O cieiro é um problema dermatológico que incomoda os lábios dos portugueses na altura dos primeiros frios. E não só. O termo cieiro «refere-se às pequenas fissuras que surgem na superfície da pele em consequência da excessiva secura. O cieiro é tipicamente uma afecção cutânea sazonal, própria do Inverno», afirma o Dr. Cirne de Castro, Chefe de Serviço de Dermatologia do Hospital de Santa Maria.
Trata-se de um problema dermatológico que se observa quase exclusivamente na face, particularmente nos lábios, regiões malares, nariz e dorso das mãos. Zonas do nosso corpo que são extremamente sensíveis e que estão bastante expostas ao meio ambiente.
Entre as causas que provocam o cieiro estão algumas substâncias, como a água, o álcool, ou o éter, porque removem a gordura e secam a pele. No entanto, a causa mais frequente é a exposição ao frio, pois diminui as secreções cutâneas.
A hidratação da camada mais superficial da pele, a epiderme, depende da sua capacidade de retenção da água que recebe da estrutura imediatamente inferior, a derme.
«As perdas de água na superfície do tegumento são controladas, quer pela existência do que se chama filme lipídico superficial, fina camada gorda mais ou menos impermeável, em grande parte constituída pela secreção das glândulas sebáceas, quer por algumas substâncias, como lactatos, ureia e creatinina, que se encontram no interior da epiderme, constituem o factor hidratante natural e retêm a água», explica o nosso entrevistado, acrescentando:
«Quando a temperatura ambiente baixa, não só se verifica menor secreção de suor, mas também de sebo. Tal acarreta diminuição do filme lipídico, com enfraquecimento da função barreira da pele, aumento da perda de água e secura da parte mais superficial da epiderme, a camada córnea.
A desidratação desta torna-a menos elástica e sujeita a sofrer microfracturas, responsáveis por fissuras que desencadeiam reacção inflamatória moderada, com prurido (comichão), sobretudo quando a pele está quente.»
Estão criadas, assim, as condições para a instalação do cieiro.
O vento agrava ainda mais as perdas hídricas, pelo que é um factor envolvido. De um modo geral «todos os factores que contribuem para a secura da pele podem desencadear este problema dermatológico», diz Cirne de Castro.
É um problema que afecta a maioria dos lábios dos portugueses. Contudo, as pessoas com maior probabilidade de estarem sujeitas a episódios de cieiro são as que, constitucionalmente, já têm pele seca e as crianças antes da puberdade, uma vez que a sua pele é mais fina e a secreção sebácea menor.
No combate ao cieiro
Simultaneamente, com a possível correcção das causas do cieiro, os tratamentos existentes procuram restabelecer a função barreira e anular a perda excessiva de água na superfície cutânea.
Para estes efeitos «usam-se produtos de aplicação tópica com compostos que substituem o filme lipídico de superfície, como a lanolina, ceras e óleos variados (emolientes) e substâncias que têm papel semelhante ao factor hidratante natural, nomeadamente ácido láctico, ureia, sorbitol e outros hidratantes», explica o dermatologista, adiantando:
«Existe, neste momento, «uma numerosa e variada gama destes produtos no mercado, sob a forma de loções, cremes, pomadas e batons, em regra muito eficazes, embora com propriedades cosméticas diferentes.»
Outra forma de ajudar a que o cieiro passe mais rapidamente é não humedecer os lábios. Acto que a maioria das pessoas se sente tentada a fazê-lo devido à sensação de secura que este problema provoca. Além disso, é conveniente não arrancar as peles secas com os dentes, pois só agrava a inflamação.
O cieiro, além de ser uma situação incómoda, sobretudo pelo prurido que causa, provoca fissuras que podem ser dolorosas e são uma porta aberta à infecção, o que é agravado pela coceira, particularmente em crianças. Assim, «observam-se por vezes infecções superficiais, chamadas de impetigo, e mais profundas, como a erisipela e a celulite.
E também pode evoluir para formas de eczema de pele, o que é frequente em indivíduos com predisposição constitucional (atopia)», conclui Cirne de Castro.
Lembre-se…
Diga sim… aos líquidos e aos cremes emolientes e hidratantes, para prevenir e controlar o cieiro: protegem os lábios do frio ou, se já estiverem secos e gretados, repõem a hidratação.
