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Cuidados dermatológicos anti-aging: Retardar o envelhecimento da pele

A correcção do fenómeno biológico do envelhecimento da pele é possível, os resultados obtidos são francamente satisfatórios e as opções disponíveis são múltiplas e diversificadas. Obtenha junto do seu dermatologista uma informação fundamentada sobre os diversos métodos e não deixe de, em segurança, prevenir e corrigir as marcas do tempo sobre a sua pele.

Pelo relevo psicossocial que indiscutivelmente tem, a pele de aspecto envelhecido é preocupação corrente para a generalidade das pessoas. A cultura corrente do consumidor é unânime na mensagem de que “é preciso envelhecer sem os sinais do envelhecer”. Consequentemente, multiplicam-se (e democratizam-se) as técnicas e os procedimentos destinados a prevenir, retardar, corrigir, disfarçar ou dissimular as marcas cutâneas do envelhecimento.

Não estranha que assim seja! A pele, pela posição entre o meio interior e o meio exterior, reflecte inevitavelmente essa dupla dimensão patogénica do envelhecimento: por um lado reflecte o estado de envelhecimento intrínseco do organismo – geneticamente determinado e influenciado pelo seu estado fisiológico geral – e, por outro, exprime o resultado do efeito cumulativo de factores ambientais, extrínsecos, entre os quais se destacama radiação solar, o tabagismo e a poluição atmosférica.

 

Reflexo cutâneo do envelhecimento

Não surpreende pois que a pele envelhecida exprima um conjunto significativo de alterações morfológicas e funcionais que decorrem da conjugação da generalidade dos factores extrínsecos e intrínsecos. Nas áreas habitualmente expostas da pele, a radiação solar cumulativa determina alterações pigmentares (manchas), texturais (pele áspera e flácida) e com rugas permanentes (Fig 1,2,3). Nas áreas protegidas, a pele envelhecida perde elasticidade, tonicidade e torna-se menos resistente.

No conjunto, as alterações verificadas comprometem não apenas a aparência mas também atributos funcionais da pele, como capacidade de reparação, função barreira, performance sensorial, produção de sebo e de suor, limiar de irritação e mesmo competência imunológica.

 

 [Continua na página seguinte]

Em antítese, o risco neoplásico encontra-se francamente aumentado, em particular nas áreas expostas da pele (Fig 4,5).

Uma palavra para os anexos cutâneos onde se repercutem igualmente o peso dos anos: as unhas que se tornam rígidas, amareladas e estriadas e o cabelo que se torna mais escasso (alopécia senescente), de tonalidade grisalha ou branca e distrófico (Fig 6).

O tratamento das manifestações do envelhecimento da pele perspectiva-se pois numa tripla dimensão, a qual deve ser cumprida de forma sequencial ou concomitante.

No plano da prevenção, importa empreender uma fotoprotecção sistemática com recurso a agentes fotoprotectores adequados ao tipo de pele e que devem ser aplicados sempre pela manhã. Um comportamento sensato, consistente com as rotinas de fotoprotecção externadeve igualmente ser adoptado. A EVICÇÃO TABÁGICA, a redução do consumo de cafeína, o exercício físico regular, a redução do aporte calórico e a suplementação com anti-oxidantessistémicos servem o mesmo desiderato.

 

Tipos de tratamento

No domínio do tratamento, perspectivam-se dois tipos de abordagem – a médica e a cirúrgica/procedimental.

A abordagem médica faz apelo ao uso de tópicos com actividade anti-envelhecimento, os quais devem ser aplicados de noite, sob controlo e orientação médicos. Das centenas de produtos que se reclamam como panaceias para as marcas do envelhecimento, apenas alguns atingiram um nível real de evidência científica, de molde a justificar a sua recomendação: os retinóides tópicos (Vit A), o ácido ascórbico (Vit C) e o ácido alfa lipóico. Outrasmoléculas revelam alguma eficácia e interesse neste domínio, como ocorre com os péptidosbioactivos, os alfa-hidroxiácidos, o coenzima Q10 e a niacinamida, embora sem atingir onível de sustentação científica dos precedentes.

 

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A ABORDAGEM PROCEDIMENTAL faz habitualmente apelo a técnicas mais ou menos invasivas a cargo de dermatologistas e cirurgiões plásticos com experiência neste domínio. Refiro-me à administração de toxina botulínica, aos peelings químicos (superficiais, médiosou profundos), aos lasers de resurfacing ablativo ou não ablativo, aos lasers para lesões pigmentares, à radiofrequência, à microdermabrasão e aos agentes de preenchimento de rugas (Fig 7).

Numa apreciação global, todas as técnicas têm indicações e méritos precisos, contra-indicações definidas, bem como riscos inerentes. A sua utilização deve pois ser criteriosa e rigorosa, a cargo de médicos especialistas habilitados, capazes de aplicar as técnicas correctamente e de identificar e tratar prontamente eventuais efeitos secundários ou complicações. A realização dos procedimentos deve adicionalmente ser acompanhada de avaliações médicas que despistem as tão prevalentes neoplasias cutâneas e deve igualmente pressupor uma estratégia integrada e consistente de protecção solar.

