 200 a 300 miligramas por litro, a água das Caldas é altamente mineralizada, ultrapassando os três mil miligramas de sais minerais por litro. Magnésio, flúor, cloreto de sódio e sulfatos são alguns dos minerais presentes nestas águas.
Nascem com um pH neutro e a uma temperatura de 34,5 graus, são submetidas a um ligeiro aquecimento em banho-maria e utilizadas nos banhos com uma temperatura de 37/38 graus.
O Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar»
Em termos de saúde, o termalismo é uma forma de tratamento. Os tratamentos termais são admitidos e aceites pela comunidade médica. Neste caso, o Hospital Termal Rainha D. Leonor assume uma diferenciação em relação a outros espaços termais porque é o único que é do Estado.
Para o Dr. Jorge Pereira, coordenador da Sub-Região de Saúde de Leiria, «hoje em dia há uma tendência para a privatização, mas, de qualquer maneira, o Hospital Termal ainda se demarca dessa situação».
Sobre o futuro, e a hipótese de aproximação ao turismo com a criação de um espaço de lazer, Jorge Pereira salienta que «era importante enveredar por essa via. Precisamos de atrair mais jovens e mais estrangeiros».
Em todo o caso, o Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar, até pelos mais de 500 anos de vida». Por outro lado, o termalismo assume uma realidade e proporções diferentes do passado.
Antigamente as pessoas iam para as termas e consideravam as águas como milagrosas. Hoje, com os devidos estudos das águas, já se conhecem as características terapêuticas, o que possibilita uma utilização mais adequada.
De qualquer modo, as termas têm ainda outra vertente mais psicológica. «As pessoas quando vão fazer termas abandonam aquele ritmo diário de vida mais stressante permitindo um mecanismo mais facilitador dos resultados que são positivos, sobretudo nas doenças reumatológicas e respiratórias», conclui Jorge Pereira.