Não raras vezes se abordam inúmeras formas e fórmulas para emagrecer. Enquanto a maioria tenta ver os números na balança descer, uma minoria deseja vê-los subir. O tipo de alimentos difere para estes distintos grupos, mas não o objectivo de emagrecer ou engordar e, obviamente, o acto de se alimentarem. Aliás, existe um dia especial dedicado a algo essencial – o Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de Outubro.
Se uns lutam desenfreadamente por emagrecer, muitas vezes chegando a estados extremos, outros anseiam por uns quilinhos a mais. É o que acontece com Júlia Saramago.
«Quero engordar e não consigo. Se há pessoas que conseguem emagrecer não percebo porque não engordo», comenta esta lisboeta de 27 anos.
Quando nasceu, era uma bebé «gordinha», mas aqueles quilos não acompanharam o seu desenvolvimento. Na adolescência cresceu imenso, mas apenas em altura.
«Na escola, tinha duas alcunhas: Lingrinhas e Perna-de-pau. Raramente me chamavam pelo meu nome próprio e isso incomodava-me um pouco», confessa Júlia Saramago, actualmente com 1,80 m de altura, mas somente 50 kg.
«Durante a minha infância não tinha muito apetite. Bastava comer um pouco para me sentir cheia», continua, «a partir da adolescência comecei a alimentar-me muito bem e a comer demasiado, mas nunca passei dos 56 kg».
O facto de não engordar fez com que consultasse um nutricionista, que lhe disse que se encontrava no limite inferior das pessoas com peso normal, que provavelmente seria do metabolismo acelerado e que deveria mudar com a idade. Não mudou.
Actualmente, Júlia admite cometer alguns excessos:
«Por vezes, como quase o dobro de algumas amigas minhas mais fortes, estou horas seguidas sem comer, abuso dos doces, dos salgados e dos molhos. Também fumo um maço de cigarros por dia.»
Apesar de todos estes excessos e de ter tomado complexos vitamínicos, o peso não aumentou. Por isso, Júlia consultou recentemente a sua médica de família, fez vários exames clínicos e foi detectado que o valor da tiróide é mais elevado que o normal.
«Se até Dezembro os níveis da tiróide se mantiverem, talvez tenha de tomar medicação para os controlar e talvez seja mesmo este o problema que faz com que não engorde», refere esta webdesigner, desabafando:
«Na praia, por exemplo, não uso biquini porque não me favorece. Não me importava de ter mais peito, os braços mais gordinhos… enfim, não perderia nada se fosse mais gorda.»
Roupa sempre larga Ana Maria tem 29 anos e há dois conseguiu o que Júlia Saramago tanto anseia. Engordou 18 kg… com a gravidez.
«Desde criança que sou muito magrinha, nunca tive complexos, mas ficava chateada, pois, sempre que tentava comprar roupa, os números mais pequenos ficavam largos», indica Ana Maria, assessora de direcção numa empresa do ramo editorial.
E continua: «Como não gostava da roupa da secção de criança, quase todas as minhas peças de vestuário tinham de ser postas à minha medida.»
Antes de nascer a sua primeira e ainda única filha, Catarina ficou contente porque pensou que, finalmente, iria ser mais gorda. Mas tal felicidade foi efémera.
«Recuperei o peso que tinha antes de ser mãe, isto é, 46 kg. Apenas alarguei nas ancas e, por isso, já não tenho de mandar apertar as calças do tamanho 34», diz Ana Maria, acrescentando que gostaria de engordar, pelo menos, 4 kg.
Se este desejo se cumprisse ficaria com o peso de Júlia Saramago. E se para Júlia existe um eventual problema relacionado com a tiróide associado à magreza excessiva, Ana não sofre de qualquer anomalia.
«Julgo que não engordo devido ao stress no emprego, já que durante as férias como mais e com mais regularidade e também engordo um pouquinho. Quando volto a trabalhar começo a comer menos», afirma, ironizando:
«Por um lado, ainda bem que não engordo, pois gosto muito de chocolate e posso comer à vontade, sem estar preocupada com dietas.»
Há magros e magros «Para determinar se há ou não magreza, é necessário que o índice de massa corporal seja inferior a 18,5», informa a Prof.ª Isabel do Carmo, endocrinologista, exemplificando:
«Utilizando o mesmo método que se usa para o excesso de peso, divide-se o peso pela altura duas vezes; se o resultado for igual ou menor que 18,5, estamos perante um caso de magreza. No nosso País, estima-se que 4% da população sofra deste problema.»