 

Tavares Bello | Médico Dermatologista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

Pelo relevo psicossocial que indiscutivelmente tem, a pele de aspecto envelhecido é preocupação corrente para a generalidade das pessoas. A cultura corrente do consumidor é unânime na mensagem de que “é preciso envelhecer sem os sinais do envelhecer”. Consequentemente, multiplicam-se (e democratizam-se) as técnicas e os procedimentos destinados a prevenir, retardar, corrigir, disfarçar ou dissimular as marcas cutâneas do envelhecimento.

Não estranha que assim seja! A pele, pela posição entre o meio interior e o meio exterior, reflecte inevitavelmente essa dupla dimensão patogénica do envelhecimento: por um lado reflecte o estado de envelhecimento intrínseco do organismo – geneticamente determinado e influenciado pelo seu estado fisiológico geral – e, por outro, exprime o resultado do efeito cumulativo de factores ambientais, extrínsecos, entre os quais se destacama radiação solar, o tabagismo e a poluição atmosférica.

 

Reflexo cutâneo do envelhecimento

Não surpreende pois que a pele envelhecida exprima um conjunto significativo de alterações morfológicas e funcionais que decorrem da conjugação da generalidade dos factores extrínsecos e intrínsecos. Nas áreas habitualmente expostas da pele, a radiação solar cumulativa determina alterações pigmentares (manchas), texturais (pele áspera e flácida) e com rugas permanentes (Fig 1,2,3). Nas áreas protegidas, a pele envelhecida perde elasticidade, tonicidade e torna-se menos resistente.

No conjunto, as alterações verificadas comprometem não apenas a aparência mas também atributos funcionais da pele, como capacidade de reparação, função barreira, performance sensorial, produção de sebo e de suor, limiar de irritação e mesmo competência imunológica.

 

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Em antítese, o risco neoplásico encontra-se francamente aumentado, em particular nas áreas expostas da pele (Fig 4,5).

Uma palavra para os anexos cutâneos onde se repercutem igualmente o peso dos anos: as unhas que se tornam rígidas, amareladas e estriadas e o cabelo que se torna mais escasso (alopécia senescente), de tonalidade grisalha ou branca e distrófico (Fig 6).

O tratamento das manifestações do envelhecimento da pele perspectiva-se pois numa tripla dimensão, a qual deve ser cumprida de forma sequencial ou concomitante.

No plano da prevenção, importa empreender uma fotoprotecção sistemática com recurso a agentes fotoprotectores adequados ao tipo de pele e que devem ser aplicados sempre pela manhã. Um comportamento sensato, consistente com as rotinas de fotoprotecção externadeve igualmente ser adoptado. A EVICÇÃO TABÁGICA, a redução do consumo de cafeína, o exercício físico regular, a redução do aporte calórico e a suplementação com anti-oxidantessistémicos servem o mesmo desiderato.

 

Tipos de tratamento

No domínio do tratamento, perspectivam-se dois tipos de abordagem – a médica e a cirúrgica/procedimental.

A abordagem médica faz apelo ao uso de tópicos com actividade anti-envelhecimento, os quais devem ser aplicados de noite, sob controlo e orientação médicos. Das centenas de produtos que se reclamam como panaceias para as marcas do envelhecimento, apenas alguns atingiram um nível real de evidência científica, de molde a justificar a sua recomendação: os retinóides tópicos (Vit A), o ácido ascórbico (Vit C) e o ácido alfa lipóico. Outrasmoléculas revelam alguma eficácia e interesse neste domínio, como ocorre com os péptidosbioactivos, os alfa-hidroxiácidos, o coenzima Q10 e a niacinamida, embora sem atingir onível de sustentação científica dos precedentes.

 

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A ABORDAGEM PROCEDIMENTAL faz habitualmente apelo a técnicas mais ou menos invasivas a cargo de dermatologistas e cirurgiões plásticos com experiência neste domínio. Refiro-me à administração de toxina botulínica, aos peelings químicos (superficiais, médiosou profundos), aos lasers de resurfacing ablativo ou não ablativo, aos lasers para lesões pigmentares, à radiofrequência, à microdermabrasão e aos agentes de preenchimento de rugas (Fig 7).

Numa apreciação global, todas as técnicas têm indicações e méritos precisos, contra-indicações definidas, bem como riscos inerentes. A sua utilização deve pois ser criteriosa e rigorosa, a cargo de médicos especialistas habilitados, capazes de aplicar as técnicas correctamente e de identificar e tratar prontamente eventuais efeitos secundários ou complicações. A realização dos procedimentos deve adicionalmente ser acompanhada de avaliações médicas que despistem as tão prevalentes neoplasias cutâneas e deve igualmente pressupor uma estratégia integrada e consistente de protecção solar.

 

Tavares Bello | Médico Dermatologista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

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