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Dossier: Doenças da Coluna

Como funciona a coluna vertebral? A coluna vertebral é composta por trinta e três pequenos ossos ou vértebras que sustentam o corpo, permitindo o movimento e protegendo a medula.

Entre cada duas vértebras típicas existe um disco intervertebral, que ajuda a absorver as pressões e impede o atrito entre as vértebras. Para além de servirem de amortecedores, estes discos garantem a flexibilidade da coluna vertebral.

A coluna também protege a medula, que é constituída por fibras nervosas que ligam o cérebro com o resto do seu corpo. Trinta e três pares de raízes nervosas saem da medula, por ambos os lados, através de espaços existentes entre as vértebras.

A coluna vertebral possui três segmentos principais: o cervical (pescoço), o torácico (tórax) e o lombar (cintura).

A coluna cervical é a parte superior da coluna e é formada por sete vértebras. As duas primeiras vértebras cervicais (atlas e áxis), diferem totalmente das outras porque são destinadas especificamente para executarem os movimentos de rotação.

A coluna torácica constitui a parte média da coluna e é formada por doze vértebras. Estas vértebras estão conectadas com as costelas e formam a parte posterior do tórax.
A parte mais baixa da coluna chama-se coluna lombar e é constituída por cinco vértebras.
O sacro é um osso grande e triangular que se encontra localizado na base da coluna vertebral e articula-se com o osso da cauda da coluna ou cóccix.

 

O que provoca dores na coluna?

Com a idade, o esforço ou movimentos incorrectos, a estrutura dos discos altera-se desidratando-se e modificando a sua flexibilidade. Consequentemente, as vértebras aproximam-se, o que pode resultar no estreitamento dos orifícios de saída das raízes nervosas na coluna e os discos diminuem a sua capacidade de absorção podendo rasgar-se internamente.

Desgaste, uma postura errada e movimentos do corpo incorrectos podem causar, igualmente, o enfraquecimento do disco e consequentemente provocar dores na coluna ou nos membros, bem como problemas funcionais, tais como a dormência ou formigueiro nos membros, ou dificuldade em andar.

Para além das lesões do disco, também as alterações das articulações entre vértebras, os ligamentos e os músculos que estão adjacentes à coluna podem tornar-se dolorosos, contribuindo para aumentar a intensidade da dor.

A dor lombar é muito frequente porque é nesta região que se apoia a maior parte do peso corporal (logo o peso excessivo ser prejudicial) e onde ocorre a maior quantidade de movimentos.

[Continua na página seguinte]

Incidência em Portugal e no Mundo

As doenças da coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física em idade laboral e são uma das principais causas de ausência no trabalho em todo o mundo.

As dores nas costas são a segunda causa, em números globais, em Portugal, das visitas ao médico. Tanto homens como mulheres sofrem de dores nas costas e geralmente a dor ocorre entre os 25 e os 60 anos. Contudo, aproximadamente 12 por cento a 26 por cento das crianças e adolescentes também sofrem de dores nas costas (apesar de pouco intensas).

Cerca de 70 a 80 por cento da população acaba por recorrer ao médico nalgum período da sua vida por queixas dolorosas ao nível da coluna, sendo a patologia degenerativa da coluna a primeira causa de baixa laboral e de incapacidade transitória e permanente para o trabalho.

Estima-se que mais de metade de todos os pacientes com dores cervicais e lombares melhora após 1 semana; 90 por cento apresenta melhoria após 8 semanas; e os restantes 7 por cento a 10 por cento continuam a apresentar sintomas por mais de 6 meses.

 

Principais doenças da coluna

As doenças da coluna vertebral são inúmeras e, no seu conjunto, constituem situações incapacitantes para o quotidiano de quem as possui. Entre as doenças da coluna encontram-se a escoliose, a hérnia discal, a doença discal degenerativa, a espondilartrose entre outras. As lesões da coluna por traumatismo são relativamente comuns, principalmente nos casos de acidentes de trânsito e quedas de altura. A coluna pode também ser afectada por tumores benignos ou malignos, necessitando de intervenção cirúrgica.

