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Dos bebés aos idosos: a importância dos rastreios e da consulta de oftalmologia

Com a evolução tecnológica e a possibilidade de intervenção terapêutica, o lema “prevenir para curar”, adquiriu uma dimensão que não pode ser descurada em termos de saúde pública. A oftalmologia é uma das especialidades que tem um conjunto de patologias que, pela sua relevância na prevenção da cegueira, justifica que se implementem rastreios e se façam campanhas de informação e educação para a saúde.

A Diabetes atinge mais de quinhentos mil portugueses provocando uma doença ocular que denominamos retinopatia diabética. É absolutamente mandatório fazer uma consulta de rastreio anual para detectar a doença na sua fase inicial.

Quanto mais cedo interviermos mais possibilidade existe de controlarmos a evolução da doença, utilizando terapêuticas como o laser e passando a exigir um melhor controlo do açúcar (glicemia) no sangue. Por vezes, detectamos a doença já numa fase muito avançada, mas a oftalmologia actual tem possibilidades de intervenção, quer cirúrgicas, quer com novos medicamentos que em breve estarão no mercado.

O glaucoma também chamado “ladrão silencioso”porque o doente perde a visão sem ter tido qualquer queixa prévia, é das patologias oftalmológicas que, por razões óbvias, mais justifica um rastreio da doença e consulta para diagnóstico.

O doente começa por perder o campo visual em áreas nas quais não se apercebe. Só quando a visão central é atingida é que fica preocupado. Nesta altura já não é possível reverter a acuidade visual e o campo visual perdidos.

Esta é uma doença normalmente associada a aumento da pressão intraocular, mas há situações em que a pressão é normal e, mesmo assim, há glaucoma.

Em termos gerais, todos os doentes acima de 45 anos devem, quando consultam um oftalmologista, ser rastreados para esta patologia e perguntar ao seu médico se têm ou não a doença.

A Degenerescência Macular da Idade (DMI) atinge cerca de 300 mil cidadãos nacionais nas suas duas formas de apresentação, a exsudativa e a seca. Se em relação à forma seca a nossa capacidade de intervenção é limitada e passa pela divulgação de formas de vida saudáveis e utilização de antioxidantes para prevenir a evolução da doença, no que diz respeito à forma exsudativa temos actualmente meios terapêuticos que permitem conservar a visão e daí a importância de um diagnóstico o mais atempado possível.

Os rastreios permitem detectar doentes com a forma seca e identificar factores de risco para a forma exsudativa, o que permitirá dar indicações aos doentes sobre como actuar quando determinados sintomas surgirem. Nestes casos a intervenção precoce para a obtenção de resultados é uma necessidade absoluta, até porque cada vez mais a possibilidade de intervenção é maior com os novos medicamentos que estão a surgir.

O seu filho vê bem?

Em muitas outras áreas da oftalmologia é possível intervir rastreando. Rastrear os bebés prematuros para verificar se têm retinopatia da prematuridade, rastrear crianças para detectar ambliopias (olhos preguiçosos), defeitos de refracção (necessidade de óculos), cataratas congénitas, tumores oculares, glaucomas congénitos, entre outros.

Medicina do trabalho

Na medicina do trabalho, verificar se os trabalhadores têm condições visuais para as tarefas que estão a desempenhar, se o ambiente de trabalho se adequa em termos de luminosidade, radiações e posturas é uma obrigação. Nas cartas de condução, averiguar se os candidatos têm acuidades visuais, visão binocular, sentido cromático, boa visão nocturna que justifique a autorização ou determine as limitações é uma exigência social.

O ver bem é uma necessidade individual mas é da inter relação entre o cidadão, o seu oftalmologista e as estruturas de saúde que se determina como pode e deve cada um exercer a sua actividade no que à visão diz respeito.

Jornal do Centro de Saúde

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