A nossa pele é um órgão muito importante e o maior do nosso corpo. É responsável pela protecção do nosso organismo em relação às agressões externas, pelo controle da nossa temperatura corporal, pela sensação táctil e, claro, é a pele que nos confere identidade e individualidade. Que nos faz pessoas únicas. Sem ela não podemos sobreviver. Por isso, é muito importante o seu cuidado.
À medida que envelhecemos, muitas são as tentativas efectuadas para que a pele permaneça macia, elástica, sem manchas, sem rugas. Desde técnicas agressivas de resurfacing e dermoabrasão em que é retirada a camada superficial da pele para que esta melhor se renove, a técnicas de preenchimento de rugas, com ácido hialurónico ou outras substâncias, para que aquelas se atenuem, a utilização de LASER’s e Luz Pulsada para aumentar o colagénio da derme, tudo parece ser válido para potenciar ou modificar a sua qualidade.
Não deixa portanto de ser peculiar que, no quotidiano, tenhamos tão pouca consideração com a nossa pele. Senão vejamos, poucas são as pessoas que diariamente dispensam alguns minutos a cuidar da pele.
Contra as agressões na pele, cuidar!
Agora que o tempo frio chegou, está na altura de nos dedicarmos a reforçar os cuidados dermatológicos.
Durante o Inverno, o número de agressões à nossa pele aumenta. O vento forte e as temperaturas agrestes por um lado, e o ar quente e seco dos aquecedores por outro, contribuem grandemente para o aparecimento de pele seca e descamativa, ao diminuírem o filme hidrolipídico superficial protector da pele. Particularmente em áreas do corpo já com tendência para produzirem menos gordura como é o caso das pernas e braços. Se associarmos a isso as agressões provocadas por agentes externos, como as depilações com cera ou geles de banho muito desengordurantes, compreendemos com facilidade que um dos principais problemas que temos com a nossa pele é a secura e descamação. E não nos podemos esquecer que fisiologicamente a pele vai ficando naturalmente mais seca com a idade (por menor produção de lípidos pelas glândulas sebáceas e por alterações hormonais).
Assim não é de estranhar que a maioria das pessoas refira que o seu principal problema dermatológico seja a pele seca, particularmente no Inverno.
Como proteger a pele?
O que podemos então fazer para nos protegermos? Algumas coisas são até bastantes simples.
Naturalmente que quanto mais flexível, elástica e hidratada estiver a nossa pele, menos ela descama e fica irritada, menos vezes fica com eritema (vermelhidão) e prurido (comichão). E menor tendência terá ao aparecimento de eczemas e alergias.
O primeiro cuidado básico a ter consiste no aumento da protecção cutânea. Devemos incluir nos nossos hábitos diários a aplicação de cremes e loções com conteúdo rico em lípidos de forma a reforçar o filme lipídico (a quantidade de gordura natural) que existe à superfície da pele (chamados “emolientes” ou vulgarmente, de hidratantes corporais).
Ao aplicarmos estas loções corporais oleosas estamos a “impedir” que a água existente nas células das camadas superficiais da pele saia. É esta a função principal dos chamados “Hidratantes Corporais” ou Body Milk, reter a água nas células (“hidratar”) e tornar a pele mais impermeável ao exterior ao depositar substâncias lipídicas à sua superfície. Pelo que a ideia de que as loções corporais são hidratantes por darem água às células é incorrecta; na realidade o que as loções fazem é impedir a água de sair através da pele.
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O segundo cuidado básico a ter consiste em diminuir a agressão cutânea. É importante não agredir a pele. E se o banho e os sabões já fazem parte dos hábitos de higiene da maioria das pessoas (pelo menos no chamado mundo ocidental) persistem, no entanto, uma quantidade de mitos e conceitos errados. Permanece o erro dos excessos: lavar muitas vezes ao dia para diminuir as bactérias ou, tomar banho só uma vez por semana para não gastar a pele.