É, no entanto, fundamental distinguir aqueles que sempre foram magros dos que emagreceram recente e repentinamente. Para quem nasceu magro, e assim continua, é provável que a magreza seja constitucional, ou seja, pode não haver uma patologia associada. Já quando ocorreu um emagrecimento repentino, investiga-se a razão que conduziu a tal situação.
«Se uma pessoa sempre foi magra e nunca teve falta de forças nem perda de apetite e se não sofre de doenças infecciosas, não se deve preocupar, mas sim ficar com a sua magreza, que não lhe faz mal nenhum. Poderá, contudo, por uma questão de estética, querer ter mais 3-4 kg», salienta Isabel do Carmo, indicando uma solução para magros constitucionais:
«Caso não haja qualquer doença detectável, é possível fazer um programa para aumentar o peso, que inclui um plano alimentar com comida hipercalórica, ou seja, com aqueles alimentos que dizemos às pessoas com excesso de peso para não comerem. Em certos casos, são administrados suplementos alimentares, vitaminas (especialmente a vitamina B12) ou fármacos para abrir o apetite.»
Outras causas… Em relação aos indivíduos que sofreram um emagrecimento recente e acentuado, Isabel do Carmo diz: «Existem algumas doenças que têm de ser postas em hipótese, como o hipertiroidismo, a diabetes juvenil, doenças crónicas, doenças malignas, a depressão ou certos parasitas. Se for detectada alguma doença, é administrada uma terapêutica; só depois, e se necessário, é que tratamos a magreza.»
Por outro lado, a falta de apetite não deve ser desconsiderada. Para a endocrinologista, «é necessário descobrir o que causa falta de apetite, já que, regra geral, está relacionada com uma doença. Pode, por exemplo, ser alergia ao glúten».
«Existem, ainda, indivíduos que são magros voluntariamente. Têm uma ingestão de alimentos baixa, porque não querem engordar e porque têm horror à gordura. É uma anomalia da família das anorexias nervosas, que tem o respectivo tratamento como uma perturbação do comportamento alimentar que é», indica a especialista.
Alimentos que engordam Eis exemplos de alimentos hipercalóricos aconselhados por Isabel do Carmo: • Pequeno-almoço ou lanche Papas de iogurte com bolachas, fruta e açúcar; Papas de bebé; Batidos. • Almoço e jantar Refeições à base de comida mais concentrada em calorias, cujos alimentos não levam muito tempo a mastigar e cada garfada contém elevadas calorias, como empadão ou puré de batata;
Sobremesas: pudim, arroz doce, mousse de chocolate ou doces com natas.
Sofia Filipe
Se uns lutam desenfreadamente por emagrecer, muitas vezes chegando a estados extremos, outros anseiam por uns quilinhos a mais. É o que acontece com Júlia Saramago.
«Quero engordar e não consigo. Se há pessoas que conseguem emagrecer não percebo porque não engordo», comenta esta lisboeta de 27 anos.
Quando nasceu, era uma bebé «gordinha», mas aqueles quilos não acompanharam o seu desenvolvimento. Na adolescência cresceu imenso, mas apenas em altura.
«Na escola, tinha duas alcunhas: Lingrinhas e Perna-de-pau. Raramente me chamavam pelo meu nome próprio e isso incomodava-me um pouco», confessa Júlia Saramago, actualmente com 1,80 m de altura, mas somente 50 kg.
«Durante a minha infância não tinha muito apetite. Bastava comer um pouco para me sentir cheia», continua, «a partir da adolescência comecei a alimentar-me muito bem e a comer demasiado, mas nunca passei dos 56 kg».
O facto de não engordar fez com que consultasse um nutricionista, que lhe disse que se encontrava no limite inferior das pessoas com peso normal, que provavelmente seria do metabolismo acelerado e que deveria mudar com a idade. Não mudou.
Actualmente, Júlia admite cometer alguns excessos:
«Por vezes, como quase o dobro de algumas amigas minhas mais fortes, estou horas seguidas sem comer, abuso dos doces, dos salgados e dos molhos. Também fumo um maço de cigarros por dia.»
Apesar de todos estes excessos e de ter tomado complexos vitamínicos, o peso não aumentou. Por isso, Júlia consultou recentemente a sua médica de família, fez vários exames clínicos e foi detectado que o valor da tiróide é mais elevado que o normal.
«Se até Dezembro os níveis da tiróide se mantiverem, talvez tenha de tomar medicação para os controlar e talvez seja mesmo este o problema que faz com que não engorde», refere esta webdesigner, desabafando:
«Na praia, por exemplo, não uso biquini porque não me favorece. Não me importava de ter mais peito, os braços mais gordinhos… enfim, não perderia nada se fosse mais gorda.»