Diga não… a mordiscar os lábios, arrancar as peles e humedecer constantemente os lábios com a língua.
Trata-se de um problema dermatológico que se observa quase exclusivamente na face, particularmente nos lábios, regiões malares, nariz e dorso das mãos. Zonas do nosso corpo que são extremamente sensíveis e que estão bastante expostas ao meio ambiente.
Entre as causas que provocam o cieiro estão algumas substâncias, como a água, o álcool, ou o éter, porque removem a gordura e secam a pele. No entanto, a causa mais frequente é a exposição ao frio, pois diminui as secreções cutâneas.
A hidratação da camada mais superficial da pele, a epiderme, depende da sua capacidade de retenção da água que recebe da estrutura imediatamente inferior, a derme.
«As perdas de água na superfície do tegumento são controladas, quer pela existência do que se chama filme lipídico superficial, fina camada gorda mais ou menos impermeável, em grande parte constituída pela secreção das glândulas sebáceas, quer por algumas substâncias, como lactatos, ureia e creatinina, que se encontram no interior da epiderme, constituem o factor hidratante natural e retêm a água», explica o nosso entrevistado, acrescentando:
«Quando a temperatura ambiente baixa, não só se verifica menor secreção de suor, mas também de sebo. Tal acarreta diminuição do filme lipídico, com enfraquecimento da função barreira da pele, aumento da perda de água e secura da parte mais superficial da epiderme, a camada córnea.
A desidratação desta torna-a menos elástica e sujeita a sofrer microfracturas, responsáveis por fissuras que desencadeiam reacção inflamatória moderada, com prurido (comichão), sobretudo quando a pele está quente.»
Estão criadas, assim, as condições para a instalação do cieiro.
O vento agrava ainda mais as perdas hídricas, pelo que é um factor envolvido. De um modo geral «todos os factores que contribuem para a secura da pele podem desencadear este problema dermatológico», diz Cirne de Castro.
É um problema que afecta a maioria dos lábios dos portugueses. Contudo, as pessoas com maior probabilidade de estarem sujeitas a episódios de cieiro são as que, constitucionalmente, já têm pele seca e as crianças antes da puberdade, uma vez que a sua pele é mais fina e a secreção sebácea menor.
No combate ao cieiro
Simultaneamente, com a possível correcção das causas do cieiro, os tratamentos existentes procuram restabelecer a função barreira e anular a perda excessiva de água na superfície cutânea.
Para estes efeitos «usam-se produtos de aplicação tópica com compostos que substituem o filme lipídico de superfície, como a lanolina, ceras e óleos variados (emolientes) e substâncias que têm papel semelhante ao factor hidratante natural, nomeadamente ácido láctico, ureia, sorbitol e outros hidratantes», explica o dermatologista, adiantando:
«Existe, neste momento, «uma numerosa e variada gama destes produtos no mercado, sob a forma de loções, cremes, pomadas e batons, em regra muito eficazes, embora com propriedades cosméticas diferentes.»
Outra forma de ajudar a que o cieiro passe mais rapidamente é não humedecer os lábios. Acto que a maioria das pessoas se sente tentada a fazê-lo devido à sensação de secura que este problema provoca. Além disso, é conveniente não arrancar as peles secas com os dentes, pois só agrava a inflamação.
O cieiro, além de ser uma situação incómoda, sobretudo pelo prurido que causa, provoca fissuras que podem ser dolorosas e são uma porta aberta à infecção, o que é agravado pela coceira, particularmente em crianças. Assim, «observam-se por vezes infecções superficiais, chamadas de impetigo, e mais profundas, como a erisipela e a celulite.
E também pode evoluir para formas de eczema de pele, o que é frequente em indivíduos com predisposição constitucional (atopia)», conclui Cirne de Castro.
Lembre-se…
Diga sim… aos líquidos e aos cremes emolientes e hidratantes, para prevenir e controlar o cieiro: protegem os lábios do frio ou, se já estiverem secos e gretados, repõem a hidratação.
Diga não… a mordiscar os lábios, arrancar as peles e humedecer constantemente os lábios com a língua.