São tão frequentes as pausas na respiração de quem sofre de apneia do sono que é como se dormisse a conta-gotas. E o resultado é cansaço e sonolência diurna, causa de muitos acidentes de viação.
“Não sei o que aconteceu, adormeci”. Com estas ou outras palavras, esta é a justificação para muitos acidentes de viação nas estradas portuguesas: adormecer ao volante. O mais provável é que o condutor nem dê por isso, com a perda de reflexos a conduzir à perda de controlo do veículo e a um despiste ou colisão. O mais provável é que sofra de apneia do sono.
A sonolência diurna é um dos sinais de alerta desta disfunção do sono, muito comum sobretudo entre os homens (numa proporção de doispara uma mulher). Ocorre depois de uma noite que se pensa bem dormida, não após uma noite de insónia ou com poucas horas de sono. O que acontece é que o sono não é reparador, porque é interrompido múltiplas vezes por pausas na respiração.
Podem durar apenas alguns segundos ou prolongar-se por minutos, cinco a 30 vezes numa hora. Feitas as contas às sete ou oito horas que um adulto deveria dormir por noite, são demasiadas paragens.
Tudo acontece porque o ar tem dificuldade em alcançar os pulmões Quando estamos acordados, os músculos da garganta ajudam a manter a traqueia rígida e aberta para que o oxigénio inspirado passe.
Mas, quando dormimos, os músculos estão mais relaxados mas não impedem a respiração. Todavia, pode acontecer que a traqueia esteja obstruída. Por trás desse bloqueio podem estar factores como a excessiva dimensão da língua, das amígdalas ou da úvula, a existência de demasiada gordura nos tecidos da garganta ou um maior relaxamento dos músculos devido, por exemplo, ao envelhecimento.
Por uma razão ou por outra, o ar tem dificuldade em atingir os pulmões. E quando não consegue sequer passar dão-as as pausas na respiração que caracterizam a apneia. Em cada pausa os níveis de oxigénio no sangue descem, desencadeando uma reacção do cérebro: os músculos ficam mais rígidos, a traqueia abre-se e a respiração normal é retomada. Esta sucessão de acontecimentos repete-se ao longo da noite, quase sempre todas as noites.
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Adormecer de dia
Com prejuízo evidente da qualidade do sono: por mais horas que se durmam não são reparadoras. Mas também com prejuízo do estado geral de saúde: quem sofre de apneia do sono tem um risco acrescido de hipertensão arterial e de doença cardiovascular.
Sem tratamento, esta disfunção altera o modo como o organismo utiliza a energia, o que pode abrir caminhoa diabetes e a obesidade (que já é um factor de risco para a apneia). Está igualmente caminho para acidentes na condução de máquinas, dado um dos principais sintomas da apneia: a sonolência diurna. O doente rapidamente adormece à menor pausa nas suas actividades diárias – pode acontecer no emprego, a conduzir e até no decorrer de uma conversa…
Mas há outros sintomas: dores de cabeça matinais, dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações bruscas do humor, garganta seca ao acordar. E ressonar: este é, aliás, que muitas vezes denuncia a doença. O doente não dá por ele, mas quem com ele partilha o quarto não pode deixar de se aperceber.
Apesar de se tornar mais frequente com a idade, a apneia também pode afectar crianças e nelas exibe sintomas como hiperactividade, fraco desempenho escolar e agressividade, a par da adopção de posições invulgares para dormir, de enurese nocturna (urinar na cama) e respiração pela boca (e não pelo nariz) durante o dia.
Qualquer pessoa pode desenvolver apneia, mas há quem tenha uma probabilidade maior: quem tem excesso de peso, fuma ou sofre de pressão arterial elevada. A disfunção é mais comum no sexo masculino e à medida que os anos avançam.
Nas mulheres evidencia-se sobretudo na menopausa.
É com base na descrição dos sintomas, num exame físico e na história familiar (ter antecedentes na família pode contribuir para a doença) que o médico chega a uma primeira conclusão, após o que pode ser necessário realizar um estudo do sono, que permite resultados mais específicos.
Quanto ao tratamento, passa muito por mudanças no estilo de vida. Não existem medicamentos, mas podem ser utilizados dispositivos para a boca que facilitam a respiração e, nalguns casos, a cirurgia pode ser uma solução, nomeadamente para remover gordura à volta da traqueia.
No que respeita ao estilo de vida, é importante perder peso nos casos em que há quilos a mais: mesmo pouco, já ajuda. Convém também evitar o álcool ou medicamentos que causem sonolência, na medida em que contribuem para relaxar os músculos da garganta, o que atrapalha a passagem do ar. Deixar de fumar também torna a respiração mais fácil. Dormir de lado, e não de costas, ajuda a manter a traqueia aberta.
O tratamento é essencial para melhorar a apneia e prevenir as consequências a ela associadas. Alivia os sintomas, sobretudo o cansaço e a sonolência durante o dia, promovendo uma maior qualidade do sono.