Escoliose

A escoliose é uma deformação em que existe uma curvatura lateral da coluna, fazendo com que o corpo fique assimétrico. A escoliose pode ter várias causas como genética, problemas neuromusculares ou comprimento desigual dos membros inferiores, mas o mais comum são as escolioses de causa desconhecida (idiopáticas), que se manifestam ainda na infância. Quando necessário, a única maneira de a corrigir é através de cirurgia e estima-se que a escoliose afecte 2% das mulheres e 0.5% dos homens.

Os principais sintomas da escoliose são:

– ombros que se encontram a alturas diferentes,
– uma das ancas parecer levantada em relação à outra,
– cintura desigual,
– inclinação de todo o corpo para um dos lados, e,
– ao dobrar o corpo, proeminência de costela.

[Continua na página seguinte]

Hérnia discal

Durante os movimentos do tronco nas várias direcções a pressão nos discos da coluna torna-se irregular. A repetição destes movimentos, especialmente se o movimento for brusco e a pessoa não estiver preparada para o executar pode causar lesões no disco. Após várias destas lesões podem surgir rupturas da parte externa do disco e o interior do disco intervertebral pode exteriorizar-se por essas fendas, produzindo uma hérnia discal.

A prevalência das hérnias discais sintomáticas estima-se em cerca de 2 a 3% da população, embora o número de hérnias discais assintomáticas seja muito superior. O aparecimento de uma hérnia discal é mais usual entre os 35 e 50 anos de idade.

As alterações degenerativas relacionadas com a idade tendem a provocar a perda de flexibilidade e elasticidade dos discos intervertebrais e, consequentemente, a sua fragilidade e ruptura.

Os principais sintomas de uma hérnia discal são a dor, sensação de formigueiro, dormência ou falta de força num membro superior ou inferior.

Como factores de risco são também considerados, para além da idade, actividades repetitivas e traumatismos na coluna.

Doença discal degenerativa

A doença discal degenerativa é um processo natural de envelhecimento que conduz a uma alteração da estrutura do disco intervertebral e secundariamente a um colapso discal, muitas vezes associado a dores lombares e nos membros.

Pode ser simplesmente resultado do natural processo de envelhecimento, que provoca a perda de flexibilidade, elasticidade e a capacidade de absorção do choque ou resultado de um traumatismo na coluna.
Devido à perda progressiva de água, os discos intervertebrais perdem a sua capacidade de actuarem como amortecedores das pressões exercidas sobre a coluna, fazendo com que as vértebras vizinhas se aproximem umas das outras.
Os principais sintomas são dor nas costas e/ou nos membros e por vezes dificuldade em andar.

 

Também neste caso são considerados como factores de risco, para além da idade, actividades repetitivas e traumatismos na coluna.

A maioria dos doentes com doença discal degenerativa responde aos tratamentos não cirúrgicos, entre os quais, a fisioterapia e exercícios para o fortalecimento dos músculos lombares e abdominais, medicação anti-inflamatória e evitando actividades repetitivas agressivas. No entanto, se esta abordagem não resultar, a cirurgia poderá ser necessária.

Espondilartrose (vulgo espondilose)

Da mesma forma que as várias articulações do corpo (ombro, anca, joelhos, etc.) sofrem de processos de desgaste/envelhecimento (ou degenerescência) conhecidos por artroses, também às articulações entre as vértebras sucede o mesmo. A artrose das articulações intervertebrais chama-se espondilartrose e pode causar crises dolorosas muito intensas, normalmente associadas a fenómenos inflamatórios.

Na espondilartrose ou espondilose observa-se vulgarmente a associação de discartrose (degenerescência do disco), artrose das articulações posteriores (chamadas interfacetárias) e de osteofitose que significa o desenvolvimento de “esporões” ósseos nas vértebras, muito conhecidos como bicos de papagaio, por a eles se assemelharem nas radiografias da coluna.

[Continua na página seguinte]

Diagnóstico das doenças da coluna

Para confirmar o diagnóstico das doenças da coluna é necessário realizar um exame físico completo à coluna vertebral e aos membros superiores e inferiores.

Será examinada a flexibilidade, o nível de movimento e sinais indicadores de lesão de nervos ou da coluna e serão registados os sintomas relatados.

O médico poderá solicitar a realização de exames complementares como a radiografia (raio-X) da coluna, a ressonância magnética, ou a tomografia computadorizada.

