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DPOC: uma doença ignorada

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença devastadora que vai roubando, progressivamente, aos doentes a sua capacidade para respirar. Caracteriza-se pela existência de uma obstrução à passagem do ar, nas vias respiratórias.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a DPOC é a quarta principal causa de morte em todo o mundo, provocando mais de 3 milhões de mortes por ano, matando até mais do que a SIDA e o cancro do pulmão. Contudo, estudos recentes indicam que cerca de 25 a 50% dos doentes, não sabem que têm a doença. Em Portugal, as estimativas apontam para a existência de cerca de meio milhão de pessoas afectadas por esta doença, estando apenas diagnosticados os casos mais graves.

Em todo o mundo a principal causa da DPOC é o tabagismo. A poluição profissional, com poeiras ou produtos químicos, ou a exposição a fumos provenientes da combustão de materiais orgânicos (como por exemplo madeira ou excrementos animais), são também considerados factores de risco responsáveis pela DPOC.

Inicialmente a DPOC pode ser uma doença silenciosa, não se traduzindo em queixas significativas por parte das pessoas afectadas. Porém, esta doença tem a particularidade de ser progressiva, sobretudo quando se mantém o hábito de fumar. Os sintomas mais precoces são a tosse e a eliminação de expectoração ou catarro matinal. À medida que a doença se instala, vai surgindo o cansaço respiratório desencadeado pelos esforços.

A tendência dos fumadores, perante estes sintomas, é de ignorá-los, já que a tosse e a expectoração são encaradas como formas do organismo “limpar” as impurezas do tabaco. Por sua vez, o cansaço respiratório é frequentemente interpretado como fazendo parte do envelhecimento ou como sendo um indicador da falta de exercício físico devido a uma vida muito sedentária.

Por todos estes motivos, e também porque ainda é de alguma forma desconhecido o teste que conduz ao diagnóstico, a maior parte dos doentes com DPOC só têm o seu diagnóstico quando a doença já está muito avançada. É nesta fase que o doente sente grande dificuldade na respiração sendo incapaz de subir escadas, de se arranjar de manhã ou até mesmo de passear tranquilamente na rua.

 

Respirar é vital

A espirometria é o teste de avaliação da função respiratória que possibilita o diagnóstico. Trata-se de um exame respiratório que mede de uma forma simples, rápida e não dolorosa, o volume e a velocidade do ar que sai dos pulmões, durante um sopro máximo. Este exame deve ser efectuado por todas as pessoas que estão em risco de desenvolver DPOC.

Os fumadores ou ex-fumadores, com mais de 40 anos de idade, que não tenham ainda efectuado uma espirometria deverão solicitá-la ao seu médico de família, de forma a despistar a DPOC. A maioria das pessoas encontra-se sensibilizada para a monitorização do seu colesterol. De forma análoga, se tem factores de risco para a DPOC, efectuar uma espirometria é igualmente importante.

Quanto mais precoce for o diagnóstico de DPOC, mais eficaz poderá ser o tratamento. Hoje existem medicamentos que podem reduzir significativamente os sintomas dos doentes com DPOC, melhorando substancialmente a sua qualidade de vida. Por outro lado, anulando a exposição aos factores de risco consegue-se desacelerar ou até mesmo parar a progressão da doença.

Para além de consultar o seu médico, existem coisas que os doentes com DPOC podem fazer para se ajudarem a melhorar, como sejam por exemplo tomar a medicação de acordo com as instruções do seu médico, fazer exercício e permanecer activo.

Em Portugal, à semelhança do resto do mundo, o Projecto GOLD, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, está empenhado em prevenir a DPOC e diagnosticar e tratar precocemente os doentes por ela afectados. Se for fumador, não ignore a DPOC e deixe de fumar antes que a DPOC o conheça a si.

 

“Os fumadores ou ex-fumadores, com mais de 40 anos de idade, que não tenham ainda efectuado uma espirometria deverão solicitá-la ao seu médico de família, de forma a despistar a DPOC”

 

Prof.ª Cristina Bárbara
Coordenadora Nacional do Projecto GOLD
Pneumologista do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital Pulido Valente)

Jornal do Centro de Saúde

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