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Actividade Física, Saúde e Bem-Estar

29 Novembro, 2007 0

Saúde e massa magra – componente muscular

A perda progressiva de massa magra que acompanha o envelhecimento e que se repercute mais activa e precocemente na ausência de actividade física regular, pode comprometer as actividades da vida diária e reflectir-se na auto-suficiência do indivíduo idoso. A manutenção da massa muscular no decurso da vida, só possível quando se solicita a actividade muscular contra resistências significativas – treino da força, permite uma maior integridade não só músculo-esquelética, mas também metabólica. No plano osteo-articular permite uma menor carga ao nível das superfícies articulares e assegura uma maior estabilidade articular.

Quando convenientemente orientados, os programas de actividade física objectivando a manutenção ou desenvolvimento da massa muscular, acompanham-se de uma maior perfusão (irrigação sanguínea) dos tecidos, criando-se desta forma menores condições de instalação de situações isquémicas, maior resistência à fadiga local e aumentos mais moderados da pressão arterial no decurso da actividade muscular.

Como é óbvio, neste âmbito, a auto-satisfação que resulta de uma maior independência ao longo da vida está, inequivocamente, associada à resolução das tarefas mecânicas que se nos deparam ao longo da nossa “luta por uma sobrevivência digna”. A possibilidade de retardar o processo degenerativo inerente à capacidade para produzir força constitui, deste modo, tarefa prioritária nos programas de actividade física regular.

A manutenção da condição muscular pode ser um “antídoto” para várias patologias, tão frequentes nas sociedades industrializadas, fortemente caracterizadas por elevados índices de sedentarismo.

O exercício nas diferentes idades

O desenvolvimento e adaptação motoras, importantes durante o desenvolvimento, onde a criança explora a sua potencialidade para o movimento e desenvolve habilidades motoras básicas, constitui o primeiro passo neste processo.

Em idades avançadas, o equilíbrio e a coordenação assumem importância pelo seu determinismo no controlo postural.

As alterações do equilíbrio e coordenação associados a uma menor resistência muscular, são a causa mais frequente de quedas em indivíduos idosos que, como é sabido, apresentam maior susceptibilidade a fracturas. A sua frequência pode ser reduzida através de programas regulares de actividade física convenientemente orientados.

Componente metabólica

É determinada por vários factores, assumindo particular importância a regulação hormonal, com destaque para as acções metabólicas da insulina e utilização dos substratos energéticos lipídicos (gorduras) e glucídicos (açúcares).

Os programas de actividade física regular reduzem os níveis plasmáticos de insulina. Os mais adaptados, são os de marcha e de estimulação sub-máxima. O aumento da sensibilidade à insulina provocado pelo exercício, é mais evidente no músculo e no fígado. Esta actuação sinérgica explica o benefício do exercício na prevenção de hiperinsulinémias e alterações na tolerância à glucose, mais frequentes a partir da quarta ou quinta década da vida em sedentários.

O risco de doenças ateroescleróticas, particularmente coronariopatias, está associado à elevação da concentração plasmática de triglicéridos e do colesterol das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), bem como de uma redução do colesterol das lipoproteínas de alta densidade. Importa referir que, os programas de prescrição de actividade física que se baseiam em programas de intensidade moderada/baixa têm-se revelado mais eficazes e efectivos. Estas constatações, contrariam a necessidade de estimulações de intensidade elevada. Muito provavelmente, reside aqui a explicação para o facto dos ex-atletas não exibirem índices mais elevados de longevidade, nem se encontrarem mais protegidos contra este tipo de patologias.

Raras são as doenças que não beneficiam de uma prática física correctamente prescrita. A avaliação prévia dos eventuais benefícios e restrições, no âmbito de uma prática física segura, caberá ao médico, preferencialmente ao especialista em Medicina do Exercício, até porque, em muitas das situações apontadas, a conjugação com uma terapêutica farmacológica eficaz é inevitável.

Prof. Dr. José Gomes Pereira

Professor Catedrático e Especialista em Medicina Desportiva

Responsável da Unidade de Medicina do Exercíco no British Hospital Campo de Ourique

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