 

Fracturas da coluna

O tipo de fracturas mais comum, na zona das costas, é a fractura por compressão, que geralmente resulta de uma queda. Esta pode ser diagnosticada com um raio-x e trata-se habitualmente com repouso, fisioterapia e cuidados médicos adequados.

No entanto, quando as vértebras são sujeitas a forças mais intensas, podem surgir fracturas mais graves, que podem originar compressão da medula e uma eventual lesão neurológica que geralmente exige um tratamento cirúrgico.

As fracturas do tipo flexão-compressão ocorrem com mais frequência na transição tóraco-lombar.

 

A importância do tratamento cirúrgico

Quando surgem problemas na coluna, quer sejam devido a lesões, à idade ou a deformação, as opções de tratamento devem focar-se na fonte do problema, com a preocupação de condicionar o menos possível o normal desenrolar da vida dos doentes. Medicação, fisioterapia ou mudanças de estilo de vida podem tratar com sucesso problemas causados por hérnias discais. No entanto, para muitas pessoas a cirurgia pode ser a melhor opção para tratar a dor, aliviar a compressão nervosa ou corrigir a deformação.

Assim, existem dois tipos de cirurgia, descritos sucintamente em baixo.

Cirurgia Convencional macroscópica

Este tipo de intervenção cirúrgica utiliza maiores incisões (cortes) na pele e músculos com desvantagem no efeito estético e dores pós-operatórias. Pode implicar ainda maiores períodos de internamento hospitalar e mais prolongados períodos de recuperação. Contudo, em várias doenças vertebro-medulares este método tem de ser utilizado para permitir o tratamento correcto da situação que o doente apresenta.

Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna

O recente desenvolvimento de procedimentos que minimizam os efeitos da cirurgia convencional através de métodos chamados minimamente invasivos, permitem em várias circunstâncias um regresso mais rápido e uma evolução menos dolorosa até retomar a vida normal.

As cirurgias minimamente invasivas da coluna podem permitir aos cirurgiões tratar com sucesso causas de dores e deformações, com interrupções mínimas na vida dos pacientes. Estas tecnologias têm vindo a ser desenvolvidas nas últimas duas décadas, fornecendo alternativas às cirurgias tradicionais da coluna.

 [Continua na página seguinte]

Dispositivos médicos para tratar as doenças da coluna

No tratamento da escoliose é implantado ao longo da coluna um dispositivo que vai corrigir a curvatura da coluna. O tipo de metal do aparelho será escolhido pelo cirurgião de acordo com a severidade da doença e os objectivos de correcção. Esta solução é recomendada para pacientes com uma curvatura na coluna superior a 45º.

Os parafusos, barras e conectores implantados ao longo da coluna têm como objectivo impedir a progressão da doença e reduzir o ângulo da curvatura anormal.

A hérnia discal pode actualmente ser tratada com a implantação de um disco protésico inserido entre as vértebras, recurso técnico desenvolvido nos últimos anos. Nesta cirurgia o disco alterado é removido na totalidade e substituído por um “disco” artificial (prótese).

Para substituir um disco danificado na coluna lombar, o cirurgião acede à coluna vertebral através de um orifício aberto no abdómen; caso o disco a substituir se encontre na coluna cervical, a incisão cirúrgica é feita na face anterior do pescoço.

No caso de certo tipo de fracturas da coluna, inovadores dispositivos médicos permitem que seja depositado cimento ósseo dentro da vértebra fracturada que permitirá a estabilização da fractura.

 

Glossário

Cartilagem – camada fina e rígida de tecido branco que cobre as terminações dos ossos, nas articulações. Este tecido permite a realização de movimentos com o mínimo de fricção.

Corpo vertebral – de um ângulo lateral, é a parte rectangular da coluna, de um ângulo visual de cima, é oval.

Discectomia – remoção cirúrgica de parte de material discal que se encontra a exercer pressão sobre raízes nervosas.

Disco – o disco intervertebral é a “almofada” de cartilagem situada entre as vértebras da coluna.

Doença Discal Degenerativa – deterioração rápida e progressiva da composição química e de propriedades físicas do espaço discal.

Enxerto ósseo – osso transplantado podendo o dador e o receptor ser indivíduos diferentes ou o mesmo.

Escoliose Congénita – escoliose devida a anormalidades ósseas presentes durante o nascimento e envolvendo formação deficiente de vértebras ou separação de vértebras adjacentes.