Também na escolha do sabão a utilizar a confusão abunda e há quem se continue a lavar com sabão azul e branco (sabão da roupa, com diversos químicos agressivos na composição) convencido que é a melhor escolha para a sua pele.
Vejamos então. Quando falamos de higiene cutânea temos que destrinçar duas coisas: a forma como se faz o banho e o produto utilizado na limpeza.
Cuidados a ter com o banho
Por regra, o banho deve ser pouco prolongado (10 a 15 minutos no máximo), com água não muito quente e o uso de luvas ou esponjas deve ficar restrito a áreas de pele grossa.
A lavagem da pele mais do que uma vez por dia, a ser necessária (caso de desportistas ou certas profissões como pedreiros, padeiros e pessoas que lidem com pós e poluentes) deverá ser feita com produtos detergentes não agressivos e sem recurso a esponjas ou exfoliantes.
Hoje em dia existe uma multiplicidade de produtos de higiene ou limpeza. No que à pele diz respeito, o mais importante é escolher um produto que respeite o pH fisiológico da pele (que é 5,5) e que emulsione as gorduras e retire as poeiras sem ser demasiado agressivo, isto é, que seja capaz de limpar sem destruir o filme lipídico natural protector que falámos anteriormente.
O maior problema dos produtos dermatológicos de limpeza, quer sejam em forma de sabonete ou em forma de gel, não é tanto provocarem alergias, mas sim poderem ser irritantes para a pele. Muitos sabões vulgares precipitam com o cálcio das águas mais duras e deixam resíduos à superfície da pele, o que pode causar prurido, por exemplo. Assim, todos os produtos de limpeza de uso corrente devem ser bem enxaguados no fim do banho.
Os produtos dermatológicos podem ter ainda na sua constituição substâncias protectoras, em geral lipídicas, que deixam uma película à superfície da pele, reforçando a sua função barreira. Esta característica, tipo “2 em 1” (produto de limpeza e hidratante) pode ser de particular utilidade nas pessoas com vida activa intensa (pouco tempo para os cuidados de higiene), desportistas e pessoas com pele seca.
No entanto, quando a pele está fragilizada por uma doença dermatológica, deverá haver sempre a aplicação do emoliente após o banho.
[Continua na página seguinte]
Vença a inércia e cuide da pele no Inverno
Afinal não é assim tão complicado tratar bem da sua pele, pois não? Tomar um banho rápido com um produto detergente não agressivo seguido da aplicação de um emoliente ocupálo-ão somente uns 10 minutos por dia e farão maravilhas pela sua pele.
Estes cuidados diários em conjunto com roupa quente e confortável vão seguramente contribuir para uma pele saudável durante o Inverno.
Hidratantes adaptados ao tipo de pele
Claro que os Hidratantes Corporais não são todos iguais. O tipo de lípidos usado e a sua concentração é diferente consoante seja um produto destinado a pele dita normal ou a pele seca. Também a cosmetabilidade dos produtos pode ser diferente, isto é, há produtos mais fluidos e fáceis de aplicar, mesmo em áreas pilosas (importante no sexo masculino), e outros que são mais espessos, próprios para áreas de pele mais grossa, como a planta dos pés e cotovelos.
Há ainda produtos destinados a serem usados em áreas específicas do corpo, como mãos e pés. Estes produtos têm também ingredientes dirigidos a essas áreas (não deixar resíduo ao toque, como a base de silicone, por ex., no caso das mãos, ou “retirarem” a pele grossa, serem “decapantes” no caso dos pés). As pessoas com tendência a ter alergias e pele muito seca deverão escolher produtos não perfumados e com componentes oleosos reforçados.
Hoje em dia existem múltiplos produtos no mercado que cumprem os requisitos essenciais: repor lípidos, serem fáceis de espalhar, não serem peganhentos e não manchar a roupa. É ainda fundamental ter a noção de que a aplicação deverá ser diária e, de preferência, a seguir ao banho.
