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Espirros, comichão e tosse permanente… será que o seu filho sofre de rinite alérgica?

Aquela comichão irritante no nariz. O seu filho mantém a boca aberta porque não consegue respirar. O nariz está constantemente obstruído ou com corrimento. Os seus espirros são uma constante lá em casa. Tem estado atento a estes sintomas?

Será que o seu filho é um forte candidato a pertencer à elevada percentagem de crianças com rinite alérgica em idade pré-escolar? O Dr. Mário Morais de Almeida, Presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) ajuda-o a perceber todas estas questões, através da apresentação do estudo Arpa Kids.

A SPAIC contou com a colaboração de muitos profissionais de saúde, com a consultoria científica da Key Point e o apoio logístico da Schering-Plough.

O estudo Arpa Kids foi planeado durante o ano de 2006, foi aplicado no primeiro trimestre de 2007 e esteve quase seis meses a ser avaliado através de tratamento de resultados. Há dois anos, foi elaborado um estudo sobre a prevalência de rinite alérgica em adultos, chegando-se à conclusão que mais de 1/4 da população sofria desta doença.

Destes dados, apenas 1/3 dos doentes estavam devidamente diagnosticados e recebia tratamento adequado. Chegou a vez de estudar 5018 crianças, em idade pré-escolar. “Encontrámos a frequência de 21,5 por cento de rinite nestas crianças. Apenas 1/3 das crianças tem um diagnóstico médico adequado. Ou seja, repete-se aquilo que estudámos nos adultos”, afirma Mário Morais de Almeida.

Este é o primeiro estudo do género que se faz em Portugal. “Mesmo a nível internacional, não há uma quantidade suficiente destes estudos. Existe falta de dados sobre este grupo etário”, fundamenta o Presidente da SPAIC.

O estudo veio também demonstrar que, “em Lisboa e Vale do Tejo, os valores são mais elevados, em contraste daquilo que se verifica no Alentejo. No entanto, curiosamente, apesar do Alentejo ser uma zona com menor prevalência de rinite alérgica nesta faixa etária, é também onde são encontradas as formas mais graves da doença”.

 

Sintomas devem ser valorizados

Para que o diagnóstico seja realizado adequadamente, é importante que os pais estejam atentos a variados sintomas. “As crianças estão constantemente com pingo no nariz e a mexer nessa zona. Estão, muitas vezes, com a boca aberta porque não conseguem respirar e passam a vida a coçar os olhos. A tosse nocturna passa a ser um quadro permanente. Começa a ser rara a noite em que a criança dorme bem e, de manhã, acorda mais cansada do que quando se deitou”, afirma Mário Morais de Almeida, reforçando a ideia de que o passo seguinte mais adequado será uma visita ao médico para saber o que se passa com o seu filho.

Existem sintomas, complicações, ou alergias na família? A criança está sempre com tiques? Gasta toneladas de lenços? Eis algumas das questões a que deve estar muito atento no dia-a-dia.

Para Mário Morais de Almeida, “a rinite alérgica tem a particularidade de ser o principal factor de risco para o aparecimento de asma brônquica, pois o nariz e os pulmões são órgãos intimamente relacionados no quadro das situações alérgicas”. Por outro lado, “a abordagem e tratamento precoces da rinite podem possibilitar, prevenir ou minimizar a expressão da asma, cujas consequências são amplamente conhecidas”.

Causas da rinite alérgica infantil

No nosso País, os ácaros do pó doméstico estão na origem da rinite alérgica, quer na criança, quer no adulto. “São minúsculos aracnídeos extremamente bem adaptados às nossas condições habitacionais e ao clima”, afirma Mário Morais de Almeida.

Os pólenes, os animais de companhia e os fungos constituem também causas importantes da rinite alérgica. As crianças expostas à poluição automóvel, ao fumo do tabaco ou às mudanças climáticas são fortes candidatas a sofrer de alergias.

“A prevenção primária da rinite alérgica começa nos primeiros tempos de vida: promover o aleitamento materno, fazer uma introdução de alimentos, o mais tradicional possível, impedir a exposição ao fumo de tabaco e limitar a exposição a alergénios comuns desde os primeiros meses de vida são dicas essenciais”, explica-nos o presidente da SPAIC.

Apesar destas medidas serem tentadoras, nem sempre são alcançáveis. Por isso, “deve existir a capacidade de reconhecer os sintomas, permitindo limitar a extensão da doença e controlar precocemente o processo inflamatório crónico”, explica Mário Morais de Almeida.

 

Os mitos e verdades da rinite alérgica infantil

A asma e a rinite alérgica são a mesma doença

Falso. “Temos um andar das vias aéreas superiores onde há obstrução nasal, a comichão, o corrimento pelo nariz (rinite alérgica). Depois, temos o outro andar inferior onde se manifesta a asma, ao nível dos brônquios. Aqui temos a tosse, a falta de ar e a sensação de aperto no peito” afirma o Presidente da SPAIC. A asma pode ser fatal e pode conduzir a um quadro de grande gravidade. “Se a rinite não é controlada, em 40 a 50 por cento dos casos, a asma virá a manifestar-se”, diz-nos.

Arejar o ambiente e aspirar os colchões frequentemente ajudam a tratar a rinite.

Verdadeiro.
“Um bom tratamento da rinite começa por ser realizado com medicamentos e, em alguns casos, é aplicada uma vacina anti-alérgica”, fundamenta Mário Morais de Almeida. É também importante arejar e ventilar o ambiente, “aspirar a casa com alguma regularidade, lavar as almofadas e aplicar capas que fazem a protecção entre a criança e o colchão”.

As crianças com rinite alérgica estão proibidas de ter animais de estimação

Falso.
“As pessoas não devem pensar que, se não têm animais, devem adquiri-los para deixar de ter doença alérgica. Por outro lado, se já têm animais, não há habitualmente razão para deixar de os ter, mas é conveniente que os animais não frequentem os quartos de dormir e que a ventilação e a aspiração da casa da casa sejam frequentes”.

Jornal do Centro de Saúde

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