Escoliose Funcional – qualquer escoliose que seja causada por diferentes alturas das pernas ou por outra disfunção funcional e não devido a curvatura primária da coluna.

Escoliose Idiopática – curvatura lateral da coluna de causa desconhecida.

Estenose Degenerativa – hipertrofia progressiva da margem do corpo vertebral, das articulações e ligamentos resultando em estenose.

Estenose do canal – termo usado para designar um estreitamento do canal raquidiano (canal no interior da coluna) resultando na compressão dos nervos e causando dor.

Fractura – ruptura da continuidade normal do osso.

Fractura-Deslocação – fractura óssea também resultante em deslocação do osso da sua posição normal na articulação.

Fusão da coluna cervical, via Anterior – o acesso à coluna é realizado frontalmente, o disco e/ou parte da vértebra são removidos e substituídos por um excerto ósseo.

Fusão Lombar Intervertebral Anterior – cirurgia em que o acesso à coluna é feito através de uma incisão no abdómen. O disco afectado é removido da coluna e substituído por um implante e osso.

Fusão Lombar Intervertebral Posterior – cirurgia idêntica à anterior mas em que o acesso à coluna é feito através de uma incisão na zona lombar.

Lumbago – termo (arcaico) não médico utilizado para designar a dor na região lombar.

Mialgia – dor muscular.

Raquialgia – dor na coluna vertebral.

Tecido – conjunto de células similares e de substâncias intracelulares circundantes.

 

Contactos úteis

Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
Rua dos Aventureiros, Lote 3.10.10-Loja B, Parque das Nações, 1990-024 Lisboa
Tel.: 218 958 666 | Fax.: 218 958 667
E-mail: spot@spot.pt  Web-site: http://www.spot.pt/

Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral
Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, Av. República 34, 1º, 1050-193 Lisboa
Tlm: 962 539 452
E-mail: sppcv_secretariado@yahoo.com ; secretaria@sppcv.org | http://sppcv.org/

Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia
Av. 5 de Outubro, 151, 5º A, 1050-053 Lisboa
Tel/Fax.: 217 977 457 | Tlm: 968 900 358
E-mail: spneurocirurgia@netcabo.pt ; spneurocirurgia@mail.telepac.pt

Entre cada duas vértebras típicas existe um disco intervertebral, que ajuda a absorver as pressões e impede o atrito entre as vértebras. Para além de servirem de amortecedores, estes discos garantem a flexibilidade da coluna vertebral.

A coluna também protege a medula, que é constituída por fibras nervosas que ligam o cérebro com o resto do seu corpo. Trinta e três pares de raízes nervosas saem da medula, por ambos os lados, através de espaços existentes entre as vértebras.

A coluna vertebral possui três segmentos principais: o cervical (pescoço), o torácico (tórax) e o lombar (cintura).

A coluna cervical é a parte superior da coluna e é formada por sete vértebras. As duas primeiras vértebras cervicais (atlas e áxis), diferem totalmente das outras porque são destinadas especificamente para executarem os movimentos de rotação.

A coluna torácica constitui a parte média da coluna e é formada por doze vértebras. Estas vértebras estão conectadas com as costelas e formam a parte posterior do tórax.
A parte mais baixa da coluna chama-se coluna lombar e é constituída por cinco vértebras.
O sacro é um osso grande e triangular que se encontra localizado na base da coluna vertebral e articula-se com o osso da cauda da coluna ou cóccix.

 

O que provoca dores na coluna?

Com a idade, o esforço ou movimentos incorrectos, a estrutura dos discos altera-se desidratando-se e modificando a sua flexibilidade. Consequentemente, as vértebras aproximam-se, o que pode resultar no estreitamento dos orifícios de saída das raízes nervosas na coluna e os discos diminuem a sua capacidade de absorção podendo rasgar-se internamente.

Desgaste, uma postura errada e movimentos do corpo incorrectos podem causar, igualmente, o enfraquecimento do disco e consequentemente provocar dores na coluna ou nos membros, bem como problemas funcionais, tais como a dormência ou formigueiro nos membros, ou dificuldade em andar.

Para além das lesões do disco, também as alterações das articulações entre vértebras, os ligamentos e os músculos que estão adjacentes à coluna podem tornar-se dolorosos, contribuindo para aumentar a intensidade da dor.