Leonor Girão | Assistente hospitalar de dermatologia no Hospital Militar de Belém e Membro da Direcção da Associação Portuguesa do Cancro Cûtaneo (APCC)
À medida que envelhecemos, muitas são as tentativas efectuadas para que a pele permaneça macia, elástica, sem manchas, sem rugas. Desde técnicas agressivas de resurfacing e dermoabrasão em que é retirada a camada superficial da pele para que esta melhor se renove, a técnicas de preenchimento de rugas, com ácido hialurónico ou outras substâncias, para que aquelas se atenuem, a utilização de LASER‘s e Luz Pulsada para aumentar o colagénio da derme, tudo parece ser válido para potenciar ou modificar a sua qualidade.
Não deixa portanto de ser peculiar que, no quotidiano, tenhamos tão pouca consideração com a nossa pele. Senão vejamos, poucas são as pessoas que diariamente dispensam alguns minutos a cuidar da pele.
Contra as agressões na pele, cuidar!
Agora que o tempo frio chegou, está na altura de nos dedicarmos a reforçar os cuidados dermatológicos.
Durante o Inverno, o número de agressões à nossa pele aumenta. O vento forte e as temperaturas agrestes por um lado, e o ar quente e seco dos aquecedores por outro, contribuem grandemente para o aparecimento de pele seca e descamativa, ao diminuírem o filme hidrolipídico superficial protector da pele. Particularmente em áreas do corpo já com tendência para produzirem menos gordura como é o caso das pernas e braços. Se associarmos a isso as agressões provocadas por agentes externos, como as depilações com cera ou geles de banho muito desengordurantes, compreendemos com facilidade que um dos principais problemas que temos com a nossa pele é a secura e descamação. E não nos podemos esquecer que fisiologicamente a pele vai ficando naturalmente mais seca com a idade (por menor produção de lípidos pelas glândulas sebáceas e por alterações hormonais).
Assim não é de estranhar que a maioria das pessoas refira que o seu principal problema dermatológico seja a pele seca, particularmente no Inverno.
Como proteger a pele?
O que podemos então fazer para nos protegermos? Algumas coisas são até bastantes simples.
Naturalmente que quanto mais flexível, elástica e hidratada estiver a nossa pele, menos ela descama e fica irritada, menos vezes fica com eritema (vermelhidão) e prurido (comichão). E menor tendência terá ao aparecimento de eczemas e alergias.
O primeiro cuidado básico a ter consiste no aumento da protecção cutânea. Devemos incluir nos nossos hábitos diários a aplicação de cremes e loções com conteúdo rico em lípidos de forma a reforçar o filme lipídico (a quantidade de gordura natural) que existe à superfície da pele (chamados “emolientes” ou vulgarmente, de hidratantes corporais).
Ao aplicarmos estas loções corporais oleosas estamos a “impedir” que a água existente nas células das camadas superficiais da pele saia. É esta a função principal dos chamados “Hidratantes Corporais” ou Body Milk, reter a água nas células (“hidratar”) e tornar a pele mais impermeável ao exterior ao depositar substâncias lipídicas à sua superfície. Pelo que a ideia de que as loções corporais são hidratantes por darem água às células é incorrecta; na realidade o que as loções fazem é impedir a água de sair através da pele.
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O segundo cuidado básico a ter consiste em diminuir a agressão cutânea. É importante não agredir a pele. E se o banho e os sabões já fazem parte dos hábitos de higiene da maioria das pessoas (pelo menos no chamado mundo ocidental) persistem, no entanto, uma quantidade de mitos e conceitos errados. Permanece o erro dos excessos: lavar muitas vezes ao dia para diminuir as bactérias ou, tomar banho só uma vez por semana para não gastar a pele.
Também na escolha do sabão a utilizar a confusão abunda e há quem se continue a lavar com sabão azul e branco (sabão da roupa, com diversos químicos agressivos na composição) convencido que é a melhor escolha para a sua pele.