Para o doente e, provavelmente, para toda a família (o ressonar tende a desaparecer). É uma questão de qualidade de vida.
“Não sei o que aconteceu, adormeci”. Com estas ou outras palavras, esta é a justificação para muitos acidentes de viação nas estradas portuguesas: adormecer ao volante. O mais provável é que o condutor nem dê por isso, com a perda de reflexos a conduzir à perda de controlo do veículo e a um despiste ou colisão. O mais provável é que sofra de apneia do sono.
A sonolência diurna é um dos sinais de alerta desta disfunção do sono, muito comum sobretudo entre os homens (numa proporção de doispara uma mulher). Ocorre depois de uma noite que se pensa bem dormida, não após uma noite de insónia ou com poucas horas de sono. O que acontece é que o sono não é reparador, porque é interrompido múltiplas vezes por pausas na respiração.
Podem durar apenas alguns segundos ou prolongar-se por minutos, cinco a 30 vezes numa hora. Feitas as contas às sete ou oito horas que um adulto deveria dormir por noite, são demasiadas paragens.
Tudo acontece porque o ar tem dificuldade em alcançar os pulmões Quando estamos acordados, os músculos da garganta ajudam a manter a traqueia rígida e aberta para que o oxigénio inspirado passe.
Mas, quando dormimos, os músculos estão mais relaxados mas não impedem a respiração. Todavia, pode acontecer que a traqueia esteja obstruída. Por trás desse bloqueio podem estar factores como a excessiva dimensão da língua, das amígdalas ou da úvula, a existência de demasiada gordura nos tecidos da garganta ou um maior relaxamento dos músculos devido, por exemplo, ao envelhecimento.
Por uma razão ou por outra, o ar tem dificuldade em atingir os pulmões. E quando não consegue sequer passar dão-as as pausas na respiração que caracterizam a apneia. Em cada pausa os níveis de oxigénio no sangue descem, desencadeando uma reacção do cérebro: os músculos ficam mais rígidos, a traqueia abre-se e a respiração normal é retomada. Esta sucessão de acontecimentos repete-se ao longo da noite, quase sempre todas as noites.
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Adormecer de dia
Com prejuízo evidente da qualidade do sono: por mais horas que se durmam não são reparadoras. Mas também com prejuízo do estado geral de saúde: quem sofre de apneia do sono tem um risco acrescido de hipertensão arterial e de doença cardiovascular.
Sem tratamento, esta disfunção altera o modo como o organismo utiliza a energia, o que pode abrir caminhoa diabetes e a obesidade (que já é um factor de risco para a apneia). Está igualmente caminho para acidentes na condução de máquinas, dado um dos principais sintomas da apneia: a sonolência diurna. O doente rapidamente adormece à menor pausa nas suas actividades diárias – pode acontecer no emprego, a conduzir e até no decorrer de uma conversa…
Mas há outros sintomas: dores de cabeça matinais, dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações bruscas do humor, garganta seca ao acordar. E ressonar: este é, aliás, que muitas vezes denuncia a doença. O doente não dá por ele, mas quem com ele partilha o quarto não pode deixar de se aperceber.
Apesar de se tornar mais frequente com a idade, a apneia também pode afectar crianças e nelas exibe sintomas como hiperactividade, fraco desempenho escolar e agressividade, a par da adopção de posições invulgares para dormir, de enurese nocturna (urinar na cama) e respiração pela boca (e não pelo nariz) durante o dia.
Qualquer pessoa pode desenvolver apneia, mas há quem tenha uma probabilidade maior: quem tem excesso de peso, fuma ou sofre de pressão arterial elevada. A disfunção é mais comum no sexo masculino e à medida que os anos avançam.
Nas mulheres evidencia-se sobretudo na menopausa.
É com base na descrição dos sintomas, num exame físico e na história familiar (ter antecedentes na família pode contribuir para a doença) que o médico chega a uma primeira conclusão, após o que pode ser necessário realizar um estudo do sono, que permite resultados mais específicos.
Quanto ao tratamento, passa muito por mudanças no estilo de vida. Não existem medicamentos, mas podem ser utilizados dispositivos para a boca que facilitam a respiração e, nalguns casos, a cirurgia pode ser uma solução, nomeadamente para remover gordura à volta da traqueia.
No que respeita ao estilo de vida, é importante perder peso nos casos em que há quilos a mais: mesmo pouco, já ajuda. Convém também evitar o álcool ou medicamentos que causem sonolência, na medida em que contribuem para relaxar os músculos da garganta, o que atrapalha a passagem do ar. Deixar de fumar também torna a respiração mais fácil. Dormir de lado, e não de costas, ajuda a manter a traqueia aberta.
O tratamento é essencial para melhorar a apneia e prevenir as consequências a ela associadas. Alivia os sintomas, sobretudo o cansaço e a sonolência durante o dia, promovendo uma maior qualidade do sono.
Para o doente e, provavelmente, para toda a família (o ressonar tende a desaparecer). É uma questão de qualidade de vida.