A dor lombar é muito frequente porque é nesta região que se apoia a maior parte do peso corporal (logo o peso excessivo ser prejudicial) e onde ocorre a maior quantidade de movimentos.

[Continua na página seguinte]

Incidência em Portugal e no Mundo

As doenças da coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física em idade laboral e são uma das principais causas de ausência no trabalho em todo o mundo.

As dores nas costas são a segunda causa, em números globais, em Portugal, das visitas ao médico. Tanto homens como mulheres sofrem de dores nas costas e geralmente a dor ocorre entre os 25 e os 60 anos. Contudo, aproximadamente 12 por cento a 26 por cento das crianças e adolescentes também sofrem de dores nas costas (apesar de pouco intensas).

Cerca de 70 a 80 por cento da população acaba por recorrer ao médico nalgum período da sua vida por queixas dolorosas ao nível da coluna, sendo a patologia degenerativa da coluna a primeira causa de baixa laboral e de incapacidade transitória e permanente para o trabalho.

Estima-se que mais de metade de todos os pacientes com dores cervicais e lombares melhora após 1 semana; 90 por cento apresenta melhoria após 8 semanas; e os restantes 7 por cento a 10 por cento continuam a apresentar sintomas por mais de 6 meses.

 

Principais doenças da coluna

As doenças da coluna vertebral são inúmeras e, no seu conjunto, constituem situações incapacitantes para o quotidiano de quem as possui. Entre as doenças da coluna encontram-se a escoliose, a hérnia discal, a doença discal degenerativa, a espondilartrose entre outras. As lesões da coluna por traumatismo são relativamente comuns, principalmente nos casos de acidentes de trânsito e quedas de altura. A coluna pode também ser afectada por tumores benignos ou malignos, necessitando de intervenção cirúrgica.

Escoliose

A escoliose é uma deformação em que existe uma curvatura lateral da coluna, fazendo com que o corpo fique assimétrico. A escoliose pode ter várias causas como genética, problemas neuromusculares ou comprimento desigual dos membros inferiores, mas o mais comum são as escolioses de causa desconhecida (idiopáticas), que se manifestam ainda na infância. Quando necessário, a única maneira de a corrigir é através de cirurgia e estima-se que a escoliose afecte 2% das mulheres e 0.5% dos homens.

Os principais sintomas da escoliose são:

– ombros que se encontram a alturas diferentes,
– uma das ancas parecer levantada em relação à outra,
– cintura desigual,
– inclinação de todo o corpo para um dos lados, e,
– ao dobrar o corpo, proeminência de costela.

[Continua na página seguinte]

Hérnia discal

Durante os movimentos do tronco nas várias direcções a pressão nos discos da coluna torna-se irregular. A repetição destes movimentos, especialmente se o movimento for brusco e a pessoa não estiver preparada para o executar pode causar lesões no disco. Após várias destas lesões podem surgir rupturas da parte externa do disco e o interior do disco intervertebral pode exteriorizar-se por essas fendas, produzindo uma hérnia discal.

A prevalência das hérnias discais sintomáticas estima-se em cerca de 2 a 3% da população, embora o número de hérnias discais assintomáticas seja muito superior. O aparecimento de uma hérnia discal é mais usual entre os 35 e 50 anos de idade.

As alterações degenerativas relacionadas com a idade tendem a provocar a perda de flexibilidade e elasticidade dos discos intervertebrais e, consequentemente, a sua fragilidade e ruptura.

Os principais sintomas de uma hérnia discal são a dor, sensação de formigueiro, dormência ou falta de força num membro superior ou inferior.

Como factores de risco são também considerados, para além da idade, actividades repetitivas e traumatismos na coluna.

Doença discal degenerativa

A doença discal degenerativa é um processo natural de envelhecimento que conduz a uma alteração da estrutura do disco intervertebral e secundariamente a um colapso discal, muitas vezes associado a dores lombares e nos membros.

Pode ser simplesmente resultado do natural processo de envelhecimento, que provoca a perda de flexibilidade, elasticidade e a capacidade de absorção do choque ou resultado de um traumatismo na coluna.
Devido à perda progressiva de água, os discos intervertebrais perdem a sua capacidade de actuarem como amortecedores das pressões exercidas sobre a coluna, fazendo com que as vértebras vizinhas se aproximem umas das outras.
Os principais sintomas são dor nas costas e/ou nos membros e por vezes dificuldade em andar.