Roupa sempre larga Ana Maria tem 29 anos e há dois conseguiu o que Júlia Saramago tanto anseia. Engordou 18 kg… com a gravidez.
«Desde criança que sou muito magrinha, nunca tive complexos, mas ficava chateada, pois, sempre que tentava comprar roupa, os números mais pequenos ficavam largos», indica Ana Maria, assessora de direcção numa empresa do ramo editorial.
E continua: «Como não gostava da roupa da secção de criança, quase todas as minhas peças de vestuário tinham de ser postas à minha medida.»
Antes de nascer a sua primeira e ainda única filha, Catarina ficou contente porque pensou que, finalmente, iria ser mais gorda. Mas tal felicidade foi efémera.
«Recuperei o peso que tinha antes de ser mãe, isto é, 46 kg. Apenas alarguei nas ancas e, por isso, já não tenho de mandar apertar as calças do tamanho 34», diz Ana Maria, acrescentando que gostaria de engordar, pelo menos, 4 kg.
Se este desejo se cumprisse ficaria com o peso de Júlia Saramago. E se para Júlia existe um eventual problema relacionado com a tiróide associado à magreza excessiva, Ana não sofre de qualquer anomalia.
«Julgo que não engordo devido ao stress no emprego, já que durante as férias como mais e com mais regularidade e também engordo um pouquinho. Quando volto a trabalhar começo a comer menos», afirma, ironizando:
«Por um lado, ainda bem que não engordo, pois gosto muito de chocolate e posso comer à vontade, sem estar preocupada com dietas.»
Há magros e magros «Para determinar se há ou não magreza, é necessário que o índice de massa corporal seja inferior a 18,5», informa a Prof.ª Isabel do Carmo, endocrinologista, exemplificando:
«Utilizando o mesmo método que se usa para o excesso de peso, divide-se o peso pela altura duas vezes; se o resultado for igual ou menor que 18,5, estamos perante um caso de magreza. No nosso País, estima-se que 4% da população sofra deste problema.»
É, no entanto, fundamental distinguir aqueles que sempre foram magros dos que emagreceram recente e repentinamente. Para quem nasceu magro, e assim continua, é provável que a magreza seja constitucional, ou seja, pode não haver uma patologia associada. Já quando ocorreu um emagrecimento repentino, investiga-se a razão que conduziu a tal situação.
«Se uma pessoa sempre foi magra e nunca teve falta de forças nem perda de apetite e se não sofre de doenças infecciosas, não se deve preocupar, mas sim ficar com a sua magreza, que não lhe faz mal nenhum. Poderá, contudo, por uma questão de estética, querer ter mais 3-4 kg», salienta Isabel do Carmo, indicando uma solução para magros constitucionais:
«Caso não haja qualquer doença detectável, é possível fazer um programa para aumentar o peso, que inclui um plano alimentar com comida hipercalórica, ou seja, com aqueles alimentos que dizemos às pessoas com excesso de peso para não comerem. Em certos casos, são administrados suplementos alimentares, vitaminas (especialmente a vitamina B12) ou fármacos para abrir o apetite.»
Outras causas… Em relação aos indivíduos que sofreram um emagrecimento recente e acentuado, Isabel do Carmo diz: «Existem algumas doenças que têm de ser postas em hipótese, como o hipertiroidismo, a diabetes juvenil, doenças crónicas, doenças malignas, a depressão ou certos parasitas. Se for detectada alguma doença, é administrada uma terapêutica; só depois, e se necessário, é que tratamos a magreza.»
Por outro lado, a falta de apetite não deve ser desconsiderada. Para a endocrinologista, «é necessário descobrir o que causa falta de apetite, já que, regra geral, está relacionada com uma doença. Pode, por exemplo, ser alergia ao glúten».
«Existem, ainda, indivíduos que são magros voluntariamente. Têm uma ingestão de alimentos baixa, porque não querem engordar e porque têm horror à gordura. É uma anomalia da família das anorexias nervosas, que tem o respectivo tratamento como uma perturbação do comportamento alimentar que é», indica a especialista.
Alimentos que engordam Eis exemplos de alimentos hipercalóricos aconselhados por Isabel do Carmo: • Pequeno-almoço ou lanche Papas de iogurte com bolachas, fruta e açúcar; Papas de bebé; Batidos. • Almoço e jantar Refeições à base de comida mais concentrada em calorias, cujos alimentos não levam muito tempo a mastigar e cada garfada contém elevadas calorias, como empadão ou puré de batata;
Sobremesas: pudim, arroz doce, mousse de chocolate ou doces com natas.
Sofia Filipe