Vejamos então. Quando falamos de higiene cutânea temos que destrinçar duas coisas: a forma como se faz o banho e o produto utilizado na limpeza.
Cuidados a ter com o banho
Por regra, o banho deve ser pouco prolongado (10 a 15 minutos no máximo), com água não muito quente e o uso de luvas ou esponjas deve ficar restrito a áreas de pele grossa.
A lavagem da pele mais do que uma vez por dia, a ser necessária (caso de desportistas ou certas profissões como pedreiros, padeiros e pessoas que lidem com pós e poluentes) deverá ser feita com produtos detergentes não agressivos e sem recurso a esponjas ou exfoliantes.
Hoje em dia existe uma multiplicidade de produtos de higiene ou limpeza. No que à pele diz respeito, o mais importante é escolher um produto que respeite o pH fisiológico da pele (que é 5,5) e que emulsione as gorduras e retire as poeiras sem ser demasiado agressivo, isto é, que seja capaz de limpar sem destruir o filme lipídico natural protector que falámos anteriormente.
O maior problema dos produtos dermatológicos de limpeza, quer sejam em forma de sabonete ou em forma de gel, não é tanto provocarem alergias, mas sim poderem ser irritantes para a pele. Muitos sabões vulgares precipitam com o cálcio das águas mais duras e deixam resíduos à superfície da pele, o que pode causar prurido, por exemplo. Assim, todos os produtos de limpeza de uso corrente devem ser bem enxaguados no fim do banho.
Os produtos dermatológicos podem ter ainda na sua constituição substâncias protectoras, em geral lipídicas, que deixam uma película à superfície da pele, reforçando a sua função barreira. Esta característica, tipo “2 em 1” (produto de limpeza e hidratante) pode ser de particular utilidade nas pessoas com vida activa intensa (pouco tempo para os cuidados de higiene), desportistas e pessoas com pele seca.
No entanto, quando a pele está fragilizada por uma doença dermatológica, deverá haver sempre a aplicação do emoliente após o banho.
[Continua na página seguinte]
Vença a inércia e cuide da pele no Inverno
Afinal não é assim tão complicado tratar bem da sua pele, pois não? Tomar um banho rápido com um produto detergente não agressivo seguido da aplicação de um emoliente ocupálo-ão somente uns 10 minutos por dia e farão maravilhas pela sua pele.
Estes cuidados diários em conjunto com roupa quente e confortável vão seguramente contribuir para uma pele saudável durante o Inverno.
Hidratantes adaptados ao tipo de pele
Claro que os Hidratantes Corporais não são todos iguais. O tipo de lípidos usado e a sua concentração é diferente consoante seja um produto destinado a pele dita normal ou a pele seca. Também a cosmetabilidade dos produtos pode ser diferente, isto é, há produtos mais fluidos e fáceis de aplicar, mesmo em áreas pilosas (importante no sexo masculino), e outros que são mais espessos, próprios para áreas de pele mais grossa, como a planta dos pés e cotovelos.
Há ainda produtos destinados a serem usados em áreas específicas do corpo, como mãos e pés. Estes produtos têm também ingredientes dirigidos a essas áreas (não deixar resíduo ao toque, como a base de silicone, por ex., no caso das mãos, ou “retirarem” a pele grossa, serem “decapantes” no caso dos pés). As pessoas com tendência a ter alergias e pele muito seca deverão escolher produtos não perfumados e com componentes oleosos reforçados.
Hoje em dia existem múltiplos produtos no mercado que cumprem os requisitos essenciais: repor lípidos, serem fáceis de espalhar, não serem peganhentos e não manchar a roupa. É ainda fundamental ter a noção de que a aplicação deverá ser diária e, de preferência, a seguir ao banho.
Leonor Girão | Assistente hospitalar de dermatologia no Hospital Militar de Belém e Membro da Direcção da Associação Portuguesa do Cancro Cûtaneo (APCC)