 

Também neste caso são considerados como factores de risco, para além da idade, actividades repetitivas e traumatismos na coluna.

A maioria dos doentes com doença discal degenerativa responde aos tratamentos não cirúrgicos, entre os quais, a fisioterapia e exercícios para o fortalecimento dos músculos lombares e abdominais, medicação anti-inflamatória e evitando actividades repetitivas agressivas. No entanto, se esta abordagem não resultar, a cirurgia poderá ser necessária.

Espondilartrose (vulgo espondilose)

Da mesma forma que as várias articulações do corpo (ombro, anca, joelhos, etc.) sofrem de processos de desgaste/envelhecimento (ou degenerescência) conhecidos por artroses, também às articulações entre as vértebras sucede o mesmo. A artrose das articulações intervertebrais chama-se espondilartrose e pode causar crises dolorosas muito intensas, normalmente associadas a fenómenos inflamatórios.

Na espondilartrose ou espondilose observa-se vulgarmente a associação de discartrose (degenerescência do disco), artrose das articulações posteriores (chamadas interfacetárias) e de osteofitose que significa o desenvolvimento de “esporões” ósseos nas vértebras, muito conhecidos como bicos de papagaio, por a eles se assemelharem nas radiografias da coluna.

[Continua na página seguinte]

Diagnóstico das doenças da coluna

Para confirmar o diagnóstico das doenças da coluna é necessário realizar um exame físico completo à coluna vertebral e aos membros superiores e inferiores.

Será examinada a flexibilidade, o nível de movimento e sinais indicadores de lesão de nervos ou da coluna e serão registados os sintomas relatados.

O médico poderá solicitar a realização de exames complementares como a radiografia (raio-X) da coluna, a ressonância magnética, ou a tomografia computadorizada.

 

Fracturas da coluna

O tipo de fracturas mais comum, na zona das costas, é a fractura por compressão, que geralmente resulta de uma queda. Esta pode ser diagnosticada com um raio-x e trata-se habitualmente com repouso, fisioterapia e cuidados médicos adequados.

No entanto, quando as vértebras são sujeitas a forças mais intensas, podem surgir fracturas mais graves, que podem originar compressão da medula e uma eventual lesão neurológica que geralmente exige um tratamento cirúrgico.

As fracturas do tipo flexão-compressão ocorrem com mais frequência na transição tóraco-lombar.

 

A importância do tratamento cirúrgico

Quando surgem problemas na coluna, quer sejam devido a lesões, à idade ou a deformação, as opções de tratamento devem focar-se na fonte do problema, com a preocupação de condicionar o menos possível o normal desenrolar da vida dos doentes. Medicação, fisioterapia ou mudanças de estilo de vida podem tratar com sucesso problemas causados por hérnias discais. No entanto, para muitas pessoas a cirurgia pode ser a melhor opção para tratar a dor, aliviar a compressão nervosa ou corrigir a deformação.

Assim, existem dois tipos de cirurgia, descritos sucintamente em baixo.

Cirurgia Convencional macroscópica

Este tipo de intervenção cirúrgica utiliza maiores incisões (cortes) na pele e músculos com desvantagem no efeito estético e dores pós-operatórias. Pode implicar ainda maiores períodos de internamento hospitalar e mais prolongados períodos de recuperação. Contudo, em várias doenças vertebro-medulares este método tem de ser utilizado para permitir o tratamento correcto da situação que o doente apresenta.

Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna

O recente desenvolvimento de procedimentos que minimizam os efeitos da cirurgia convencional através de métodos chamados minimamente invasivos, permitem em várias circunstâncias um regresso mais rápido e uma evolução menos dolorosa até retomar a vida normal.

As cirurgias minimamente invasivas da coluna podem permitir aos cirurgiões tratar com sucesso causas de dores e deformações, com interrupções mínimas na vida dos pacientes. Estas tecnologias têm vindo a ser desenvolvidas nas últimas duas décadas, fornecendo alternativas às cirurgias tradicionais da coluna.

 [Continua na página seguinte]

Dispositivos médicos para tratar as doenças da coluna

No tratamento da escoliose é implantado ao longo da coluna um dispositivo que vai corrigir a curvatura da coluna. O tipo de metal do aparelho será escolhido pelo cirurgião de acordo com a severidade da doença e os objectivos de correcção. Esta solução é recomendada para pacientes com uma curvatura na coluna superior a 45º.

Os parafusos, barras e conectores implantados ao longo da coluna têm como objectivo impedir a progressão da doença e reduzir o ângulo da curvatura anormal.

A hérnia discal pode actualmente ser tratada com a implantação de um disco protésico inserido entre as vértebras, recurso técnico desenvolvido nos últimos anos. Nesta cirurgia o disco alterado é removido na totalidade e substituído por um “disco” artificial (prótese).

Para substituir um disco danificado na coluna lombar, o cirurgião acede à coluna vertebral através de um orifício aberto no abdómen; caso o disco a substituir se encontre na coluna cervical, a incisão cirúrgica é feita na face anterior do pescoço.

No caso de certo tipo de fracturas da coluna, inovadores dispositivos médicos permitem que seja depositado cimento ósseo dentro da vértebra fracturada que permitirá a estabilização da fractura.

 

Glossário

Cartilagem – camada fina e rígida de tecido branco que cobre as terminações dos ossos, nas articulações. Este tecido permite a realização de movimentos com o mínimo de fricção.

Corpo vertebral – de um ângulo lateral, é a parte rectangular da coluna, de um ângulo visual de cima, é oval.

Discectomia – remoção cirúrgica de parte de material discal que se encontra a exercer pressão sobre raízes nervosas.

Disco – o disco intervertebral é a “almofada” de cartilagem situada entre as vértebras da coluna.

Doença Discal Degenerativa – deterioração rápida e progressiva da composição química e de propriedades físicas do espaço discal.

Enxerto ósseo – osso transplantado podendo o dador e o receptor ser indivíduos diferentes ou o mesmo.

Escoliose Congénita – escoliose devida a anormalidades ósseas presentes durante o nascimento e envolvendo formação deficiente de vértebras ou separação de vértebras adjacentes.

Escoliose Funcional – qualquer escoliose que seja causada por diferentes alturas das pernas ou por outra disfunção funcional e não devido a curvatura primária da coluna.

Escoliose Idiopática – curvatura lateral da coluna de causa desconhecida.

Estenose Degenerativahipertrofia progressiva da margem do corpo vertebral, das articulações e ligamentos resultando em estenose.

Estenose do canal – termo usado para designar um estreitamento do canal raquidiano (canal no interior da coluna) resultando na compressão dos nervos e causando dor.

Fractura – ruptura da continuidade normal do osso.

Fractura-Deslocação – fractura óssea também resultante em deslocação do osso da sua posição normal na articulação.

Fusão da coluna cervical, via Anterior – o acesso à coluna é realizado frontalmente, o disco e/ou parte da vértebra são removidos e substituídos por um excerto ósseo.

Fusão Lombar Intervertebral Anterior – cirurgia em que o acesso à coluna é feito através de uma incisão no abdómen. O disco afectado é removido da coluna e substituído por um implante e osso.

Fusão Lombar Intervertebral Posterior – cirurgia idêntica à anterior mas em que o acesso à coluna é feito através de uma incisão na zona lombar.

Lumbago – termo (arcaico) não médico utilizado para designar a dor na região lombar.

Mialgia – dor muscular.

Raquialgia – dor na coluna vertebral.

Tecido – conjunto de células similares e de substâncias intracelulares circundantes.

 

Contactos úteis

Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
Rua dos Aventureiros, Lote 3.10.10-Loja B, Parque das Nações, 1990-024 Lisboa
Tel.: 218 958 666 | Fax.: 218 958 667
E-mail: spot@spot.pt  Web-site: http://www.spot.pt/

Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral
Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, Av. República 34, 1º, 1050-193 Lisboa
Tlm: 962 539 452
E-mail: sppcv_secretariado@yahoo.com ; secretaria@sppcv.org | http://sppcv.org/

Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia
Av. 5 de Outubro, 151, 5º A, 1050-053 Lisboa
Tel/Fax.: 217 977 457 | Tlm: 968 900 358
E-mail: spneurocirurgia@netcabo.pt ; spneurocirurgia@mail.telepac.pt

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